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Que Brasil queremos?

Em sua passagem por BH, participando, ontem, do evento Conexão Empresarial, da revista “Viver Brasil”, o senador paranaense Alvaro Dias afirmou que “o impeachment da presidente Dilma Rousseff fora encaminhado de maneira incompleta”, sugerindo que naquele momento se teria conseguido afastar Dilma e Temer para convocação de eleições e, assim, fazer que o país se reinserisse num quadro de normalidade democrática e segurança jurídica e econômica.

“Venceu, na solução dada, o medo de que a nação se desorganizasse ainda mais do que nos aconteceu, porque, mesmo com tanto tempo e discussões, não nos preparamos para uma travessia desassombrada. Venceram o ‘Fora, Dilma’, o batido politicamente desafinado de panelas, as mobilizações nas praças e na avenida Paulista, a pressão da grande imprensa, da Fiesp, do mercado financeiro”. “Flutuat nec mergitur”, repetiu o senador, numa menção à frase símbolo de Paris, que significa: “As ondas batem, mas o navio não se afunda”.

Concordando ou não com outras posições do senador Alvaro Dias, sua avaliação daquela quadra da realidade brasileira parece correta. A campanha que não se encerrou e que se transformou no cenário encabeçado pela chapa derrotada do candidato à Presidência da República Aécio Neves e a parceria associada a tal projeto do deputado Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, possibilitaram o surgimento de um arranjo de vindita, ainda piorado pela decisão do plenário do Senado, com a cumplicidade de Lewandowski, Renan e sua turma.

Uma nação sem etnias diferentes, sem lutas religiosas e que não é tampouco, dividida em crenças, com uma realidade partidária alicerçada unicamente nas deformações do populismo, na troca de vantagens, de cargos, de ministérios, privilégios que o povo repele, depende unicamente da seriedade de seus gestores públicos, do banimento definitivo da corrupção, de poderes autônomos, mas forjados na consciência e na grandeza de suas responsabilidades para com a sociedade.

Depende de projetos que respeitem as prioridades sociais, como educação, saúde e justiça social, para que seu povo adquira condições de decidir seus caminhos sem ter como único critério o de eleger jogadores de futebol, cantores, apresentadores de televisão, padres, bispos, pastores de igrejas evangélicas e locutores de rádio. Sem, obviamente, qualquer preconceito em relação a tais ocupações ou profissões, uma nova Constituinte e a legislação que dela decorresse deveriam dissolver os atuais partidos, limitar com parâmetros sérios a criação de novos, devolver aos Poderes do Estado – Executivo, Legislativo e Judiciário – os instrumentos próprios de suas responsabilidades históricas e de sua independência, sem o que nenhum Brasil se reconstruirá.

Sem poderes fortes, dignos e decentes, sem leis que a todos submeta, sem a transparência da ação pública, nada há para esperarmos. Ou será que desejamos a perpetuação do que hoje assistimos?

Seguramente, não. Somos melhores; merecemos mais.

Fonte: Jornal O TEMPO

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  1. Alfredo Santos disse:

    Você,eu,nos,vós,não sabemos votar,nem os nossos direitos constitucionais sabemos exigir,estamos tendo o que merecemos, mas os políticos sabem os seus direitos constitucionais entre outras leis que beneficiam e eles fazem cumprir.

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