Roubo e cinismo no Rio de Janeiro

Roubo e cinismo no Rio de Janeiro___Parece mentira, mas não é. No Rio de Janeiro, seis vigas de aço especial, oriundas do desacertado e absurdo desmonte do elevado da Perimetral, pesando mais de vinte toneladas cada, sumiram de um depósito da prefeitura sem deixar vestígio, é o que dizem as cínicas autoridades cariocas. Afinal, afirmar que ninguém sabe onde foram parar seis vigas de quarenta metros de comprimento, sessenta centímetros de largura e vinte toneladas de peso é no mínimo cinismo.

Estas vigas são o resultado de uma nobre mistura de aço, nióbio e cromo, chamada tecnicamente de Corten. São vigas com um alto valor de mercado, pois podem ser reaproveitadas em outras obras, mesmo no formato em que se encontram ou podendo ainda ser derretidas e moldadas para outros fins, como a própria duplicação do elevado do Joá, também na cidade do Rio de Janeiro e que há anos ameaça desabar.

Para ser ter uma ideia da desfaçatez com o bem público, as autoridades públicas nem sabem ao certo quando tais vigas sumiram. A polícia, como sempre despreparada e cega para a realidade, de nada sabe a respeito. Ou melhor, especula apenas que as vigas sumiram entre junho e agosto, mas não sabem afirmar exatamente quando ou como. Será alguém deve ter se confundido e colocado alguma dessas vigas no bolso?

Roubo e cinismo no Rio de Janeiro__Acima, retirada de viga semelhante às que desapareceram.

Só para iluminar a mente dos excelsos policiais da Delegacia de Roubos e Furtos da Polícia Civil do Rio de Janeiro, afirmo que elas não caberiam num FIAT Uno, por exemplo. Teriam que ser transportadas por imensas carretas, após uma grande operação de içamento por guindaste, o que não se faz à surdina. Ou seja, mais uma vez acham que o povo é burro. Para se avaliar o bom negócio que foi o “sumiço” dessas vigas, segundo o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ) elas valem pelo menos R$ 14 milhões.

É impossível crermos que isto foi fruto de uma rápida oportunidade, um episódio fortuito. Sabemos que a ocasião faz o ladrão, mas para se praticar este roubo foi necessário muito planejamento e muita mão-de-obra. Por isso que é de chorar só de ouvirmos a polícia afirmar que nada sabe a respeito. Se não sabem por onde começar, sugiro que peçam a ajudar do inspetor Clouseau ou de Sherlock Holmes, que aí talvez encontre as vigas.

Pessoalmente, tenho certeza que as autoridades cariocas estão apenas querendo que tal caso caia no esquecimento, pois duvido que algo esteja sendo feito para se apurar verdadeiramente tão estranho sumiço. Como eu gostaria de estar errado quanto a isto…

*Wilson de Oliveira é mineiro de Cataguases e divide sua vida entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

3 thoughts on “Roubo e cinismo no Rio de Janeiro

  1. CADÊ AS VIGAS? Seis vigas de 40 metros de comprimento, tão grandes assim e bem pesadas! Sumiram, não! Foram roubadas em plena luz do dia, um roubo tão fácil de solucionar! O ministério público ainda não agiu? Ninguém fez queixa do roubo?
    A que ponto chegou essa administração municipal!

  2. Dr. Jorge Béja disse:

    Em artigo publicado no blog da Tribuna da Imprensa (RJ), refutei a declaração do prefeito Paes: “Eles tinham a obrigação de tirar e guardar as vigas para aprefeitura. O concessionário vai ter que pagar por isso”. E demonstrei, em face da lei e dos princípios que sustentam o Direito Administrativo, que a concessionária Porto Novo é uma das responsáveis, junto com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio – CDURP, a Prefeitura do Rio e ele próprio, Eduardo Paes. Todos os quatro responsáveis solidariamente, ou seja, juntos. E disse ao prefeito que ele deveria dizer assim: “Responsáveis somos todos nós, inclusive eu próprio”. Tão grave quanto o “furto” é o desinteresse plasmado do jornal O Globo que tratou do assunto uma só vez, em matéria com uma foto e curto texto, como se fosse assunto irrelevante e desprezível. É preciso também investigar onde foram parar as outras muitas vigas já retiradas. Dizem que foram (ou serão) utilizadas em obras da prefeitura. Mas que obras? Onde? Como?. E o restante das vigas que ainda vão ser retiradas? para onde elas vão? que farão com elas?
    JORGE BÉJA

  3. Eduardo Buys disse:

    Pena, meu caro Wilson Oliveira, que Vc não desenvolveu mais o aspecto apontado no texto da chamada de sua matéria:’…oriundas do desacertado e absurdo desmonte do elevado da Perimetral…’.
    Não dá para se conformar com a derrubada da Perimetral, que vai nos obrigar, e às gerações posteriores, a trafegar por um imenso (e inundável) mergulhão, engarrafado e fétido, tudo ao custo indefensável de R$ 1 bilhão, noves fora roubos e rombos de orçamento. Por um momento de ingenuidade, poderia se pensar que a Cidade Maia da Música, de mais de R$ 500 milhões, coisa que nem o prefeito de Viena teria coragem de sugerir em prol da música clássica, que este seria o recorde do desperdício e da malversação do dinheiro público. O Mergulhão do Paes nos traz a realidade, de como o poder pode subir a cabeça do administrador público, que imediatamente após investido deste poder, se esquece de onde veio e de quem o colocou lá. No final, temos que reconhecer que democracia só não basta, se a sociedade não participar de seu destino, impondo suas demandas e vigilando diuturnamente os políticos. Nada menos do que isto.
    Há meses venho escrevendo sobre isto, inclusive num texto ao próprio Paes Mergulhão, tudo numa inquietação cidadã, por inconformismo com tanto desperdício, numa terra tão carente como a nossa. Se quiser ver mais => MERGULHÃO DE R$ 1 BI, COM DERRUBADA DA PERIMETRAL => http://varejototal.zip.net/arch2013-07-14_2013-07-20.html#2013_07-16_19_58_58-6129700-0

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