O fiel de uma balança viciada

Por em 28/06/2012

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Vou contar uma pequena história.

Aconteceu há pouco mais de uma década nos Estados Unidos. Logo, os personagens da mesma ainda estão vivos e frescos em nossa memória. E foi assim que ela começou: o então presidente Bill Clinton completava um mandato de oito anos, mas de forma não muito auspiciosa. Falava-se em impeachment, não por ele ter feito um mau governo, muito pelo contrário, o país ia de bem a melhor. Vendia saúde e tinha até melhorado sua imagem de política internacional. Mas sim por ele ter colocado seu charuto no lugar errado. Seu substituto natural era, o então vice-presidente, Al Gore, homem correto, mas completamente ausente de carisma.

Os Clintons – Bill e Hillary – são conhecidos por sua combatividade e não era hora ainda para Hillary. O candidato republicano era o filho do ex-presidente George Bush, e Bill Clinton sabia que os Bush eram reconhecidamente ausentes de capacidade administrativa e assim se Gore entra, seriam, possivelmente, oito anos de espera. Ao passo se Little George entra, em quatro anos estariam prontos para recolocar um democrata no poder e o lugar estaria garantido para Hillary.

Bill não moveu uma palha sequer para ajudar Gore a eleger-se. Falcatruas no estado da Flórida – governado por outro Bush, seu irmão Jeff – levaram Little George ao poder de forma ilícita, outrossim, tanto para Bill como para Hillary – esta agora eleita pelo poderoso estado de New York para o senado – o palco montou-se como eles haviam planejado. Era agora uma questão apenas de tempo.

Little George assumiu e em seis meses todos notaram que ele era a pessoa errada para o cargo mais importante da humanidade. Bin Laden, mais vivo ainda, sacou que manter Little George em seu cargo, seria o início do fim da grande potência por ele considerada inimiga. E assim derrubou as torres. A queda das torres gêmeas, garantiu a continuidade de Little Geogre, que imediatamente incitado por seu vice-presidente – o homem de confiança de seu pai, ali colocado para coibir as burrices do filho – arrumou duas guerras, para não só debilitar economicamente seu país, como para também criar um clima devastador de incertezas. Viveu-se durante algum perigo a esdrúxula fórmula, arquitetada e vendida pelos porta-vozes da Casa Branca, de que os árabes poderiam invadir os Estados Unidos e acabar com a democracia no mundo. O país ruiu economicamente.

Passados oito anos, Hillary tinha como certa sua eleição. Tudo menos um republicano no poder, era a visão do povo norte-americano. Aqui, diferentemente do Brasil, erra-se, mas corrigi-se. Os índices de comparecimento às urnas – em um pais inteligente onde o voto não é obrigatório – bateu todos os recordes. Todavia, o que os Clintons não imaginavam é que pudesse aparecer um candidato negro, até ali de pouca expressão nacional e que ainda por cima se chamava Obama. Pois é, correndo por fora e com uma grande ajuda da tecnologia e dos jovens, como um azarão, ele acabou com os planos dos Clintons, que foram definitivamente por água abaixo.

No Brasil vivemos hoje uma situação análoga. O ex-presidente Lula, arrumou um poste para substituí-lo. Uma senhora chamada Dilma, que nunca havia sido eleita a coisa nenhuma – nem ao cargo de síndica de seu prédio – e que tinha ainda o agravante de ter uma forma de se relacionar com as outras pessoas, áspera e destituída de qualquer jogo de cintura. Foi escolhida para substituir um presidente, que embora de pouca efetividade administrativa, dava aulas de política e relacionamento. O rei do jogo de cintura. Aqui entre nós, cintura é uma coisa que há décadas a escolhida senhora perdera a noção do que poderia ser, em todos os sentidos… Voltando aos trilhos, Lula a elegeu e a cercou dos ministros que lhe interessavam. Todos escolhidos a dedo. Formava-se assim a chamada “base de sustentação política”. Ela teve que aceitar, mesmo vendo que ali estava sendo usada como boi de piranha. Governaria por quatro anos e ai então Lula seria trazido de volta como a salvação da lavoura. O problema é que a lavoura já estava infectada de pragas desde o seu início. Os escândalos tornaram-se públicos, um após outro.

Escolhidos a dedos, por alguém que não prima pelos dedos, cada um dos ministros foram caindo um a um. Há de se convir que num número recorde e numa velocidade espantosa. Os quase 40, lugares tenentes de Ali Babá, não se intimidaram, pois, sua substituição era feita pelo partido que lá o tinha. Foi a famosa troca do “seis” por “meia dúzia”. Acredito que seja algo difícil de se prever em um pais que supostamente navega em oceanos pacíficos, que tantas mudanças fossem necessárias para que a rota fosse mantida. A criança não fora sequer parida e um bando de homens do governo Lula foram substituídos. Seja por improbidade administrativa ou mesmo por simples petulância.

Nelson Jobim, ao começar em uma entrevista, deixou claro que votara em Serra – pois, mesmo podendo ter todos os defeitos, burro nunca foi – provocou a presidente até seu último fio de cabelo. Eu, a senhora minha mãe e toda a torcida do Flamengo sabemos que o sonho de Jobim é a presidência. E Lula sabe disto. Por isto o trouxe anos atrás para a sua lide de ministros, fazendo prevalecer aquela velha máxima política de convivência: melhor trazer o adversário para seu lado do que aumentar um antagonismo maior com o mesmo. Don Corleone, não poderia definir melhor. Situação esta que a médio e longo prazo, poderiam ser prejudiciais politicamente ao sindicalista que mesmo com problemas em suas cordas vocais, continua articulando e unindo-se a Deus e ao Diabo, na tentativa de derrubar o feudo dos tucanos em São Paulo..

Jobim topou, pois seu perfil é daquele que se não tem o poder, pelo menos quer garantir estar junto a ele. E se excedeu, o que me faz crer que seja o seu primeiro passo para voltar para o outro lado e quem sabe se tornar no canal mais viável da oposição ganhar as próximas eleições.

Dona Dilma, perdida que nem cego no meio de um tiroteio, trouxe suas “amiguinhas” para ministérios junto de si. Nada mais compreensível, afinal, deve ser chato estar naquele palácio imenso, sozinha, sem ter com quem fofocar sobre moda e novelas, e tomar seu chá. Mas, cada vez mais, o chão abaixo de si parece esvair-se. As críticas de Jobim às duas ministras, apenas aumentam a minha suspeita que ele o fez para ser demitido e notado por aqueles que não gostam do PT, como uma viável opção futura. Faz o estilo homem forte. E Lula, quieto que nem um coelho, trata de seu câncer – originário talvez por ter eternamente vivido de suas cordas vocais – espera apenas a hora de voltar ao lugar que ele tem em sua consciência, como vitalício, agora sabendo, mais do que nunca, que o PMDB será mais uma vez o fiel da balança e que poderá virar de lado.

Infelizmente este é o Brasil em que vivemos. Um lugar de acertos políticos e escândalos delatados, mas nunca resolvidos na palavra da lei. Um país que incita seu povo a endividar-se, como forma de manter a indústria ativa e os bancos felizes. Mas, o mar encrespou-se, se abriu e nosso barquinho, a partir de agora, vai ter que navegar em águas não muito pacificas. Muita gente será afetada. Principalmente quem deve. Mas, como acima de tudo somos um país para inglês ver…

A vida política de Obama está em perigo. Nem o fato de ter achado Osama o livrou do terror de não ser reeleito. Assim, apelou para sua única chance de reeleição: as minorias. Independentemente da cor, do credo, da nacionalidade ou das preferências sexuais. Esta usando todo o seu jogo de cintura. A única coisa que seu escrúpulo moral o impede é de se juntar aos Malufs da vida daqui. E isto mesmo se levando em consideração dele não ser o principal culpado da situação em que os Estados Unidos se encontra. Little Bush, sim. Quem leva, não sei.

Espero apenas, que na hora H, o Brasil definitivamente acorde e descubra que a peça teatral armada já foi descoberta pelos investidores internacionais. E quando o navio começar a colocar água, arrume um azarão qualquer para cruzar o disco na frente. Evidentemente que antes que o PT, de dona Dilma, tio Lula, e papai Dirceu, acabe com o Brasil.

Publicado no planetachamadoterra.blogspot.com






Por Renato Gameiro Alvares, em 28/06/2012.

2 respostas to “O fiel de uma balança viciada”

  1. Teresa

    Adorei este espaço!
    Conhecimento nunca é demais!
    Sucesso!

    #3199
  2. [...] Publicado por:  Debates Culturais [...]

    #3265

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