Um pouco sobre a história medieval da Alemanha
Acima, gravura retratando a vida na Alemanha Medieval.
A Alemanha sempre teve uma rica história, sendo um verdadeiro paraíso para os historiadores. Fato marcante da história da Alemanha é a não abrangência do Feudalismo em todos os rincões alemães. Tanto que alguns proprietários de terras não tinham senhores, eram livres. Outro aspecto bastante importante era a luta pelo poder que opunha os imperadores aos Papas, rivalidade esta que muito influenciou o desenvolvimento político da Alemanha.
Um bom exemplo das rupturas entre os imperadores e os Papas que aconteceram ao longo da idade média alemã, foi a ruptura ocorrida entre Henrique IV com o Papa Gregório VII, já que o papado pretendia exercer o domínio político sobre todos os soberanos europeus, principalmente sobre o Imperador germânico, não permitindo que o Imperador nomeasse os bispos na Alemanha. Neste conflito entre Igreja e Imperador, conhecida como “Querela das Investiduras”, saiu vitoriosa a Igreja. Convém salientar que sem o apoio da Igreja, Henrique IV não conseguiria por em prática sua política de centralização de poder. Esta Querela só se resolveu no período de Henrique V, em 1122, com a assinatura da Concordata de Worms.
Um dos principais motivos do progressivo enfraquecimento do poder central na Alemanha Medieval foi o grande poder que a Igreja possuía. Também havia rusgas entre senhores feudais, que, dependendo de seus interesses, unam-se aos papas ou se opunham a eles. Ou seja, não havia um pensamento em torno de um país, uma nação, como já ocorria na Inglaterra, em Portugal, na Espanha e na França. Já no reinado de Frederico I percebe-se um período de fortes conflitos com a Igreja Católica. Frederico I ainda tentou conquistar territórios no norte e no centro da Itália, chagando a conquistar Milão, destruindo-a, e, mais tarde Roma. No entanto, por vários motivos, seus planos de conquista fracassaram e Frederico I, em 1177, teve que reconhecer sua difícil situação e se ajoelhar diante do Papa. Seu reinado foi marcado por expedições externas visando expandir territórios. Devido a todas as questões políticas internas ocorridas por conta das discordâncias de certos nobres alemães em apoiar o imperador, Frederico I teve que aumentar seus domínios, já que não mais podia concentrar seus domínios em suas mãos, apesar de não ter chagado a ser o mais poderoso dos soberanos no âmbito territorial, embora desejasse ter sido o responsável por uma política unificada e centralizada.
Acima, Papa Inocêncio III.
Em 1212 foi eleito Imperador da Alemanha, com o consenso do Papa Inocêncio III, o rei da Sicília, Frederico II. Neste momento histórico, os príncipes alemães tiveram grande autonomia política e econômica. Foi um período de grande desagregação política na Alemanha, onde cada reino e cidade praticamente vivia isolado um do outro. Vários foram os imperadores que sucederam a Frederico II e antecederam a Carlos IV, no entanto, em seus reinados a fragmentação do poder na Alemanha sempre se fez presente. Todas as tentativas de unificação foram infrutíferas, pois os príncipes germânicos não aceitavam perder seus poderes políticos e a autonomia de seus reinos. Com Carlos IV de Luxemburgo, a Alemanha passou a conviver com uma tentativa de se unificar sua política, pelo menos de se tentar criar condições mínimas de se reinar em meio a tantas fragmentações. Mesmo tentando criar tais condições, Carlos IV, inicialmente se interessou, ao tomar o poder, em fortalecer seu reino hereditário da Boêmia. Apesar de no seu reinado ainda persistir a fragmentação política da Alemanha.
Acima, Maximiliano I.
O único imperador que subiu ao trono realmente visando uma unidade imperial foi Maximiliano I, em 1493. Percebe-se assim que o poder político na Alemanha sempre foi expressivamente fragmentado, não tendo chegado a uma política, de fato, unificada em nenhum momento de sua história medieval.
Um dos principais motivos do progressivo enfraquecimento do poder central na Alemanha Medieval foi o grande poder que a Igreja possuía. No entanto o maior dos motivos eram as rusgas entre senhores feudais, os príncipes, que, dependendo de seus interesses, uniam-se aos papas ou se opunham a eles. Ou seja, não havia um pensamento em torno de um país, uma nação, como já ocorria na Inglaterra, em Portugal, na Espanha e na França.
Os príncipes alemães mostravam-se de um particularismo feroz quando se tratava em perder poderes políticos e de aceitar renunciar autonomia político-administrativa e econômica de seus reinos em prol de uma Alemanha unificada. Podiam até se unir na eleição de um novo Imperador, mas se alguma medida em prol de uma centralização de poder político fosse desencadeada e eles se sentissem ameaçados, reagiam imediatamente. Tanto quem em determinado momento, visando manterem seus poderes políticos em seus reinos, exigiram que o rei Alberto de Nassau assinasse uma capitulação eleitoral, que colocava ele, o rei, e seus sucessores sob o controle direto dos príncipes eleitores. E, por ter infringido a captulação eleitoral, foi deposto em 1298.
Por Alessandro Lyra Braga, em 05/03/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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