Ódio ao turismo

Resolveram, não se sabe a troco de quê, matar o turismo incipiente que temos e condenar nossa rede hoteleira, moderna, à baixa ocupação e à mudança de finalidade. Tanto que há muitos hotéis virando escritórios ou apartamentos tipo quitinete.

Os motivos que levam a essa exótica conclusão parecem muito claros para quem se interessa em acompanhar a área. Aliás, um setor que é gerador de empregos, de divisas, auxiliar do comércio, da restauração e da indústria do entretenimento.

Vamos tentar alinhar alguns itens que comprovam o abandono do turismo:

1 – O projeto de reabertura do jogo está pronto a ser votado no Senado e na Câmara, mas os parlamentares estão mais preocupados em defender interesses corporativos. Não estão levando em conta que a iniciativa abriria de cara 120 mil empregos estimados e movimentaria o trade.

2 – As cidades turísticas, do litoral e do interior, precisam de um policiamento ostensivo eficiente. A grande perda, hoje, é pela questão da segurança.

3 – O governo, via Caixa e BNDES, facilitou financiamentos e a resposta do mercado pós-eventos não tem sido a esperada. Deveria refinanciar os contratos existentes, melhorando juros e prazos para estancar o fechamento de hotéis e similares. E mostrar apoio ao setor.

4 – A abertura de presença de capital majoritário estrangeiro nas aéreas não anda. Esta suspeita demora pode levar nossas empresas à situação pré-falimentar. E as oportunidades podem passar.

5 – O destino Brasil, tão pouco atrativo, exige visto de mercados de referência, como os dos EUA, Austrália, Japão e Canadá. Parece que não querem a presença destes, que estão entre os maiores emissores de turistas do mundo.

6 – Não há regulamentação para o mercado de aluguel por temporada, incluindo o controle de metro quadrado por locatário. Em Copacabana, no Rio, e em Salvador, por exemplo, apartamentos de menos de 40 metros quadrados abrigam até dez pessoas. Estes tipos de turista é que não interessam; não os americanos.

7 – Nada é feito pelos estados e a própria união para a recuperação de destinos tradicionais, bem servidos de infraestrutura e serviços, como o caso das estações de águas mineiras, das termas goianas, de cidades históricas e estações climáticas. O que existe é pela teimosia empresarial. Muitas destas localidades não possuem ligação pelo asfalto, o que mereceria um programa relâmpago do DNITT com estados e municípios.

*Aristóteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

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