Primeira Grande Cruzada – Segunda Parte

Por em 03/09/2009


Segunda Cruzada
Acima, Cavaleiros Templários no deserto.

A cruz vermelha pintada nas armaduras dos cavaleiros e a cruz bordada ou pintada nas roupas dos outros membros e nos estandartes foi escolhida como símbolo desses defensores da fé e do cristia­nismo, sendo esta a razão de serem chamados Cruzados, pois, ao partir a Cruzada, ele “tomava a cruz”.

A Primeira Grande Cruzada também foi chamada de Cruzada dos Grandes Senhores ou Cruzada Senhorial.

No ano de 1097, ao término da Cruzada do Povo, iniciou-se a Primeira Grande Cruzada que iria até 1099. Esta Cruzada teve êxito em seu principal objetivo: conquistar a Ásia Menor para o Império Bizantino, libertada do domínio muçulmano a Terra Santa. Esta Cruzada reuniu importantes senhores feudais do Ocidente. Participaram nobres da França e da Península Itálica, como Godofredo de Bouillon, Duque de Lorena, Conde Raimundo de Tolosa, os duques da Normandia e de Flandes, o parente do Rei de França, os filhos do Rei normando das Duas Sicílias e o Bispo Ademar de Monteuil, representante do Papa.

Vindos de vários caminhos, em 1097, os Cruzados chegaram em Constantinopla. Primeiro chegou o exército do parente do Rei da França, Hugo de Maisné, Conde de Vermandois. Depois chegou o exército de Godofredo de Bouillon, Duque de Lorena, e seus dois irmãos, Balduíno e Eustáquio de Bolonha. Em seguida, do sul da Itália, veio o exército de Boemondo de Tarento e seu sobrinho Tancredo, o exército de Roberto, Conde de Flandes, seguido por Raimundo, Conde de Toulouse, que veio acompanhado pelo bispo Ademar de Monteil, designado pelo próprio Papa como chefe espiritual dessa Cruzada. Por fim, chegaram os duques da Normandia, Roberto de Courteheuse e Eustáquio de Blois. De Constantinopla seguiram para a cidade de Nicéia, que, após ser sitiada por quase oito semanas, finalmente foi conquistada pelos Cruzados. Os exércitos partiram separados para Antioquia, onde reuniram­se os remanescentes dos seguidores de Pedro, o Eremita, inclusive o próprio, com todos os exércitos dos Barões.

O caminho através da Síria foi penoso e repleto de árduos combates com os exércitos turcos. Antioquia, na Síria, era o caminho obrigatório para a Terra Santa. Todos sabiam que em Antioquia São Pedro fundara o seu primeiro bispado. A sua conquista foi demorada e muito difícil, sendo que após o sítio de seis meses, foi finalmente conquistada em junho de 1098. Dois dias depois, foi sitiada pelas forças de um potente exército turco chefiado pelo general Kerboga. O exército turco estava bem armado, mais preparado e com estoque de provisões, além de ser mais numeroso. Após ficarem sitiados por um longo período, os Cruzados saíram a campo e travaram uma sangrenta batalha contra os turcos, emulados pelo bispo Ademar que portava a Santa Lança.

Os Cruzados venceram os soldados do general turco Kerboga, cujas tropas bateram em retirada. Conseguindo romper o cerco, e após cinco meses de restauração e reorganização de suas forças, os Cruzados iniciaram sua marcha rumo a Jerusalém.

Entre Antioquia e Jerusalém muitas batalhas foram travadas e muitas privações foram sentidas, principalmente a fome; porém, em pouco mais de um ano, exatamente em 07 de junho de 1099, finalmente chegaram à cidade de Jerusalém, iniciando o seu cerco. Das tropas iniciais, só um terço chegou, porém todos tornaram­se combatentes eficientes e preparados para a guerra, enfim, verdadeiros Cruzados. Tinham diante de si a Terra Santa, onde havia morrido Jesus Cristo, onde tudo falava do evangelho, onde nada poderia detê-los. Tinham de libertá-la.

Após cinco semanas de cerco, na sexta-feira, 15 de julho, as muralhas foram tomadas.Em uma sangrenta batalha, os Cruzados massacraram seus habitantes, mataram em torno de setenta mil muçulmanos. Os judeus também foram sacrificados.A cidade foi saqueada, nem a Cúpula do Rochedo escapou de ser pilhada.

Depois do embate sangrento, os Cruzados foram ao Santo Sepulcro, onde de joelhos oraram agradecidos a Deus, pela vitória, pois haviam libertado Jerusalém. Com a libertação de Jerusalém, a maioria dos nobres e dos membros componentes da Cruzada voltou ao seu país de origem. Os nobres que permaneceram formaram quatro Estados cristãos nas terras conquistadas. Foram eles: Edessa, Antioquia, Trípoli e Jerusalém. Esses Estados foram chamados de Latinos, em justaposição aos dos cristãos orientais, de Bizâncio.

Muitos dos Cruzados aprenderam a gostar da Terra Santa. Todavia, para poderem nela permanecer, necessitavam de muitos outros ocidentais, pois era imperioso defender a fé cristã, os cristãos e o solo de seu novo país. Contudo, para que outros ocidentais viessem, era fundamental que as estradas fossem seguras, que os peregrinos tivessem proteção.

Para atender os doentes desde 1048, existia em Jerusalém o Hospital, lugar onde os peregrinos doentes e sem recursos podiam encontrar ajuda. No entanto, nas estradas não havia nenhuma proteção ou auxílio aos peregrinos.

Em 1.118, Hugo de Payens e outros sete Cavaleiros fundaram uma Ordem que passou a ter a função de policiar esse novo império cristão. Os membros do Hospital, no início, eram monges, contudo, estes oito Cavaleiros decidiram que, apesar de se dedicarem a Deus, continuariam a ser combatentes ao fundarem essa nova Ordem. Conta-se que talvez nove fossem Cavaleiros, porém, o nono nome nunca pôde ser encontrado.

O novo Rei de Jerusalém, Balduíno II, primo de Balduíno I determinou que eles fossem acomodados em um edifício em local perto da Cúpula do Rochedo, onde pensavam ter sido o Templo de Salomão. Tinham feito o triplo voto de pobreza, castidade e obediência. Escolheram que usariam um nome: “Pobres Soldados de Jesus Cristo”, ou “Milícia de Jesus Cristo”. Com o tempo, tomaram- se os “Cavaleiros do Templo de Salomão” e depois simplesmente “Cavaleiros Templários”. Assim nasceu a “Ordem dos Templários”. Tinham como lema: Non nobis Domine non nobis sed Nomini Tuo ad Gloriam (Não para nós, Senhor, não para nós, mas para a glória de Teu Nome).

Eles viviam como monges e lutavam como cavaleiros. Dedicavam-se a proteger e auxiliar os peregrinos cristãos, os doentes e os pobres. Outras ordens religiosas militares da época foram a dos “Hospitalários” ou “Cavaleiros do Hospital de São João de Jerusalém”, “Cavaleiros Teutônicos” ou “Cavaleiros do Hospital de Santa Maria dos Teutões”, “Cavaleiros da Ordem do Santo Sepulcro” e “Cavaleiros da Ordem de São Lázaro de Jerusalém”.




Por David Caparelli, em 03/09/2009 - 00:10. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “Primeira Grande Cruzada – Segunda Parte”

  1. João Edilberto Lovato

    Estou fazendo estas leituras sobre Cruzadas para ter um aprofundamento desta parte da história. Sempre me chamou a atenção cada história das Cruzadas. Att. Edilberto

    #567

Comente!

Busca

Colunistas



BannerFans.com