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Celso Lungaretti

O strip-tease moral de José Maria Marin

A Folha de S. Paulo publicou no dia 10/04 o debate entre Ivo Herzog, filho do saudoso Vlado, e José Maria Marin, o mau-caráter que secundou um ataque feito na Assembléia Legislativa contra a “infiltração comunista” na TV Cultura. Marin está certo ao dizer que a repressão ditatorial não precisava de tais estímulos para agir como agia. É o que sempre afirmei: a operação contra os inofensivos e manjadíssimos esquerdistas da emissora estatal de São Paulo não passou de uma provocação. Em 1975, quando a paz dos cemitérios já fora imposta ao país, o ditador Geisel pretendia desativar o DOI-Codi que, além de haver-se tornado desnecessário, era um dos responsáveis pela péssima imagem do Brasil no exterior. Seus integrantes, no entanto, tudo faziam para não perderem as benesses de que desfrutavam –principalmente a divisão entre si do que apreendiam com os militantes e as gratificações recebidas de empresários canalhas.
Celso Lungaretti

Exército faz a Comissão da Verdade de gato e sapato

Empossada há nove meses, o que essa domesticada comissão da verdade realmente produziu, afora a correção de um atestado de óbito famoso, retumbantes divulgações acerca do que todos estávamos carecas de saber e miudezas em geral? Valeu a pena a esquerda ter trocado a exigência de cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de punição dos carrascos do Araguaia, por prêmio de consolação tão ínfimo? Logo que surgiram as primeiras especulações sobre quem integraria a Comissão Nacional da Verdade, dando como favas contadas que a presidente Dilma Rousseff honraria a
Celso Lungaretti

Como era esperado

Como era esperado, a presidente Dilma Rousseff constituiu a Comissão da Verdade com os notáveis de sempre, aqueles que o sistema aceita como tais. Como era esperado, vergou-se à pressão dos congressistas reacionários, que impuseram a condição de que nenhum antigo resistente integrasse o colegiado. Como era esperado, os compromissos da governabilidade pesaram mais em sua decisão do que a coerência com a própria história de vida: quem sempre afirmou que os militantes se igualavam aos verdugos (“ambos cometeram excessos”) é a pior direita que existe, a das viúvas da ditadura.
Celso Lungaretti

Jobim: sua remoção demorou uma eternidade

A situação por ele criada, com suas seguidas, inconsequentes e inaceitáveis incontinências verbais, teve o único desfecho possível: a demissão. Mas, o pior malefício que ele cometeu dificilmente será desfeito. Foi Jobim quem, numa reunião ministerial decisiva, confrontou Tarso Genro e Paulo Vannuchi, encabeçando a corrente contrária à revisão da Lei de Anistia. Para opróbrio do Brasil, tal posição acabou prevalecendo. Em plena ditadura militar, os altos escalões do arbítrio concederam um habeas corpus preventivo a
Celso Lungaretti

Punição dos torturadores: União levanta a bandeira branca

O Supremo Tribunal Federal decidiu em abril de 2010 que uma tirania pode anistiar a si própria. A Corte Interamericana de Direitos Humanos, no final do ano, reafirmou o entendimento civilizado da questão: não pode, caso contrário os déspotas e seus esbirros nunca mais serão punidos em lugar nenhum. Só os governos democráticos subsequentes têm legitimidade para julgar os crimes cometidos pelos agentes do Estado durante o período de exceção.
Celso Lungaretti

Atrocidades da ditadura: depois da impunidade, o esquecimento!

É compreensível que partam do Exército as iniciativas para enquadrar a Comissão Nacional da Verdade: parafraseando a frase imortal de um ex-ministro da Justiça sobre um ex-torturador, foi a Arma que, durante os anos de chumbo, mais emporcalhou com o sangue de suas vítimas as fardas que deveria honrar. Assim é que, conforme revelou O Globo, o Comando do Exército elaborou no mês passado um documento de críticas à Comissão da Verdade, endossado a seguir pela Marinha e Aeronáutica. Eis alguns trechos:
Celso Lungaretti

Sentença histórica pulveriza falácias das viúvas da ditadura

Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, desconversou que a condenação do Brasil na Corte Interamericana de Direitos Humanos “não revoga, não anula e não cassa” a decisão grotesca e aberrante do STF — a que outorgou aos carrascos de ditaduras o direito de anistiarem previamente a si próprios. Ora, aquilo nada mais foi do que um habeas corpus preventivo, uma impunidade programada, agredindo os próprios fundamentos do Direito.