Sem “heróis” para a Somália

Por em 27/07/2011


SomáliaCarente de governo, alimentos, segurança e sem perspectivas reais de mudanças, a Somália, que, no momento, enfrenta a pior seca dos últimos cinquenta anos não terá a mesma “sorte” de coleguinhas do grupo das calamidades terceiro-mundistas – inventadas ou não –, como Haiti, Iraque ou Afeganistão.

Sem recursos naturais valiosos, tais qual o petróleo iraquiano e do próprio Afeganistão, ou posição geográfica de interesse estratégico, como no caso do Haiti, muito dificilmente os EUA ou alguma outra potência se prestará a “socorrer” o país africano.

O curioso é que há razões de sobra para o Tio Sam o fazer, se considerados os critérios que norteiam as justificativas dos americanos para intervenções antes realizadas: grupos armados de base islâmica dominam o país, incluindo rebeldes ligados ao grupo Al-Shabab, afiliado à Al-Qaeda; sua população passa fome e não raro é vítima de genocídios; piratas somalianos, aproveitando-se da inexistência de uma força naval no país, atuam livremente no Golfo do Áden e Oceano Índico, oferecendo riscos a embarcações de diversas nacionalidades que ali trafegam – muitas, por sinal, transportando petróleo, matéria prima especialmente importante para os yankees.

Intervenções, contudo, custam caro e dão trabalho. Em não havendo bom potencial de recompensa no futuro, o negócio simplesmente não é viável economicamente, pois não há forma de amortizar o investimento. Talvez seja por isso que o sofrido povo que habita o ermo semiárido do Chifre africano esteja abandonado, o que é sempre mais fácil de acontecer quando se trata de negros e não de loirinhos de Kosovo e afins.

O lado positivo dessa história, sem dúvida, é, paradoxalmente, a não sujeição somali às garras imperialistas; pelo menos não de forma direta como ocorre no Iraque, Afeganistão e na versão latina da África, o Haiti (não se deve esquecer que a ONU é pau mandado dos EUA). Mas até que ponto será cabível jogar a questão para baixo do tapete, quando milhões de pessoas passam fome?

Intervenções humanitárias já existem, mas não serão suficientes, caso não haja uma sequência com a execução de projetos socioeconômicos para o país – mais um dos que sofrem até hoje as consequências do colonialismo europeu sobre o continente africano.

Texto publicado em 22/07/2011 às 15:43 na(s) seção(ões) Opinião da revista Consciencia.net.




Por João Montenegro, em 27/07/2011 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

Comente!

Busca

Colunistas



BannerFans.com