O poder da mobilização

Por em 27/05/2010


Mobilização popularAcima, ilustração do site do jornal Brasil de Fato.

Quem diria que, após derrotarmos a ditadura, estaríamos aqui hoje, depois de 20 anos, descrentes na política brasileira? Nosso país, que lutou duramente pela Democracia, a vê hoje desgastada e falha. Quando antes o povo esperava ansiosamente pelas eleições, tendo consciência de que lutou pelo direito de votar, hoje foge desse período, vendo-o pessimista como apenas uma obrigação democrática.

Não é sem motivo tamanha descrença. Fomos testemunhas de diversas crises parlamentares. Presenciamos diversos escândalos e absurdos no Congresso, nas Assembléias e nas Câmaras, em todas as esferas do poder. Assistimos tristemente à decadência da Democracia.

Nem tudo, porém, está perdido. Afinal, quando nossos representantes não estão fazendo seus papeis, somos nós que devemos agir diretamente para mudar o rumo da História Nacional. Podemos tudo, se nos unirmos.

Nosso passado recente nos oferece muitos exemplos do poder da mobilização. Conseguimos, afinal, a duras penas ganhar a democracia. O movimento “Diretas Já”, apesar de não ter conseguido aprovar o fim das eleições indiretas, mostrou para os governantes que não mais queríamos a ditadura. Eles entenderam o recado.

Tivemos, logo depois, a decepção com nosso primeiro Presidente da República eleito diretamente após a ditadura, Fernando Collor de Mello. Depois de abusos de poder e escândalos de corrupção, iniciou-se o movimento “Fora Collor”, que, pressionando firmemente o Congresso, conseguiu o impeachment.

Foram-se anos e anos de eleições, novos ou velhos políticos, governantes diferentes e crises políticas diferentes. Mesmo assim, quando a população se uniu, houve vitória. Afinal, a vontade do povo sempre prevalece.

E também foi assim com o Projeto Ficha-Limpa. O Brasil, país conhecido pela impunidade, finalmente conseguiu aprovar no Senado a lei que impedirá a candidatura de políticos com problemas na Justiça. Sem grandes alterações, faltará apenas a sanção do Presidente Lula para que ela valha ainda para as eleições o ano de 2010. Poderemos, finalmente, almejar uma política com menos corrupção e menor imunidade.

Havia, no entanto, muitos descrentes em relação à aprovação no Congresso. Com razão, imaginava-se que a maioria dos parlamentarias votaria contra o projeto, sendo inclusive boa parte deles “fichas-sujas”. Contudo, a sociedade se uniu e se mobilizou. Foram cerca de dois milhões de assinaturas a favor da lei, além da pressão sobre os deputados e senadores para que aprovassem o projeto, conseguindo mostrar que não mais queremos a política brasileira corrompida.

Estudantes, aposentados, trabalhadores, intelectuais e até mesmo políticos se uniram nessa luta, e foi apenas possível que a lei “Ficha-Limpa” fosse aprovada porque batalhamos pelo nosso direito de sermos ouvidos. Batalhamos para que escutassem nossa voz. Batalhamos e vencemos pela Democracia!

*Daniel Vasconcellos Archer Duque é estudante secundarista, editor chefe do Jornal do Grêmio do Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro. Filiado ao Partido Verde, também colabora com outros sites e jornais.




Por Daniel Archer Duque, em 27/05/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “O poder da mobilização”

  1. Adílio Jorge Marques

    Parabéns, Daniel, pela sua visão da política, mesmo na juventude. Os jovens devem sempre se mobilizar por um país cada vez melhor.

    Abraços,

    Adílio.

    #781

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