Primeira Cruzada – Primeira Parte

Acima, Cavaleiros Templários na Primeira Cruzada.
O imperador bizantino Aleixo Comneno solicitou ao Papa Urbano II apoio para a proteção dos cristãos do Oriente. Sua requisição foi atendida. Em 18 de novembro de 1095 inicia-se o Concílio de Clermont.
Ao término do Concílio, o próprio Papa Urbano II fez a conclamação dos cristãos para a Cruzada. Quando terminou sua prédica, vociferou: “Tome sua Cruz e vamos libertar o Santo Sepulcro!”. O povo gritou uníssono com delírio: – Deus o quer! Deus o quer!
O entusiasmo foi tal que o próprio Papa Urbano II, de imediato, falou ao público presente que só deveriam ir os homens que estivessem fisicamente aptos. Solicitou ainda que as crianças, os fracos e doentes, assim como os velhos, deveriam refrear-se. Às mulheres determinou que deveriam ir acompanhadas de seus maridos ou parentes, e, finalmente, os padres só poderiam ir com ordens de seus superiores. Foram tantos os que atenderam ao seu apelo que não foi possível contê-los.
Estava evidente que havia a necessidade de uma preparação cuidadosa e de uma organização bem planejada. Entretanto, para os pobres, para os ignorantes e para os semterras, aguardar era quase impossível. Só lhes faltava um chefe. Foi quando Pedro, o Eremita, cruzou a Europa montado em um burro, pregando a Cruzada e incitando em todos à ação imediata.
Pedro era de estatura baixa, de feições feias, de cabelos e barba prateados, trajando-se com o manto de monge e de pés descalços. Foi seguido por milhares de pessoas em uma aventura de penosa conseqüência rumo ao Oriente.
Homens, mulheres e crianças, enfim, pessoas de todas as idades não hesitaram em acompanhar a marcha daquele monge que os inflamava com suas palavras repletas de fé.
Inicialmente os peregrinos iam até a Terra Santa a pé ou a cavalo, porque nessa época as embarcações eram pequenas e de construções elementares, portanto nada adequadas para o transporte dos suprimentos, das armas, dos animais e dos próprios peregrinos. Essa foi uma expedição confusa e desordenada, todavia, ao chegar ao Rio Danúbio, totalizavam cerca de trinta e cinco mil pessoas.
Nessa época, na Alemanha, desencadeou-se uma idéia nefasta contrariando a orientação papal e da Igreja: combater não só os infiéis muçulmanos na Terra Santa, mas também os judeus, que, segundo a visão cristã da época, não respeitavam Cristo. As calúnias foram tantas que os ignorantes e os fanáticos massacraram os judeus da cidade de Mogúncia com enorme crueldade.
Esses fatos se repetiram em outras cidades, como em Colónia, Spire, Worms, Neuss e outras. O massacre desses judeus foram os primeiros sacrifícios da Cruzada.
Eles não sabiam onde era Jerusalém, tampouco sabiam que era longe. A certeza que tinham era a de que deveriam chegar lá. Seguiam sem um plano ordenado, sem abastecimento e sem a mínima organização militar. Essa turba desorganizada e despreparada, durante sua caminhada, foi saqueando as cidades, os campos e até igrejas. Em Belgrado mataram cerca de 3.800 a 4.000 húngaros, no interior do império.
Conseqüentemente, em Nish, na antiga Iugoslávia, travou-se uma batalha em que um quarto dos seguidores de Pedro, o Eremita, foram mortos.
Em Sofia, eles foram recebidos pelos representantes do Imperador Bizantino e foram perdoados, alimentados, medicados e vestidos. Daí seguiram para Constantinopla.
Em 1096 chegaram em Constantinopla, em pequeno número e com a moral geral e religiosa muito reduzidas. O Imperador tentou demovê-los de seguir avante, porém, com os saques que os mesmos realizaram à cidade, resolveu fornecer transporte para a Ásia Menor, e aí foram destruídos pelos turcos seldjúcidas.
Esta Cruzada recebeu a denominação de A Cruzada Popular. Seu malogro foi total, porém, esta Cruzada do Povo veio representar em seu bojo a fé cristã que desencadeou a luta da Europa cristã contra a religião muçulmana.
A Cruzada Popular, desde seu início até seu trágico fim, teve duração de aproximadamente seis meses.
Por David Caparelli, em 30/08/2009 - 00:10. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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Muito bom condiz com a verdade de fé dos antigos cristão
Fé, não. Fanatismo religioso, sim. Porque o texto deixa claro a falta de opção dos sem terra e sem esperança, portanto suscetíveis a qualquer manobra, no caso, messiânica.
Fé e garra……o estado católico está voltando.