Origens e consequências da Grande Depressão
Acima, manchete do jornal inglês London Herald anunciando a quebra da Bolsa de Valores de Nova York.
O grave colapso econômico ocorrido no período posterior à Primeira Guerra Mundial, como muitos acreditam, não teria tido esta guerra como sua grande causadora, mesmo estando uma boa parte da Europa “destruída”. Afinal, o epicentro deste “terremoto econômico global” foram os Estados Unidos.
A evolução do Capitalismo é composta de vários ciclos, oscilações, de variadas durações e proporções. Desde a Revolução Industrial, o mundo passava por um aceleradíssimo progresso tecnológico, de um contínuo, mas irregular crescimento econômico e também de uma cada vez mais crescente “globalização”, havendo uma divisão cada vez mais elaborada e complexa de trabalho, numa rede cada vez maior de fluxos e intercâmbios interligando todas as partes do planeta, numa forma nunca antes vista. Contudo, no período posterior à Primeira Guerra Mundial, este processo de globalização começou a dar sinais de que parara de crescer tão vertiginosamente, chegando a estagnar e até regredir.
Os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial também presenciaram grande imigração, principalmente de europeus, para diversos países, preferencialmente os Estados Unidos, sendo que após o conflito este fenômeno também estagnou. Até mesmo o fluxo internacional de capital pareceu secar, pois os empréstimos internacionais chegaram a cair mais de 90% entre 1927 e 1933.
Perguntam-se os historiadores e economistas o motivo dessa estagnação. Para responder esta pergunta, surgiram várias teorias. O fato é que cada país, após a grande guerra, passou a procurar proteger ao máximo suas economias das ameaças e vulnerabilidades externas. No entanto, discutia-se o que fazer para colocar as economias em ordem. Grandes ondas inflacionárias assolavam algumas economias, fazendo com que seus países procurassem soluções macroeconômicas viáveis e eficazes. Em vários países, a grande onda inflacionária só se encerrou entre 1922 e 1923, quando os governos de alguns países decidiram parar de emitir papel-moeda em quantidades ilimitadas, o que alimentava o processo inflacionário, chegando alguns países a mudarem suas próprias moedas.
Em 1924, muitas das principais economias mundiais já se encontravam acalmadas e esperava-se que tudo voltasse ao normal, voltando a haver nova onde de crescimento. Assim, uma nova onda de crescimento ocorreu, com o crescimento também do fluxo internacional de capitais, sendo que algumas economias, como a da Alemanha, tornaram-se dependentes desse grande fluxo de capitais para impulsionar sua economia.
Em 1929, mesmo com algumas preocupadas previsões elaboradas pela Internacional Socialista de que outra crise econômica estava por ocorrer, o mundo foi assolado por nova depressão, que desta vez foi ainda mais profunda e global. Esta nova crise começou exatamente em 29 de outubro de 1929, com a quebra da Bolsa de Valores de Nova York. Nesta crise, as economias norte-americanas e alemãs tiveram quedas imensas em sua dimensão, seguidas pelas economias de quase todos os países do mundo, principalmente os Europeus, seguidos do Japão e dos países americanos. Mesmo os países coloniais agrícolas sofreram com a depressão de 1929. Nesta depressão, problemas de ordem econômica, industrial e social, como a previdência dos países, sofreram enormemente. Índices de desemprego nunca antes vistos na história da Humanidade foram contabilizados.
Acima, movimentação de investidores em frente à Bolsa de Valores de Nova York por ocasião de sua “quebra” em outubro de 1929.
Uma das mais imediatas conseqüências políticas da Grande Depressão foi a destruição da crença no liberalismo econômico e inauguração de uma fase de intervenção do Estado na economia. Também foi abandonado, por alguns países, o padrão-ouro, que sempre servia de parâmetros para as trocas comerciais e lastreava as moedas nacionais. Países tiveram que conceder subsídios aos produtos agrícolas e outras práticas tarifárias para protegerem suas economias e os empregos de seus cidadãos. Além disso, ocorreram movimentos políticos intensos nos países e regimes de extrema direita acabaram por surgir, na esperança de resolverem os problemas vividos pelas suas populações. Apenas um país parecia ter ficado imune à grande depressão, a União Soviética, pois o país continuava um importante ciclo de crescimento econômico iniciado após a Revolução de 1917, conforme planejamentos governamentais.
A economia dos Estados Unidos sofreu muitíssimo com a grande depressão, com milhares de bancos, industrias e empresas falindo, o que gerou uma enorme quantidade de desempregados. Para superar esta crise, várias medidas governamentais foram implantadas, sendo que as medidas que obtiveram maiores resultados foram as aplicadas por intermédio do plano governamental elaborado pela equipe do presidente Franklin Delano Roosevelt, após sua eleição em 1932, chamado New Deal. Também na Inglaterra, novas políticas econômicas foram implantadas pelo ministro John Maynard Keynes que, até os dias atuais, são referência no estudo de políticas macro-econômicas.
Logicamente, transformações culturais, intelectuais e comportamentais ocorreram no mundo no período da Grande Depressão, quando percebeu-se que o próprio mundo e seu funcionamento teriam que ser repensados. Neste período, dado às inconstâncias políticas advindas, vários governos e monarquias caíram e regimes autoritários, ditatoriais e/ou revolucionários emergiram, com tendências políticas radicais, tanto à esquerda, como à direita. Também ocorreram instabilidades políticas nas colônias, com grande descontentamento político e social, embora não se apresente neste momento a presença de movimentos nacionalistas de independência com relação aos países colonizadores.
A Grande Depressão também gerou um acentuado processo de atividade antiimperialista, já que as mercadorias produzidas nas colônias tiveram seus preços despencados, e ainda porque os próprios países colonialistas tiveram que proteger suas economias e sua população do desemprego, agravando a situação das colônias.
Outra característica da Grande Depressão foi o grande temor que começou a surgir em todo o mundo quanto à opção socialista, devido ao crescimento e aparente blindagem da economia soviética, que acabou por influenciar grupos políticos em diversos países, que percebiam e entendiam ser o socialismo uma opção à crise econômica que seus países estava passando. No entanto, os mais significativos movimentos políticos que surgiram foram o Nacional-Socialismo (Nazismo) e o Fascismo, que acabaram dando origem a uma política de compensações e reconquistas, acarretando a Segunda Guerra Mundial.
Por Alessandro Lyra Braga, em 04/07/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























Siga a Revista Debates Culturais pelo
Curta a Revista Debates Culturais no 

