Os caminhos para a ascensão do Fascismo e do Nazismo

Por em 11/07/2010


Nazismo

Foi uma grande surpresa para o mundo ocidental, vindo do século XIX, quando o Liberalismo triunfou, a queda desse mesmo Liberalismo logo no início do século XX, principalmente após a Primeira Guerra Mundial.

Logo nos primeiros anos do século XX os valores e instituições que norteavam a civilização liberal entraram em colapso. Entendia-se pelo Liberalismo que países e governos deveriam seguir constituições e possuírem parlamento, sendo o autoritarismo e a ditadura vistos com desconfiança face à mentalidade da época. A democracia era vista como o caminho ideal dentro da ótica liberal. Com exceção da Rússia, todos os regimes que emergiram da Primeira Guerra Mundial, novos ou velhos, eram basicamente regimes parlamentares representativos eleitos. Poucos foram os Estados que não tiveram eleições no período compreendido entre 1919 e 1947.

Mesmo num mundo onde a democracia parecia ser a solução definitiva, regimes fascistas começaram a aparecer e assembléias legislativas começaram a serem dissolvidas. Este fato foi, em grande parte, propiciado pelas crescentes crises econômicas e suas difíceis soluções, que não estavam sendo alcançadas pelos regimes democráticos e liberais de então. Um dos fatores que mais influenciou a queda do Liberalismo e a ascensão do fascismo foi a Grande Depressão, acarretando a queda quase que imediata de vários governos existentes, principalmente por intermédio de golpes militares.

Nesta ocasião, em vários países da Europa, da Ásia e das Américas, por exemplo, regimes autoritários de expressão fascista alcançaram o poder. Uma das características mais comuns aos novos governos não liberais era o receio quanto ao comunismo, inclusive com a proibição da existência de partidos comunistas em seus respectivos países. Havia ainda o receio de revoluções sociais e da quebra da antiga ordem. Almejava-se o restabelecimento da saúde econômica, sem alterações da estrutura social dos países. No entanto, em alguns países, como a Espanha, estouraram guerras civis e violentas revoluções, onde governos fascistas emergiram, seguindo uma linha ditatorial de atuação, e restringindo ao máximo as instituições democráticas em seus países.

O primeiro movimento verdadeiramente fascista foi o italiano, seguido de outros movimentos dessa natureza, como o próprio movimento nacional-socialista (Nazismo) alemão. Uma das bases do fascismo era o retorno às instituições do passado tradicional, defendo um verdadeiro retrocesso aos novos costumes da época, como o das mulheres trabalharem fora e ainda faziam uma grande objeção às idéias comunistas.

Hitler e MussoliniAcima, foto de Adolf Hitler, da Alemanha, e de Benito Mussolini, da Itália,, líderes Nazista e fascista, respectivamente.

Os regimes fascista e nazista tinham como característica o massivo uso de propaganda e aglutinação popular, principalmente junto às classes trabalhadoras. Já o nazismo, diferenciando-se do fascismo tinha um caráter desenvolvimentista e científico muito apurado, e ainda defendia a idéia de superioridade e inferioridade raciais de forma contundente, que inclusive serviu para justificar a perseguição aos judeus e outras etnias. Quanto aos judeus, a situação deles no mundo ocidental era, de fato, difusa. Havia, de fato, segregação em toda a Europa aos judeus.

Os regimes fascistas e nazista possuíam um grande poder popular e a admiração das classes trabalhadoras urbanas, pois criaram leis e se posicionavam, mesmo que de forma fictícia, ao lado dessas classes. Promoviam grandes eventos onde a auto-estima dessas classes era inflada, aumentando cada vez o sentimento de nacionalismo. O nazismo, de fato, realizou um importante programa social para as massas populares, estabelecendo férias, esportes, o planejado “carro do povo”, ou seja, conquistas inéditas que para o povo legitimava o nazismo no poder.

Certamente, a ascensão da direita radical ao poder após a Primeira Guerra Mundial foi uma resposta ao perigo, que até era real, da revolução social e do poder operário em geral, principalmente pelo ocorrido na Rússia, em 1917.

Outra marcante característica dos regimes fascistas e nazista na Europa, foi o crescente militarismo. As esquerdas condenavam este militarismo, lembrando da imensa matança ocorrida na Primeira Guerra Mundial.

Nazismo1Acima, desfile de militares empunhando a bandeira Nazista.

Uma das vitórias do nacional-socialismo foi o expurgo radical, a destruição, das velhas elites e estruturas institucionais imperiais. Essa destruição trouxe a possibilidade de implantação de novas idéias e concepções sociais e estruturais à Alemanha, trazendo, aos olhos de seu povo, grandes melhorias e uma sensação de segurança e prosperidade junto à economia.

O fascismo proporcionou algumas grandes vantagens para o capital, eliminando ou derrotando a revolução social esquerdista e, parecendo ser o grande baluarte contra estas revoluções, promovendo uma sensação de segurança aos capitalistas da época.

Na América Latina, o fascismo exerceu grande influência, apesar dos temores norte-americanos, sempre valorizando as instituições democráticas, mas que também temiam perder sua hegemonia junto aos países latino-americanos para a Alemanha. Afinal, visto de longe, os regimes fascistas pareciam coroados de sucesso, o que despertava o interesse em se copiar este modelo de regime.

É importante frisar que nem todos os nacionalismos simpatizavam com o fascismo, sendo que em vários países a mobilização contrária ao fascismo acabou por produzir um patriotismo da esquerda, principalmente no período da Segunda Guerra Mundial.

A democracia liberal tinha contra si, num momento de profunda crise, como a ocorrida na Grande Depressão, o fato de suas discussões por soluções serem mais demoradas, dependendo da aprovação de parlamentos, o que nem sempre era eficaz. Assim, com o autoritarismo dos regimes fascistas, as decisões eram mais rápidas, e seus resultados logo se faziam presentes. Dessa forma, entende-se porque os regimes democráticos liberais foram caindo um a um.

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Por Alessandro Lyra Braga, em 11/07/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “Os caminhos para a ascensão do Fascismo e do Nazismo”

  1. Alfredo Marques

    Muito oportuna sua reflexão sobre a derrota do liberalismo frente ao autoritarismo de direita no despontar do século passado. Há, de fato, muitos elementos que evocam o pano de fundo daquela época tão bem recriada em suas palavras: crise econômica profunda de alcance global; representatividade popular viciada em procedimentos democráticos em vigor (protestos de rua quanto a novas leis de aposentadoria e contra o desemprego afligindo a tantos); uso das inovações tecnológicas como elemento de sedução das grandes massas para suportar sua exclusão dos procedimentos decisórios, etc.
    É muito bom que as pessoas se dêm conta dessas semelhanças históricas para diagnosticar e se colocar diante das forças que atuam na atualidade.
    Parabéns pelo texto. Alfredo Marques

    #942

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