O que é pior: a volta do Collor ou a inércia do povo?
Desde a última semana, quando o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) assumiu a fiscalização das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, o cenário político brasileiro ficou ainda mais vergonhoso. Ao sair pela porta do fundo do Planalto, em 1992, através do processo de impeachment, e respondendo por peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica perante o STF, acreditava-se que a carreira política de Collor estava arruinada (seus direitos políticos foram suspensos por oito anos). Mas elle voltou. Foi eleito senador por Alagoas, seu estado natal, e através de um conchavo do PTB com o PMDB, conseguiu uma posição estratégica: ser fiscal do PAC. Na disputa pela liderança, o ex-presidente venceu a senadora petista Ideli Salvati por diferença de três votos (13 a 10). Até na hora de elogiar a adversária, Collor é de um terrível mau gosto, ao dizer que Ideli “é uma pessoa que congrega, agrega, cisca para dentro”. A senadora não gostou e reclamou, já que quem cisca é galinha. Collor, então, explicou que a expressão é comum no Nordeste, tem caráter positivo e de homenagem. Falou mas não convenceu. Como sempre.
A verdade é que o apoio do governo à eleição de Collor, além de estranha, evidencia a falta de fidelidade partidária do presidente Lula que, além de abandonar seus companheiros, ainda faz aliança com notórios desafetos. Mas se o presidente desistiu de ser coerente, o que resta para o povo brasileiro? Onde estão os caras-pintadas? Onde estão aqueles jovens e estudantes que, em agosto e setembro de 1992, pintaram o rosto de verde e amarelo e organizaram passeatas a favor do impeachment de Fernando Collor, denunciado pelo próprio irmão, Pedro Collor de Melo?
O ex-presidente foi apontado como cúmplice de seu tesoureiro de campanha, Paulo César Farias, sendo este último acusado de enriquecimento ilícito, evasão de divisas e tráfico de influência. Será que a volta de Collor, agora, ao governo, pela porta da frente, não denuncia a inércia em que vive a população brasileira? Enquanto a inflação era galopante, o povo se mobilizava, criticava os maus políticos, ia às ruas protestar.
O preço que pagamos pela estabilidade política deve ser tão alto a ponto de deixarmos passar em branco todo tipo de corrupção, passando pelo Mensalão e pela CPI dos Bingos? Ou será que o povo perdeu a memória?
Por Luciana Mendina, em 27/03/2009 - 02:06. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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