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O mercado quer fortalecer Meirelles

O mercado está pouco ligando para Temer, só se interessa em fortalecer Meirelles.

Na Praça dos Três Poderes, Henrique Meirelles se destaca como a eminência parda do governo. Entrincheirado no Ministério da Fazenda, de onde domina toda a equipe econômica e comanda as reformas, ele sente que seu sonho de chegar à Presidência pode se realizar. Na verdade, Meirelles não fez nenhum milagre, a recuperação da economia só está ocorrendo porque a recessão bateu no funco do poço e agora a tendência é ir melhorando, pois não existe crise eterna.

DADOS POSITIVOS – Com o consumo em retração, há falta de demanda e a inflação está em queda, os juros podem ser diminuídos, o PIB enfim se estabilizou e dá tímidos indícios de retomada, até a indústria já parece que vai respirar sem aparelhos.

O posicionamento de Meirelles é cauteloso – por enquanto, quer distância da política. Se houver crescimento econômico e o desemprego for reduzido, o ministro sabe que sua candidatura pelo PSD poderá decolar, no embalo do crescente descrédito da classe política. Sabe também que a crise que corrói os três Poderes não o afeta, pessoalmente. Pelo contrário, até o beneficia. Por isso, mantém-se fora do tiroteio e trabalha para agradar ao mercado.

NENHUMA MUDANÇA – Após um ano no comando da política econômica, Meirelles não fez nada de positivo, nenhuma mudança estrutural, mas adotou uma estratégia que desde o início lhe trouxe resultados positivos – a política do medo, que atribuiu a estagflação e o alto desemprego na gestão Dilma a um suposto déficit da Previdência e a entraves das leis trabalhistas, quando na verdade a crise foi motivada sobretudo pelo descontrole da dívida pública e pelas desonerações tributárias.

Além disso, é sabido que o déficit da Previdência foi agravado não só pela recessão, mas também pela terceirização e pela pejotização, que possibilitam sonegação do INSS e do Imposto de Renda. Portanto, diga-se de passagem e a bem da verdade. que as leis trabalhistas nada tinham (nem têm) a ver com a crise, o que não significa que não devam ser aprimoradas.

TESES DE MEIRELLES – As duas reformas – Previdência e CLT – são obra exclusiva de Meirelles, que amedrontou Temer e as bancadas de centro e da direita. Como se sabe, os políticos têm horror de mexer com conquistas sociais, sabem que isso tira votos. Meirelles, porém, não está nem aí. Trabalha para o mercado, e preferencialmente para os banqueiros, cujo objetivo é inflar a Previdência Privada, que não garante os mesmo direitos da Previdência Estatal, não há nem comparação. Por exemplo, quando o segurado da Previdência Privada fica inválido e não pode mais contribuir, o problema é dele.

Enquanto Michel Temer se torna o governante de menor aceitação no mundo inteiro, o ministro politicamente se fortalece. Assim que Temer balançou no caso JBS, Meirelles fez questão de dar entrevista dizendo que não sairia do Ministério da Fazenda, não importa quem substituísse Temer, vejam como ele se considera insubstituível.

EM CAMPANHA – Meirelles é antenado, sabe a importância absurda que terá a internet na próxima eleição. Por isso, no último dia 5, justamente na véspera do julgamento de Temer no TSE, o ministro foi logo colocando sua campanha nas ruas. Criou uma conta no Twitter, em duas horas, conseguiu 3.970 seguidores e virou trend topic nacional, em nono lugar, com 1.738 citações.

Em seu primeiro post, o ministro disse: “Boa tarde, meu nome é Henrique Meirelles e este é o meu perfil no Twitter. Pretendo usar este espaço para debater os rumos do Brasil”. E, logo em seguida, ele avisou que estaria fora do país: “Estou em Paris, representando o Brasil na reunião ministerial da #OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)”.

Fonte: Tribuna da Internet

Comentários

  1. Ele como outros ministros da fazenda que passaram pelo ministério, nunca fizeram o que realmente iria mudar o Brasil que seria acabar com o conchavo entre o Banco Central e os banqueiros. Não tem explicação para o Brasil ser um dos países que tem o maior juros bancário. A economia cresce, a inflação cai, mas os juros bancários continuam lá nas alturas, lógico que há algo de errado nisso, já deveria ser criada uma CPI do Banco Central para desvendar esse ministério.

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