Um balanço do choque de ordem
Tem ganhado muito espaço na mídia, desde o inicio do ano, o choque de ordem – promovido pela nova gestão da prefeitura do Rio de Janeiro, sob a direção de Eduardo Paes. Entre opiniões favoráveis e artigos desgostosos em relação a ele, o fato é que esta é a grande novidade desta prefeitura e mostrou não ser um marketing inicial de governo – a comum primeira semana de ações arrebatadores para, de fato, impressionar a população.
O choque de ordem surpreendeu, e deve-se isso à sacada bem-sucedida do prefeito em criar a Secretaria Especial de Ordem Púbica, ocupada por Rodrigo Bethlem. Tendo o feito, o prefeito assegurou serem rotineiras as ações contra a ilegalidade e desordem urbana, conquistando a confiança e credibilidade necessárias para se tomar decisões tão polêmicas, como despejar moradores de uma construção ilegal e tirar o trabalho de ambulantes também ilegais.
Acontece, no entanto, que tanto os discursos favoráveis quanto alguns contrários têm razão. Por exemplo: é verdade que é ilegal e injusto montar-se uma barraca no meio da calçada e vender produtos, falsificados ou não, enquanto diversos comerciantes estão atolados de dividas devido aos altos encargos que devem pagar por possuírem um estabelecimento comercial. Perante isso, é inacreditável alguém defender a ilegalidade.
Porém, a alegação de “deixe a pessoa trabalhar, pelo menos não está roubando” soa surreal, mas dependendo da linha de raciocínio faz sentido. Se isso for argumentado justificando que um possível criminoso o é e o pode ser simplesmente por não ter um emprego é absurda. Entretanto, se formos buscar a raiz do motivo pelo qual o cidadão é desqualificado profissionalmente e por isso não consegue emprego, certamente, será a falta de uma educação de qualidade e isso deve-se ao Estado. O mesmo que, agora, tira o trabalho (ilegal) do cidadão e que, embora devesse constitucionalmente, não lhe ofereceu ferramentas para torná-lo um bom profissional. Logo, alegação parece mais sensata.
Como se vê, trata-se de um terreno pantanoso sobre o qual o prefeito deve vestir galochas para adentrar. Nesta balança de prós e contras, algo pode desequilibrar. Embora existam e se tornem públicas criticas e elogios, a insatisfação virá, sobretudo, da classe social de poder aquisitivo mais baixo, residente das áreas mais carentes da cidade. Deve-se lembrar, todavia, que, eleitoralmente, são as zonas geográficas e a classe social mais importantes. Será que isso pesará nessa balança? Isso, só 2012 vai nos dizer.
*Bruno Fernandes Carvalho é presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Santo Inácio, já tendo participado do Grêmio Estudantil do Colégio de Aplicação da UFRJ, da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro e do DCE-PUC/RIO como colaborador externo secundarista, sendo, atualmente, militante da Juventude do PMDB do Rio de Janeiro. Também no Colégio Santo Inácio, é professor voluntário de Língua Portuguesa do curso noturno de Educação de Jovens e Adultos.
Por Bruno Fernandes Carvalho, em 23/07/2009 - 00:05. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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Prezado Bruno,
Concordo com você, e o felicito pela brilhante leitura que teve do processo. Arrisco ainda dizer, que a ação enérgica e indiscriminada do Prefeito Eduardo Paes, foi uma das poucas ações possíveis de execução, e com a eficiência que lhe é peculiar, por conta do esvaziamento dos cofres municipais, praticado na minha opinião de modo proposital, pela gestão anterior. Compreendo seu lado humano, de se colocar na figura do outro, mais te digo que ser poder público não é fácil. As ações de império devem ser isentas e enérgicas sim. A vitoria do governo, não esta em perseguir os mais desfavorecidos, esta em coibir ilícitos cometidos por todos e de todas as classes sociais. É comum ver que as atitudes da prefeitura, são realizadas no asfalta e nas comunidades. Apenas estão aplicando as leis que a sociedade por meio de seus representantes voltaram, para normatizar nossas condutas de cidadão. É por natureza o contrato social, onde cedemos parte de nossa intimidade para o príncipe (Estado), na intenção de garantir a vontade coletiva. É comum ver em sociedades orientais, este conceito muito mais latente, talvez por viverem em maior número, aonde o coletivo sempre vem na frente do individual. Parabéns pelo brilhantismo do texto e parabéns prefeito Eduardo Paes.
O que vem sendo feito atraves dessas operações chamadas choque de ordem.Por um lado ajuda realmente ,aqueles que saõ pagadores de seus impostos, por outro, infelizmente deixar alguns desempregados , sem opções de tentar ganhar a vida para a sua real subsistencia,esse grupo último composto de chefes de familia e muitas vezes , suas esposas trabalhando tambem com a camelotagem e quando não seus filhos. Muitos oriundos de seus estados sonhando em obter uma vida melhor nas grandes metropólis,a falta de cursos profissionalisantes de fácil acesso e baixo custo dificulta. O mercado informal esta a cada dia ganhando as ruas com aqueles necessitados que para sobreviverem depende do mesmo.