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O sucesso do turismo em Portugal nos últimos anos

Estive pela primeira vez em Lisboa em 2008. Era final de agosto, e fiquei encantada com a cidade, pela identificação de raízes culturais e pelo seu patrimônio urbanístico e arquitetônico. Voltei em 2010 e visitei Queluz, Sintra, Cascais e Estoril, sentindo que tudo era bonito e acolhedor, mas muito pacato, embora os europeus ainda estivessem em férias. Surpreendi-me, então, três semanas atrás, com o intenso movimento na capital e em várias cidades do interior de Portugal e da Espanha. Eram muitos brasileiros, norte-americanos e japoneses que estavam sempre animados, mas sem fazer baderna. A guia da excursão explicou que houve aumento exponencial do turismo nos últimos três anos, fortalecendo esse setor econômico pela entrada de novas divisas. Fiquei, então, atenta às causas do sucesso, recorrendo à técnica de pesquisa denominada “observação participante”, porque estava ali como turista.

Percebi que nosso bem-estar estava garantido pelo risco mínimo de terrorismo e ataques de outros marginais; paira, então, em qualquer lugar, o clima de segurança, proporcionando prazer imenso nas caminhadas para admirar edificações muito antigas junto às modernas. O visual dos logradouros não é afetado pela exposição da rede elétrica. As ruas estão sempre limpas, e as calçadas, em ótimo estado. O trânsito flui rápido em boas vias. Há oferta satisfatória de “tapas” e restaurantes confiáveis com atendimento cordial de jovens bilíngues. Encanta, sobretudo, pelo excelente patrimônio histórico, oferecendo muitas informações que alcançam a presença dos romanos. Tudo isso fica sem exposição explícita da miséria de alguns.

Existem, portanto, muitas diferenças entre Portugal e Brasil, começando pela extensão territorial porque a terra-mãe tem pouco mais de 1% de nosso país, que é cativante pelo clima, pela diversidade de biomas, pelas praias e pela variedade de manifestações culturais. Embora haja a magia do Rio de Janeiro e de Salvador, entre muitas outras cidades, qualquer visitante sente logo a insegurança nas ruas e nas estradas repletas de vicissitudes, que podem culminar com tiroteios, arrastões, bloqueios das vias com pneus em chamas, gracejos insuportáveis ou desabamentos de pontes. Faltam cordialidade, urbanidade e lisura nas transações comerciais.

A degradação dos monumentos históricos, as pichações e a absurda rede elétrica comprometem a beleza de qualquer cidade. As turbulências políticas não geram confiança para uma viagem de alguns dias, porque não sabemos onde ou quando pode acontecer baderna com risco à integridade física e patrimonial dos transeuntes. Há ainda o contraste entre a opulência e a miséria das metrópoles, que assusta qualquer pessoa civilizada.

Perdemos todos porque o turismo é uma das atividades econômicas mais interessantes. Ele implica entrada de divisas, cria ótimas oportunidades de trabalho, instrui as novas gerações e promove a integração do país à comunidade internacional.

Fonte: Jornal O TEMPO

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