O grande capital e a Amazônia
O governo Federal (na época controlado pelos militares), desde o final da década de sessenta, preocupou-se em integrar a Amazônia ao resto do país, partindo do pressuposto que, com a floresta isolada, poderiam ocorrer invasões ao território brasileiro nessa área, obrigando o país a entregá-la para estrangeiros. Não se sabe até hoje se a ameaça existia, mas é fato que atualmente fala-se muito na “internacionalização” da Amazônia, a fim de protegê-la.
Embora haja a utopia de muitos europeus e norte-americanos sobre a proteção da floresta por órgãos internacionais, sabe-se, aqui no Brasil, que há muitos interesses financeiros do grande capital na entrega da área, que seria usada para diversas finalidades, menos para a preservação.
O fato é que, tentando “integrar para não entregar”, os militares construíram muitas rodovias sobre a mata, abrindo caminhos por um território nunca antes explorado pelos brasileiros ou portugueses. Com essas estradas, instalaram-se na região migrantes de todo o Brasil, principalmente do Nordeste. Fundaram-se com uma velocidade assustadora vilas e cidades, umas atendendo à demanda de mão de obra para alguns projetos do governo ou atividades iniciadas, como a garimpagem, outras penetrando pela floresta, com os moradores à procura de uma maneira de subsistir, geralmente ocasionando no confronto com índios já instalados na região.
No início dos anos noventa, a Amazônia já estava povoada em diversas localidades, com pequenos agricultores predominando na área. Esse quadro, porém, a partir dessa década começa a mudar rapidamente. Essa mudança inicia-se com Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, no começo do plano Real e a implantação do neoliberalismo no país.
Para conter a inflação e estabilizar a situação financeira no Brasil, uma das diretrizes desde 1993 do ministério da Fazenda até hoje é manter a balança comercial superavitária, ou seja, exportar mais do que importar. E, como o país não é um líder na industrialização, resta-nos exportar produtos primários não-elaborados.
O grande capital começa, então, a se interessar pela floresta Amazônica, vendo nela um potencial enorme de geração de lucros. Constata-se nessa década, o começo de uma rápida expansão do agronegócio da soja pelo Centro-Oeste do país.
Consta-se, do final do século XX ao início do nosso, uma grande ocupação de terras no Mato Grosso, além de hoje já existir plantações no Nordeste, a fim de plantar soja para a exportação. A produção, financiada pelo grande capital e estimulada pelo Estado, é realizada com o uso de diversas técnicas agrícolas avançadas, como o empreendimento de alta tecnologia em máquinas para a adubação, correção do solo e desenvolvimento de variedades adaptadas a todas as áreas do país.
A Amazônia, nesse quadro, sofre atualmente de intenso desmatamento ilegal, fruto de grilagens dos grandes produtores de soja. Esperaria-se que o governo utilizasse todos os recursos por ele obtidos para diminuir esse panorama. Porém, vê-se o contrário. Pela falta de vontade política e entusiasmo com os investimos, nossos representantes só fizeram piorar o desmatamento. Temos como exemplo, a construção e expansão da rodovia PA-150, possuindo 762 Km de extensão, a fim de facilitar o escoamento da produção do sul, sudeste e nordeste do Pará para o mercado externo, através do porto de Vila do Conde, integrando todos os municípios por onde passa e adjacências. Com a estrada cortando a floresta, inicia-se o arco do desmatamento, hoje demarcado do nordeste do Pará (além de atingir parte do Maranhão) ao Mato Grosso do Norte, estendendo-se também por Rondônia. Cada parte do arco é ocupado por diversas atividades, geralmente financiadas pelo grande capital, incluindo a soja, a extração de madeira nobre e a pecuária.
É infeliz o quadro no qual estamos. Devido à implantação do neoliberalismo no país, nossa estabilidade financeira hoje depende das exportações primárias. Devemos, porém, substituir o setor no qual exportar. É necessário, desde já, financiar e estimular a produção de tecnologias sustentáveis para a indústria, a fim de nos libertarmos do grande capital rural e frear o desmatamento na Amazônia. Não só o Brasil, mas a humanidade, que depende dessa floresta.
*Daniel Vasconcellos Archer Duque é estudante secundarista, editor-chefe do Jornal do Grêmio do Colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro. Filiado ao Partido Verde, também colabora com outros sites e jornais.
Por Daniel Archer Duque, em 21/10/2009 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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Prezado Daniel,
Parabéns pela sua sabedoria e erudição!
Abraços,
Adílio Jorge.
Assim consigo vislumbrar um “amanhã” melhor…Jovens esclarecidos, preocupados com o futuro não só do seu país, mas do mundo.Será isso uma ramificação da chamada “globalização”?!
A consciência da importância do papel de todos nós nesse planeta, começa a tocar nessas mentes, ainda ingênuas, mas brilhantes de nossos jovens que começam a trilhar suas jornadas, não pensando só em si, mas como parte de uma busca incessante por um amanhã mais “limpo”.
É essa a importância que o país deveria ter com a educação…capacidade de enxergar, agir ,sonhar e criticar por um mundo melhor. É o desejo de nossas crianças.
Parabéns Daniel!