O que ensinaremos às nossas crianças?
Nós, brasileiros, costumamos dizer que a origem de todos os problemas de nosso país acaba sempre sendo a carência na educação. De fato, o Brasil tem um enorme potencial de desenvolvimento, o qual poderemos aproveitar se priorizarmos esse setor. Teríamos mão de obra qualificada, produção científica, além de um povo que sabe votar, exigir os seus direitos e cumprir com os seus deveres.
Deve-se questionar, porém, não só a importância da educação, que já é amplamente conhecida, mas também a sua estrutura em nosso país. Afinal, o que ensinaremos às nossas crianças? Vamos lhes impor horas a fio de matemática, português, química, física, biologia, sociologia, filosofia, história, geografia e inglês, como tem sido feito ao longo das décadas?
É bem possível que, em um país com uma população de quase 200 milhões de habitantes, além proporções continentais, muitos antigos problemas não se resolvam com a educação nesse sistema de ensino. Poderiam, inclusive, surgir outros.
A questão, portanto, não está apenas na falta de investimentos em educação, mas no modo como ela está sendo conduzida nas escolas. Isso ocorre por dois motivos, em duas situações no passado, quando se foram pensados métodos de ensino regularizados.
Temos, primeiramente, o século XIX, no qual a industrialização avança desenfreavelmente sobre a Europa, Estados Unidos e Japão. Finalmente, pensa-se em um sistema regular de ensino, no qual os jovens pudessem ser preparados para suprir as necessidades da revolução industrial. Afinal, não se podia deixar o trem parar, ou sair dos trilhos. Nesse contexto, criam-se as primeiras escolas e universidades mais parecidas com as que existem atualmente.
Avança-se, então, no tempo, para os anos 60, no Brasil. Os militares, recém empossados do poder, unem-se aos Estados Unidos para reformular a educação brasileira. O país já tinha um número razoável de graduados em direito, letras, entre outras áreas humanas, a maioria atraída pelo funcionalismo público (o que, até hoje, acontece). Para industrializar-se, todavia, era necessária mão de obra para tal. Com isso, diversas mudanças ocorreram no sistema de ensino brasileiro, abolindo matérias como filosofia e sociologia, além da adesão do inglês e, principalmente, o maior peso das matérias exatas, como matemática, física e química no currículo. O país procurava graduar engenheiros.
Nesses dois momentos, obviamente, não foram contemplado problemas atuais. Até hoje, poucas escolas ensinam o aluno a pensar criticamente, ou tem um bom ensino de espanhol, importante para o relacionamento do Brasil com a América Latina. O problema vai além, pois quase nenhum colégio tem os horários flexíveis ou permite a escolha das matérias pelos alunos, algo já há muito existente nos Estados Unidos, Europa, entre vários outros lugares do mundo.
Não só isso, mas também poucas escolas atualmente ensinam os aluno a se relacionarem corretamente com o meio ambiente. Podemos falar e discutir sobre ambientalismo, mas uma eventual revolução ecológica só será possível se todos aprendermos a respeitar a natureza e suas riquezas.
É necessária, portanto, uma nova situação para se repensar o sistema de ensino brasileiro. Devemos ensinar as nossas crianças a fazerem escolhas, pensar criticamente e, acima de tudo, pensarem verde. Só assim, o país pode investir na educação e, finalmente, se desenvolver.
*Daniel Vasconcellos Archer Duque é estudante secundarista, editor chefe do Jornal do Grêmio do Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro. Filiado ao Partido Verde, também colabora com outros sites e jornais.













Parabéns, Daniel, pela preocupação com o meio ambiente.
São de opiniões como as suas que o nosso planeta tanto necessita atualmente!
Abraços,
Adílio Jorge.