O livro é o fato

Por em 15/03/2010


LivroLer é um ato revolucionário, e uma conseqüência da alfabetização e aprendizado. Um gesto natural transformado em sociocultural.

O homem é um ser observador e ler é uma observação, da natureza, dos atos e fatos naturais, sociais, culturais e políticos. Devemos encarar a leitura como uma ação essencial à vida como respirar, comer, dormir, consciência da ignorância não conformada. Nesses tempos de comunicação eletrônica exacerbada, a dialética imagem x idéia, assume forma dramática, a inversão do que se vê como significado do que a coisa é, leva à alienação do indivíduo a picos de saturação. Ler é revolucionário, pois parte-se da idéia para a imaginação e a imaginação é criativa. Ler é o ato, o livro é o fato.

Não podemos esquecer que o sistema depende do consumo e agora, mais do que nunca, exerce-se o culto à novidade e a miniaturização dos aparelhos eletrônicos que se tornam descartáveis e obsoletos em tempo recorde, coisas consideradas essenciais em um passado recentíssimo.

A aparência confunde-se com essência, o sentido da imagem passa a ter a dimensão de conteúdo da imagem. A sociedade digitalizada, como bem define os teóricos da Escola de Frankfurt, é uma nova forma de opressão ideológica e de dominação das elites sobre as classes subalternas, e ler, hoje, é uma necessidade para quem está no front de resistência, e quer ser um, e não mais um.

Diante desse quadro á a necessidade de se estabelecerem frentes atuantes, capazes de despertar o interesse pelo conhecimento autêntico, duradouro e o estímulo à leitura, que se constituí num dos meios mais capazes de possibilitar ao indivíduo livrar-se do saber superficial, tendencioso e descartável imposto às massas, pela mídia em geral. Ler um livro hoje é uma atitude, para alguns, anacrônica, ou seja, ultrapassada, porém para aqueles que, como nós, acreditam no poder do conhecimento que o livro possuí, ler representa nadar contra a corrente do conformismo e do inevitável que o mundo globalizado e digitalizado apresenta como irreversível, como irresistível.

Neste ponto somos forçados a fazer um parêntese, pois, numa lamentável coincidência, enquanto escrevíamos este artigo nos chegou a triste notícia do falecimento de José Mindlin, bibliófilo, escritor e acadêmico; paladino da cultura e do saber que só o livro é capaz de legar à posteridade, agregando um valor histórico, como no caso dos manuscritos pela sua raridade; ao seu conteúdo cognitivo.

José Mindlin, foi, é, e sempre será um exemplo de dedicação e amor perene à causa das letras; será o eterno guardião dos livros, como fazia em vida com sua esposa, mantendo uma biblioteca com vasto e raro acervo no subterrâneo da sua casa, onde destacava que “o papel das bibliotecas é o de conservar o passado e o presente para o futuro”.

Dedicamos este artigo à memória de José Mindlin.

PS: Vale destacar que misteriosamente, após 30 anos de recusa, nosso grande poeta Ferreira Gulart esta propenso a aceitar concorrer à vaga deixada pelo imortal José Mindlin. BOA SORTE!

e-mail: amaurycardosopmdb@yhaoo.com.br

Blog: www.amaurycardoso.blogspot.com

*Amaury Cardoso é físico do IMETRO / IPEM-RJ, pós-graduado em Administração Pública e Políticas Públicas e Governo. Pós-graduado em Gestão Pública. Membro e delegado do Diretório Municipal / Rio e do Diretório Estadual/RJ do PMDB.




Por Amaury Cardoso, em 15/03/2010 - 00:02. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

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