Perguntas aos candidatos

Por em 13/05/2010


PerguntasOs brasileiros responsáveis, os que se constituem nas chamadas forças vivas da nacionalidade, formadores de opinião, precisam apresentar aos candidatos a sucessão do Presidente Lula um questionário, que poderia ser elaborado por um conjunto de entidades privadas ligadas às classes empresariais e profissionais liberais.

A dubiedade do Governo Lula chegou a seus limites. Deu certo até aqui dentro de sua política de conciliação e busca de um mínimo de harmonia na sociedade, para que a economia não sofresse e as crises políticas – e morais – fossem administradas sem o conteúdo emocional de algumas de nossa historia republicana.

A questão do comportamento da União, que tem o dever constitucional de defender os direitos do cidadão precisa ser explicitado. Exemplo maior é a impunidade do MST, que promove a desordem, a violência e intranqüilidade no campo – que responde por um terço de nossa economia – está chegando a ponto de atingir a própria imagem do país no exterior. O confisco de terras, de forma indiscriminada, para a constituição de “reserva florestal” sem indenização e valendo para o latifúndio como para o minifúndio, é outro ponto urgente. E esta questão de quilombolas que inquieta o país como um todo, fruto de uma legislação aprovada certamente num cochilo dos parlamentares com bom senso e equilíbrio.

Questão de honra para os brasileiros conquista que não pode ser derrubada, é a lei de responsabilidade fiscal, assim como se impõe uma política justa e democrática para precatórios, sob ameaça de fórmulas demagógicas e que de fato elimina os direitos dos grandes credores. Uma política fiscal que aumente a base e diminua a carga de impostos, clara e definida seria de se desejar, quando disputamos investimentos com países que desoneram a produção, simplificam a tributação e dificultam surpresas por parte de agentes do fisco despreparados para a função que exercem.

Seria conveniente ainda que os candidatos coloquem se ponto de vista para a distorção bem ao estilo terceiro mundo de fundos de pensão controlados por estatais participarem da gestão e do controle acionário das empresas de direito privado, quando deveriam ser investidores com assento nos conselhos fiscais e não na gestão empresarial como ocorre atualmente.

E, por fim, a política externa, que se constitui hoje em perigo de colocarmos por terra uma das mais ricas tradições da diplomacia internacional, onde nosso país sempre figurou em destaque, com quadros de qualidade e reconhecimento internacional. Não podemos dar continuidade a posições como em relação ao Irã, que conta com as simpatias de meia dizia de países desacreditados, causando mal estar e constrangimento a diplomatas e empresários. Na América Latina ao invés de formarmos com países que avançaram política e culturalmente como Chile e Colômbia, estamos atrelados a velha demagogia dos “caudilhos” e, por vezes, em detrimento do interesse nacional. Podemos colocar a perder inclusive o esforço pelo desenvolvimento com justiça social se aprofundarmos nossas ligações com países isolados da comunidade mais culta nos organismos internacionais.

São temas, como a questão da anistia de 79, se será respeitada, violada apenas para um lado, quando, no mínimo se poderia reabrir a questão se fosse para punir também quem matou, assaltou, seqüestrou, “justiçou”, delatou e desertou.

O Brasil exige definições claras e até o mundo quer saber para onde vai este novo ator da política internacional, sem a habilidade e o carisma do Presidente Lula.

*Aristóteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.




Por Aristóteles Drummond, em 13/05/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

Comente!

Busca

Colunistas



BannerFans.com