Viagem esclarecedora

Por em 24/10/2011


Viagem esclarecedoraA presidente Dilma Rousseff sabe das coisas. Administra o Brasil com responsabilidade e disciplina. Vantagens de ser uma brasileira com raízes recentes no velho mundo. Não é emocional nem passional. É racional.

Percebeu na Europa que a crise tem dimensão tal que só um país muito insignificante pode sobreviver à sua margem. Não existe blindagem neste século XXI. O Brasil não é uma nação da América Central, por exemplo, que pode sobreviver de suas praias e hotéis e uma monocultura bem organizada, como a do café ou do açúcar. Isto ficou claro em seus contatos de alto nível.

Outro aspecto positivo da viagem presidencial foi a realidade do papel fronteiriço ao ridículo a que estava sendo levada ao “doutrinar” soluções a milenar Europa, em momento difícil. O que os jornais de lá registraram e ela teve tempo de contornar, com habilidade, alterando os rumos das declarações que lhe foram recomendadas por assessores estranhos aos quadros do Itamaraty, é evidente.

Chegou num Brasil mais fora ainda da realidade, com greves e reivindicações totalmente fora do contexto do mundo que visitou. Mandou apertar o cinto e cuidará de gerir os recursos públicos com parcimônia e prudência. Certamente deixará as coisas da Copa de 14 fluírem dentro do ajustado e não com imposições singulares e curiosas como a do meio bilhete para jovens “até 29 anos”. E ficou sabendo que, fora da praxe, exceto uma ou outra modificação, pode implicar em troca de sede do evento tão badalado.

A presidente chegou para definir temas importantes com autoridade. O caso do petróleo vai respeitar a legislação vigente para os atuais campos em exploração, como alertou o senador Francisco Dornelles, que não é apenas representante do Estado do Rio e presidente nacional de um partido significativo na base governista, mas um servidor público experiente. E, no caso das greves, vai, certamente, mostrar que não será dirigida pelo sindicalismo selvagem que deseja medir forças com o governo e pela via da greve ter férias dobradas.

A postura de volta da presidente é muito positiva. Não poderá o Brasil continuar a ser uma estrela da economia mundial com grevismo, indisciplina, crises políticas e omissão face à corrupção. Para barrar os movimentos sociais, cuja origem e rumos se desconhece, queiram ou não os falsos aliados e amigos, vai continuar demitindo e substituindo. Até chegar a optar em definitivo pela meritocracia, criando bons canais com a sociedade que a apoiará. Com isso, poderá neutralizar retaliações políticas.

Essa é uma avaliação da viagem. Que se espera acertada!

*Aristóteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.




Por Aristóteles Drummond, em 24/10/2011 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

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