Sociedade e Exclusão

Por em 01/08/2009


A questão do estigma e a exclusão social

Desde os primórdios da humanidade, existe a exclusão social. Vivemos numa época em que há uma separação, devido ao pré-conceito das pessoas em relação às outras.

Quando se fala em exclusão na educação, nos referimos ao aluno, seja ele criança ou adulto, e ao serem excluídos lhes é retirado o melhor de suas vidas, que é a oportunidade de mostrar à todos que não tão diferentes dos ditos “normais”, pois, em verdade, não se diferenciam das outras pessoas, uma vez que sentem dores, amam, choram, se arrependem como todo ser humano dito “normal”, ou pelo menos acreditam ser normais!?!

A sociedade com a qual nos relacionamos é tão ignorante a ponto de ainda em pleno século XXI, termos a exclusão digital e a exclusão racial, que se reflete não só nas ruas, mas dentro da sala de aula e em locais de trabalho, e se essa pessoa estiver inserida na classe social menos favorecida, é que a situação se torna pior para que haja uma convivência suportável de igualdade de direitos sociais.

Enquanto seres humanos, racionais, temos que admitir que vivemos e habitamos numa sociedade hipócrita, repleta de exclusões, onde existe uma das piores exclusões, que está relacionada às pessoas com necessidades educacionais especiais, exclusão essa que acontece nas salas de aula regulares, pelo menos ditas regulares, com alunos “normais”.

Há muitos anos atrás, não se ouvia falar tanto em exclusão como se fala hoje. Será que a sociedade está começando a acordar para a realidade? Ou será que está começando a cair a máscara da exclusão?

Quando me pergunto se a sociedade está começando a acordar, é porque as discussões hoje, estão começando a dar uma certa importância e atenção à necessidade de pessoas que possuem algum tipo de deficiência, seja ela mental, física ou visual. Mas, como prepará-las para a vida profissional, se o próprio professor não está preparado para atendê-lo em sala de aula, que em verdade, em sua maioria não possuem condições de acesso e permanência desses alunos nas mesmas? O professor não habilitado para tal função, não conseguirá, de forma satisfatória, transmitir conhecimentos ao aluno com deficiência auditiva ou visual, pois se o mesmo não possui o domínio sobre a linguagem dos sinais (Libras) e muito menos Braile, como irá se comunicar com esses alunos? Tal desqualificação do profissional de educação também é uma forma de exclusão!

Em educação, não há exclusão somente com relação aos alunos com necessidade educacionais especiais, mas há uma exclusão com a remuneração do profissional em educação. Tal remuneração, o exclui de viver dignamente, de ter um bom plano de saúde, de poder viajar com sua família nas férias. Hoje, o professor precisa ministrar aulas em várias instituições de ensino, às vezes com uma jornada que começa às 07 horas e termina às 22 horas, todos os dias da semana e em alguns casos nos finais de semana.

O que mais me assusta com relação a esta situação, é que o Presidente da República, um Juiz, um Desembargador, um Médico, um Engenheiro, enfim, todos nós que lemos e aprendemos assinar nossos nomes, passamos por um professor, que pegou na nossa mão quando estávamos no Jardim de Infância e nos ensinou que b+o+l+a significava a palavra bola. Parem para pensar! Eles recebem um salário que não condiz com sua importância na sociedade.

Não desmerecendo a profissão, pois sabemos que todos nós dependemos um do outro, mas um motorista de van ganha muito mais por mês que um professor com a carga de trabalho citada anteriormente.

Portanto, caros leitores, em educação existem muitas máscaras que precisam e devem cair, porque nenhuma sociedade poderá evoluir enquanto as exclusões e injustiças sociais existirem dentro de um sistema político e educacional, que é a base de qualquer nação que se diz séria e democrática.

Brasil Um País de Todos ou de Tolos? De repente, as tais exclusões as quais me referi sejam somente uma “marolinha”, vai passar, são simplesmente uma fase!

*Luciana Couto de Souza é graduada em Pedagogia com Licenciatura em Magistério e Supervisão Escolar (2003), graduada em Artes Visuais com Licenciatura (2008), e é pós – graduanda em História da Arte e Arquitetura no Brasil, pela PUC –RIO.




Por Luciana Couto de Souza, em 01/08/2009 - 00:12. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

11 respostas to “Sociedade e Exclusão”

  1. Janaina

    Parabéns!!!

    Vc escreve muiiiiiiiiiiiiiiiiiito bem. Adorei a crítica!

    Um abraço.

    Janaina

    #46
  2. lívia

    Adorei o tema, é excelente e também muito complexo, pois quando se fala em excetuar não se pode esquecer que vem culturalmente carregado de estigmas, hipocrisia, promiscuidade entre outros. Mas esse tema está em alta devido a globalização, a luta por reconhecimento e acessibilidade por partes dos excluidos que perceberam que fazem parte integrante da sociedade e também tem interesses políticos imbutido.
    Muitas coisas ainda precisam mudar em relação à Educação como a nova resolução, que deve ser aplicada até 2010 onde os Portadores de Necessidades Especiais devem ser incluídos em classes regulares, lindo! se fosse aplicado de modo correto. Mas existem também outros tipos de exclusão e só para resumir é tudo que foge aos parâmentros da normalidade fixado pela sociedade ou melhor o que não é conveniente.
    Seu texto está de ótima compreesão, parabéns por ter se tornado uma colunista e não perca as oportunidades que te trazem prazer, um beijão.

    #47
  3. Cintia Maria

    Lu …
    Muito bom, parecia estar de ouvindo falar…

    Parabèns, continue … é isso ai!!!

    Beijos

    #48
  4. Marcelle

    Parabéns por abordar esse tema tão importante, que muitas vezes passa despercebido.Espero realmente que possamos melhorar o sistema educacional e proporcionar aos nossos professores que são a base de tudo, uma qualidade de vida melhor e consequentemente um acesso mais amplo a informação.assim como a adaptação das escolas e os profissionais da educação pra que possam atender a necessidade de todos os alunos.
    continue escrevendo!
    gostaria de ler mais colunas como essa.
    beijão

    #49
  5. Maria do Socorro

    Grande Lú, adorei a matéria, clara e objetiva. e digo-lhe
    com toda certeza… O Brasil mostra a sua cara, O Brasil é
    um País de todos, porém nosso Brasil ainda é um País que
    não é de todos.
    Aconteça seja você em todos os sentidos.
    Beijos.

    #51
  6. Janaina

    Estou ansiosa para ler o próximo texto. Sou sua fã. Um abraço!Janaina Silva

    #55
  7. Fernanda

    Oi Lu !
    Gostei muito do seu texto!!
    Na faculdade fala-se muito sobre isso: no que as mídias podem ajudar na valorização do processo de aprendizagem/conhecimento na relação professor-aluno. É um tema muito importante que precisa ser trazido ao “senso comum”, não no sentido de banal, mas de ser discutido com naturalidade não só pelos professores , mas por todas as áresa que envolvem a questão do conhecimento e do ser humano.
    Enquanto aos motoristas de van , o que você disse é pura verdade, vivo isso bem de pertinho pois meu namorado é motorista e ganha muito mais que um professor da rede estadual por exemplo, que tem um salário de R$620,00 …
    Bem é isso!
    Sucesso pra vc . Beijão!

    #63
  8. Lilica

    Oi Lu, parabéns pelo texto, atual e muito oportuno. Trabalho numa instituição onde o discurso sobre inclusão é frequente, tudo muito lindo, maravilhoso, mas na hora da prática…

    Um bjão pra você!

    #90
  9. ANDERSON

    OBRIG QBOM

    #96
  10. Chuta ki é macumba

    Boa tarde Luciana.
    A sociedade a qual você esta descontente é a sociedade brasileira ou mundial? O texto não deixa muito claro.
    Nos ´primórdios’ os moldes sociais vieram da observação dos animais (formigas, abelhas etc.). A questão da exclusão, como prática, é realizada por todos os animais. Veja o caso de leões albinos; eles são excluidos e vivem em torno ao grupo mantendo uma certa distância. já as sociedades do povo Tupinambá tinham por hábito a prática do canibalismo, não por ser aprazível ao paladar mas por uma questão memética, um Tupinambá não comia de forma alguma um covarde pois ele desejava melhorar seus genes se alimentando apenas dos bravos, isto de certa forma é uma exclusão, os covardes e/ou chorões não eram aceitos nestas culturas (sociedades). Porem não é nos primórdios que devemos buscar as razões da nossa sociedade ocidental mas em sua base na Grécia. A tragédia se inicia com o surgimento das polis que tinham o ostracismo e o infanticidio como forma de controle social. Aquilo que não fosse apolíneo era jogado em um poço bem fundo. Aristóteles era macedonio e por sua vez um racista de marca pois foi o primeiro a criar uma ontologia do ser humano dividindo-o em raças e espécies, para Aristóteles eram considerados humanos apenas os Gregos e Mâedonios, sendo os demais considerados macacos inferiores. Pessoalmente nunca admirei os Gregos inclusive considero o pai da filosofia um ser Buffo que viva gritando em praças : – O que é isto? – Socrates era exatamente aquilo que os Gregos não admiravam: feio, alcoolatra, bisexual, baixinho, careca, crítico e do contra. Talves isso explique porque lhe foi dado o direito a eutanasia por cicuta.

    Att
    Chuta Ki é

    #686
  11. Solangi Paiva

    Muito gostei, mesmo.
    Beijocas

    #944

Comente!

Busca

Colunistas



BannerFans.com