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Quando o lamentável e o hediondo travestem a impunidade como “justiça”

A questão ultrapassa (e muito) o caso de Manaus.

Não pretendo, nem há como abordar um assunto tão complexo como a segurança pública em uma postagem.

Seria pretensão de mais de minha parte.

Ainda mais, quando tal questão perpassa, ora pela inépcia, ora pela omissão, ora pela conivência de sedizentes “autoridades públicas constituídas” que não têm, pelos mais diversos motivos, hombridade, firmeza e constância de propósito, para tratar do tema e, realmente, querer tratar do tema, como dever ser tratado.

Vejo como hediondo o uso dos termos acidente ou fatalidade, para nominar o que ocorreu e ocorre com as vidas dos policiais que perdem, diariamente, suas vidas para manter a segurança e a ordem pública. Chamar isso de acidente ou fatalidade não é uma licença poética, é um escárnio. Mais, é um desrespeito, uma desumanidade e um crime, porque revela a falta de retidão moral e a notória falta de caráter de parte de quem assim concebe tais fatos como acidente ou fatalidade.

É hediondo ver e sentir que somos um país que a politicagem legitima criminosos, como agentes públicos, através do voto (vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidentes) pelo que chamamos de mandato.

Porque também é hediondo ver e sentir que somos um país que unge criminosos, através de nomeações (secretários municipais, secretários estaduais, diretores de entidades ou ministros de Estado).

Estes sim, é que contribuem (e muito) para a DESORDEM, ou por serem ineptos, ou negligentes, ou imprudentes, ou imperitos.

É hediondo ao meu ver relegar ao esquecimento ou à indiferença a vida dos bravos heróis que são chamados a manter ou restabelecer a ORDEM e a SEGURANÇA, exatamente quando estas desaparecem, evidentemente, como consequência daqueles que foram suas respectivas causas.

Será que o Estado dará a pronta resposta as famílias desses Policiais que ficaram completamente desagregadas, sem seus respectivos pais/mães de família?

Ou essa “pronta resposta” só é devida às famílias dos criminosos que morreram, para as quais de pronto se prometeu e segue se prometendo as indenizações, como também, imediatamente, para estas o Estado presta as respectivas condolências?

Não faltará político e agente público canalha nos velórios e enterros, para fazer discursos hipócritas, pensando que isso, juntamente com a entrega de uma bandeira do Estado ou do País, trará consolo ou algum reparo às famílias desses heróis.

Não! Vozes para fazer discursos hipócritas, isso não faltará, como nunca faltou e nunca falta, quando heróis partem para o Oriente Eterno.

A entrega de uma bandeira a uma família em luto, só é digna de ser considerada como um ato honrado, quando entregue pelas mãos de quem sempre foi honrado, porque aí, exatamente aí a honra em lágrimas de quem entrega, se põe a olhar nos olhos da honra em lágrimas de quem recebe dizendo, verdadeiramente:

– Sinto muito, meus sentimentos diante da irreparável perda.

E quiçá este dizer venha seguido de um verdadeiro abraço, de quem realmente sente a perda, assim como sente quem perdeu.

Estes políticos e agentes públicos a que me referi acima não têm honra nenhuma.

Uma bandeira, quando entregue por mão sujas, não ameniza a dor de quem foi colocado, abruptamente, em estado de luto. É mera peça de tecido que, quando entregue por mãos sujas, será colocada em prateleira de armário, pela família de quem sempre soube o valor que esta bandeira realmente tem.

Lamentável e hediondo, ao meu ver, é não querer tratar como acidente a morte da maioria destes presos, destaco, cri-mi-no-sos, que morreram em Manaus.

Uma pena que tenha “passado para outra vida”, apenas uma facção das que entraram em conflito.

Uma grande pena!

Deveriam ter “passado” as duas facções, isso sim!

Esses criminosos, destaco, são irrecuperáveis!

Não são vítimas, nem injustiçados, são carrascos e verdadeiros algozes!

A maioria, no caso de Manaus, cada um, com mais de oito mortes nas costas e vários com mais de dez estupros, cada qual.

Nesta existência esses criminosos não têm e não terão conserto.

E ainda há quem defenda uma segunda chance para esta cambada?

Acaso eles concederam uma única chance às vítimas de seus crimes?

– Aos Policiais que mataram?

– Aos filhos destes Policiais ou dos cidadãos de bem que até hoje choram a morte dos pais e mães, vítimas de assaltos, de roubo, de latrocínio, de assassinato ou de homicídio, ou como queiram o termo a ser escolhido?

– As mulheres que estupraram?

– As famílias que dizimaram ou com a morte ou com a venda de drogas?

– O que eles fazem para ressarcir este custo impagável, em especial, às suas vítimas, bem como as famílias que têm de custear anos de internações, para tentar, quiçá, um dia, com as graças divina, acabar tendo alguns momentos de conviver, com aqueles que seguiram pelo caminho das drogas, pelas mais variadas razões?

Você não concorda com o texto, OK, é legítimo divergir.

Então vamos imaginar que você está agora no viva-voz diante de famílias que foram vítimas desses criminosos e dos crimes acima relatados que eles tenham praticaram.

O viva-voz está ligado…

Eles apenas querem ouvir as suas explicações e compreender melhor a sua divergência.

Explique!

Vamos, explique!

Vamos… coragem… explique!

Eu sabia…

Nós sabíamos…

Estas explicações são deveras inconsistentes, antes mesmo de serem proferidas, porque buscam guarida na deturpação dos Direitos Humanos, através de sofismas ou falácias, ora porque colocam Direitos Humanos dos criminosos como premissa principal totalmente falsa, ora porque sequer cogitam os Direitos Humanos das vítimas e dos que foram vitimizados pelos criminosos, para se estabelecer um “resultado válido”.

E com isso se tem, óbvio, algo totalmente ilógico, bem como aporia.

Direitos Humanos os têm quem é humano, não quem opta pela barbárie, a ponto de amar eventual existência do estado da anomia, para fazer resplandecer aos olhos de todos seu atavismo.

Não queiram me dizer que a resposta as perguntas acima são encontradas, todas, através da de uma panaceia que conduz todas ao “cumpriram da pena que lhes foi fixada pelo Estado”, porque isso ensejaria uma gaiatice, na medida em que se sabe que tais “penas” encontrarão seus “descontos” na remição de dias trabalhados, ou no “bom comportamento”, para permitir que fossem reduzidas, logo nos próximos dias, a reincidência e ao que criminosos mais sabem: delinquir.

Apenas poucos chamam isso de justiça, mas tenho certeza que muitos, senão quase a totalidade, chama isso com letras garrafais de IMPUNIDADE.

Não, francamente, o que descrevi, jamais será causa de algum ressarcimento para as vítimas e as suas famílias, porque não existem próteses para almas amputadas.

Ao meu ver, é fundamental para a sociedade, e já passa da hora, antecipar as existências desses criminosos, para que possam remir seus pecados, em outro mundo, o mais rápido possível.

Do contrário farão novas vítimas.

É ciclo vicioso que não tem fim e nele só não crê quem é Cândido ou acredita em lições Panglossianas.

A mesma medida vale para agentes públicos (vereadores, prefeitos, deputados, secretários municipais, secretários de Estado, diretores de entidades, governadores, senadores, juízes, desembargadores, ministros do Poder Executivo, ministros do Poder Judiciário e Presidentes da República), advogados e políticos sujos (corruptos e ou ímprobos), saliento, para evitar deturpações, que não estabelecem a diferença entre o lícito do ilícito, e com este último se imiscuem, se entretêm e optam, como trampolim de quinta categoria, para o que concebem como prosperidade financeira, tornando-se, com isso, empresários do crime.

Tratam-se, é bem verdade, de falidos morais e intelectuais, que podem até ter algum dia se instruído, mas nunca se moralizam ou hão de se moralizar, porque matam, por vias oblíquas e escusas, milhões inocentes, ora com a improbidade, ora com a corrupção (ainda mais quando recebem propinas) e que fazem vítimas outros bilhões, estes sim, inocentes, que deixam de receber o que o Estado deveria proporcionar gratuita e minimamente: educação, merenda escolar, saúde e segurança pública em nível de excelência.

*Pedro Lagomarcino é advogado (OAB/RS 63.784), especialista em Direito da Propriedade Intelectual – FADERGS, em Gestão Estratégica de Inovação Tecnológica e Propriedade Intelectual – AVM/Cândido Mendes, e em Gestão Estratégica, Inovação e Conhecimento – ESAB e mora no Rio Grande do Sul.

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