Violência contra a mulher: e a prevenção?

Por em 29/08/2010


Violência contra a mulherPode ser até bonito dizer, como muitos dizem, que em mulher não se bate nem com uma flor. Mas, convenhamos, a frase, além de preconceituosa, não tem respaldo do bom senso nem da lei. Então homem pode apanhar, pode ser vítima de violência tão somente porque, por ser homem, é “mais forte”, “pode se defender”.Claro que não. Isso é preconceituoso, tendencioso e, portanto, injusto.

Não é o fato de alguém ser tido, em tese, como mais “fraco” que lhe garanta a condescendência daqueles que o julgam. Ser mais fraco não dá direto a ninguém a burlar os códigos morais e legais vigentes. “Todos são iguais perante a lei”, diz o texto constitucional. Logo, o fato de ser mulher, não assegura diretos diferenciados neste mister. Achar que a mulher é mais fraca em termos de compleição física é um coisa; interpretá-la como um ser mais fraco é ofensivo e injusto. Há mulheres que, sob todos os aspectos, valem mais que muitos homens. E como há!

A violência deve ser proscrita para todos. Pode até sensibilizar e revoltar mais quando perpetrada contra enfermos, idosos, crianças, mulheres etc. Essa é um reação emocional compreensível.

A Lei Maria da Penha, que veio apenas “reforçar” lei já existente, tem esse viés preconceituoso como tudo que divide as pessoas por gênero, cor, classe social, religião etc. Qualquer violência contra quem quer que seja é, no mínimo, censurável.

As campanhas veiculadas pela mídia sobre a violência contra a mulher se fundamentam no estimulo à denúncia dos agressores para que sejam exemplarmente punidos. Tudo bem, mas isso só não basta. É preciso prevenir contra as agressões. Isto é fundamental. Para tal, a mulher precisa tomar atitudes que vão desde evitar comportamentos que incitam seus companheiros a agredi-las, buscar ajuda nos níveis possíveis antes que as agressões se consumem; ou ainda, quando nada disso der resultado, afastar-se deles definitivamente, antes que seja tarde demais.

Quando o companheiro rejeita a separação e ameaça a mulher de mais agressões e até de morte se ela o abandonar, o risco não deve ser subestimado e providências de toda a ordem devem ser tomadas para evitar o pior. Contar com a possibilidade de as ameaças não se concretizarem é a alternativa de maior risco. Muitas mulheres já morreram por agirem assim.

Todavia, o mais seguro mesmo é identificar se seus companheiros são portadores de índole agressora, antes de se juntarem a eles. Mas isto, o amor, que por vezes é cego, pode não deixar ver.

*Viriato Moura é médico, diretor-presidente do Complexo Hospitalar Central, membro da Academia de Letras de Rondônia, presidente da Academia de Medicina de Rondônia.

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Por Viriato Moura, em 29/08/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “Violência contra a mulher: e a prevenção?”

  1. Jackeline

    “Para tal, a mulher precisa tomar atitudes que vão desde evitar comportamentos que incitam seus companheiros a agredi-las”

    evitar comportamentos????
    preconceituoso é esse tipo de posicionamento!

    a cultura machista é o que leva a violência,por favor vamos analisar direitinho as reais causas que levam a violência contra mulher!

    #1080

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