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Vivências do passar dos anos

Resido em Jundiaí desde 1963. Às vezes, quando passo pela rua onde vivi mais tempo e por outras em que trabalhei, ou estava com maior frequência, incluindo as praças centrais, tento me reconhecer nos espaços ou busco características de décadas passadas. Encontro novas construções em terrenos conhecidos ou reformas que descaracterizaram as imagens que trago comigo. É uma sensação estranha, pois tudo me parece incomum e familiar. Dentro de mim, há uma janela que se abre para o passado e, através dela, consigo ver aquilo que me tocou o coração. São perfumes, tons, silhuetas, abraços, árvores frutíferas, flores, livros, cadernos, canções, preces… Creio que não me despedi de nenhum deles e nem desejo que isso aconteça.

Impregnaram minha vida e permanecem. Sou, portanto, a soma do que aconteceu e do cotidiano. Mas sou, também, o acréscimo das histórias que meu pai contava com emoção. Inseriram-se em minha alma. Sou, igualmente, as histórias de minha mãe. Meus pais foram de vivências intensas e me carreguei delas, mesmo das que apenas ouvi o relato. Vivência de filmes, poemas, músicas, tango, fados, valsas, viagens, paisagens, montanhas, oceanos… Creio que exuberância seja necessária para cada instante. Ah, então concluo que esse familiar, onde nada mais é habitual, deve-se às forças das pegadas de quando passei por ali! Marquei o chão com pegadas fortes dos sonhos. Sou fértil em sonhos, embora se modifiquem.

Vem-me a “Arte de ser feliz” de Cecília Meireles: “… Às vezes, um galo canta. Às vezes, um avião passa. Tudo está certo no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso olhar, para poder vê-las assim”.

Fonte: “PAZ”

*Maria Cristina Castilho de Andrade é educadora e coordenadora diocesana da Pastoral da Mulher/ Magdala, Jundiaí, Brasil.

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