O estado brasileiro e o Santos FC

Por em 26/12/2011

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Acabo de chegar de uma viagem com minha mulher, que nos manteve afastados da sede por um mês. Primeiro, foram 10 dias por Portugal, visitando Lisboa, Óbidos, Aljubarrota e seus Mosteiro e Centro de Interpretação Multimídia da Batalha, Fátima, Coimbra, Barcelos, Braga, Guimarães, com direito a peregrinação a Santiago de Compostela, Espanha, Valença, Viana do Castelo, Porto, Amarante, Vila Real, Lamego, Viseu, Serra da Estrela, coberta de neve e com neblina e frio intensos, Covilhã, Castelo Branco, Portalegre, Estremoz, Évora e de novo Lisboa. Daí, um vôo até Milão, onde ficamos por três dias, antes de embarcar em Savona, para regressar ao Brasil no navio “Costa Pacífica”, nosso lar pelo cruzeiro de 18 dias, que nos levou a Barcelona, Gibraltar, Lisboa, Funchal, Recife, Maceió. Salvador, Ilhéus… e Rio!

Os europeus, em geral, e os portugueses, em particular, estão muito assustados com a “crise do euro” e com a ameaça de desemprego e de pobreza que lhe temem associada. As cidades portuguesas e localidades menores, estradas, pontes e viadutos, portos, aeroportos, hotéis, restaurantes e demais manifestações do gênio humano e de infraestrutura, contudo, encontram-se impecáveis. Limpos, bem cuidados e conservados, floridos, ajardinados e acolhedores, são verdadeira festa para os olhos e bálsamo para o coração. Os campos, cultivados e bem cuidados, os olivais, as vinhas, as pastagens, que dão um matiz especial à paisagem rural, a perder de vista, encantam qualquer observador!

Estivemos em inúmeras ricas e belas igrejas, românicas, manuelinas, góticas, barrocas, testemunhas permanentes da fidelidade lusitana, por todos os tempos, à fé cristã, ao Senhor Jesus e à Virgem Maria, aos anjos e santos, ao catolicismo, enfim, que impeliu os bravos navegantes, nossos gloriosos ancestrais, do Grande Ciclo dos Descobrimentos Marítimos a todos os confins da Terra Ignota, vencendo as incertezas e o desconhecido do Mar-Oceano, “para dilatar a fé e o império”, na mais corajosa e arrojada aventura do gênero humano em todas as épocas. Rezamos muito e sempre, com toda a confiança e profunda devoção, pelos parentes, pelos amigos; pelos tristes, enfermos e desesperançados; pelo Brasil, nossa terra tão linda, rica e amada, tão espoliada, ultrajada, saqueada e vandalizada pelos falsos profetas e semeadores do caos que, há tanto tempo, se assenhorearam de sua direção e do comando dos nossos destinos.

Milão é cidade soturna, escura, sem o brilho ensolarado das urbes portuguesas, mas tem seus lugares de graça e de bela arquitetura, como a imponente catedral de “Il Duomo”, e comércio rico e sofisticado, bonito de ver, mas fora do alcance do visitante comum, tão altos, exorbitantes até, os preços!

O embarque em Savona foi complicado, mal organizado e demorado; levamos quatro horas e meia desde a chegada ao cais até pôr os pés no convés do navio, visto que apenas dois funcionários checavam os passaportes dos 2.600 passageiros!

A viagem marítima, o navio em si e as escalas em Barcelona, Gibraltar, Lisboa e Funchal foram muito agradáveis. Todos esses portos apresentam o mesmo aspecto limpo, civilizado, bem cuidado e conservado que tanto nos havia cativado e conquistado em Portugal, junto com aspectos históricos e arquitetônicos notáveis e próprios em cada um dos casos.

Depois de cinco dias de travessia, de mar e céu apenas, a esperada e sonhada chegada ao ensolarado e querido Brasil: Recife. Os ônibus “transfer” contratados pelo navio despejaram os turistas na “Casa de Cultura”, antiga cadeia transformada em centro de artesanato, de venda de jóias e de comida e bebida típicas no centro histórico: cada cela antiga abriga um tipo de comércio. Perplexidade total, que se revelou em cada expressão estrangeira e dos brasileiros, como nós, que há muito tempo não visitavam Recife! O parque que abriga a antiga prisão e todas as ruas do entorno, desde a celebrada Avenida Guararapes, até as transversais menores e maiores, estão abandonados, imundos, com aquele triste aspecto de desleixo que caracteriza as piores favelas! UM LIXO SÓ, GRAÇAS À INCÚRIA DE SUCESSIVOS PREFEITOS! Foi um soco na boca do estômago dos brasileiros conscientes e que amam o País e uma decepção para os estrangeiros, conforme se infere do comentário feito no jantar a bordo, por senhora portuguesa que era nossa companheira de mesa: “Nunca mais vou permitir que um brasileiro fale mal de Portugal na minha frente”… Que diferença dos meus tempos de Aspirante, na década de 1950, nas Viagens de Instrução da Escola Naval pelos portos brasileiros, quando o centro de Recife era belo e bem cuidado!

Tão triste, envergonhado e acabrunhado que estava, não tive coragem de desembarcar em Maceió, com receio de novo e doloroso sofrimento. Salvador foi a mistura de sempre: belos edifícios e igrejas, a maioria em reforma ou conservada com verbas da UNESCO, e o caos, a confusão e a sujeira que caracterizam as ruas, os prédios e o trânsito nas áreas centrais e próximas ao porto. Parece ser uma triste sina das cidades praianas brasileiras ter abandonados os centros históricos, de tanto valor para a memória nacional, e ter apenas (mal)cuidada a orla marítima. O Rio não é exceção, apenas um grande exemplo da regra geral…

A demagogia esquerdista, que tanto agita a questão ambiental em proveito de seus nebulosos desígnios, chegando a travar o desenvolvimento e a favorecer a criação de quistos e enclaves no território, possíveis fontes de futuras secessões, nada diz, nem nada propõe ou faz contra a forma mais visível, agressiva e abjeta de poluição, a que atinge a imensa maioria dos brasileiros: os paulatinos, constantes, sempre presentes favelização, deterioração e abandono a que estão submetidas as cidades brasileiras, com ênfase de São Paulo capital para o norte!

Ilhéus, que não conhecia, foi a agradável surpresa. Apesar da tempestade com que fomos recebidos, foi possível perceber que é mais cuidada que suas irmãs nordestinas maiores, e dona de belas paisagens.

Em Lisboa, com repetição de atraso e confusão na faina, embarcaram cerca de 500 novos passageiros, aumentando o efetivo destes para perto de 3.100 almas. A maioria era de brasileiros retornados, por haverem sido despedidos de seus empregos em Portugal. Foi assim que pessoas simples do nosso povo, muitos operários e suas famílias, incorporaram-se ao seleto grupo de classe alta/média, brasileiro e estrangeiro de 18 nações, que fazia sua programada vilegiatura de férias. A explicação é que, por família, a passagem marítima acaba por ser mais barata que a aérea, além de permitir o embarque quase sem limitação de bagagem.

Foi triste tomar conhecimento e participar do drama de tantos compatriotas, que retornam à terra natal para iniciar tudo de novo, depois da esperança frustrada de encontrar vida melhor, com seu esforçado trabalho de tantos anos, alhures, na dolorosa e sempre discriminada situação de imigrantes! Só o amado Brasil, no mundo inteiro, recebe bem os estrangeiros que chegam sem haveres, para trabalhar, vindo a tratá-los melhor que aos brasileiros! Por outro lado, como foi bom privar, em ambiente tão elevado, com representantes simples do nosso povo, que tão bem se houveram, como os dois simpáticos, conversados, educados e desenvoltos pintores de paredes e donos de outros ofícios, que foram nossos companheiros de mesa ao jantar!

Meu coração brasileiro emocionou-se até às lágrimas em, pelo menos, duas ocasiões: na primeira noite a bordo, ao escutar o som da nossa melhor música, tocada por exímio violonista de São Paulo, Marcelo Mammé, ao qual íamos aplaudir todas as noites e que ficou nosso amigo, ao ponto de passar por cima do repertório e executar, sem ensaio prévio, “Sampa”, o “Samba do Avião” e “Marina” a nosso pedido. A música popular brasileira autêntica é, sem dúvida algum, a mais bela de todas!

Na manhã da chegada, acordei às 05.30 da manhã, só para ver o Rio de Janeiro. Vistos do mar, como tantas vezes me ocorrera em minha vida de marinheiro, a cidade, as montanhas, o céu e o mar compõem a mais bela paisagem do mundo. É de arrebentar o coração e de inundar de lágrimas os olhos! Chorei, pois, de pura emoção e êxtase pela segunda vez na viagem! O motivo, como sempre: BRASIL!

Não tem p´ra ninguém, nem Tokyo, nem San Francisco, nem Napoli, nem Capetown! É Rio de Janeiro! O Gigante Adormecido; Corcovado e o Cristo Redentor; Pão de Açúcar, Pedra da Gávea, Dois Irmãos; praias, ilhas, sol, céu, mar, sal! A senhora suíça, que presenciou a aproximação ao Rio comigo, do convés em que estávamos, concordou, com entusiasmo, quando lhe disse: ”Este é o mais belo cenário do mundo”!

DEUS REALIZOU SUA OBRA-PRIMA NO BRASIL E NO RIO DE JANEIRO. Aí vieram os homens e as mulheres, principalmente os de governo, e os dos governos mais recentes, de 1990 para cá, para emporcalhar e tentar destruir tudo!

Daí tornar-se necessário falar no Santos FC e no seu recente desempenho contra o Barcelona FC. Como os governantes brasileiros atuais e recentes, Muricy Ramalho, endeusado pela imprensa áulica, julgava-se o “rei da cocada preta”. Encerrado no seu pequeno mundo, sem maiores cultura nem abertura para o exterior, que lhe revelariam a verdade, acreditou nas versões, sem base na realidade, da propalada superioridade do futebol brasileiro e do Santos. Como os governantes, que acabaram por iludir-se a si mesmos com as falsas versões sobre o Brasil que veiculam insistentemente, já que há tempos comprazem-se em mentir para os brasileiros e para o mundo, alardeando uma melhora na economia e na situação geral do Pais, que não tem qualquer fundamento na realidade, mas que encontrou crentes convictos e entusiasmados no nosso povo bom, porém desinformado e facilmente manipulável, devido às carências culturais e educativas a que, propositadamente e com maldosos propósitos, é submetido. Assim como nos governantes e dirigentes do mundo desenvolvido, que até aceitam ouvir pitacos e orientações e críticas dos “donos da verdade brasileiros” sobre como agir e governar seus países e o mundo, porque, de acordo com os costumes imperantes em suas terras, acreditam que um governante só diz verdades, porque lá, muito ao contrário de cá, o preço da mentira é demasiadamente alto (vide caso Nixon, por exemplo).

Muricy, Neymar, o time do Santos, a crônica esportiva brasileira e nossos torcedores em geral tiveram o duro choque da realidade, diante do baile e do domínio, completo e tranqüilo, do Barcelona em campo, e recitaram palavras de humildade, de reconhecimento da superioridade dos adversários, prometendo começar novo trabalho, de resgate do autêntico futebol brasileiro, aquele hoje praticado pelo Barcelona, segundo a palavra insuspeita de seu grande – este sim! – técnico, Pep Guardiola.

Os políticos e pessoas públicas com influência no aparelho do Estado brasileiro inscrevem-se entre os mais corruptos, abjetos e insensíveis do mundo, dando provas eloqüentes disso, todos os dias, por suas ações nefastas e cruéis, que sempre visam ao benefício pessoal, familiar, corporativo e partidista, ao enriquecimento rápido e ilícito, à custa do Erário e dos impostos pagos pela Nação, à eternização no poder!

Deus queira que os governantes brasileiros, no Executivo, no Legislativo e no Judiciário, nos âmbitos federal, estadual e municipal, sejam tocados pela graça divina, tenham humildade e se convertam! Que parem de comportar-se como cupins entregues a ferir a Nação e a destruir o Estado, apodrecido por suas ações nefastas de filhotismo, corrupção, politiquice rasteira e barata, perversão esquerdizóide, “marketing” e propaganda caríssimos e mentirosos, e aparelhamento sem competência, de irresponsabilidade e desprezo pelo Bem Comum, enfim, e se dediquem, total e completamente, ao cumprimento dos seus deveres e à construção da felicidade, da grandeza e da opulência gerais da Nação, com paz, justiça e liberdade! Que renunciem à mentira, à mistificação, à perversão ideológica, ao cinismo, à corrupção, à destruição da alma do povo e de tudo o que é bom na Nação, à traição à terra brasileira e aos valores, crenças e tradições que sempre fizeram de nós um povo altivo, bravo, batalhador e senhor dos seus destinos, o que, malfadadamente vêm fazendo, com grande desenvoltura e sem qualquer escrúpulo, remorso e compaixão, desde 1990! Que busquem a competência, a responsabilidade, a assiduidade ao trabalho e a pontualidade na execução das tarefas como modo de agir!

QUE, POR MILAGRE DIVINO, POSSAM PASSAR A SER PESOAS BOAS, SERVIDORAS DO POVO, DA PAZ, DO BEM E DA JUSTIÇA, ALTRUÍSTAS, PATRIOTAS, HONESTAS, DESAMBICIOSAS E DEDICADAS A EDUCAR E PROMOVER NOSSO POVO INCULTO, DESEDUCADO, ATRASADO, MAS DE ALMA BOA, AMIGA E HOSPITALEIRA! E QUE APRENDAM A COLOCAR OS INTERESSES DO BRASIL E DOS BRASILEIROS EM PRIMEIRO LUGAR!

QUE ABJUREM DA ARROGÂNCIA, DA PRÁTICA DE CONSIDERAREM-SE SEMIDEUSES, ACIMA DO BEM E DA JUSTIÇA E DA LEI, DO DESPREZO PELO POVO E DA INDIFERENÇA PELOS SEUS SOFRIMENTOS E SEU DESTINO!

OU, ENTÃO, SE INFENSOS À GRAÇA DIVINA, QUE SEJAM AFASTADOS PELO BRAÇO JUSTICEIRO DO SENHOR E SUBSTITUÍDOS POR PESSOAS DE BEM, TEMENTES A DEUS E DEDICADAS AOS SEMELHANTES!

Por tudo isso, rezamos e pedimos a Deus, com fé, confiança e esperança!

Rio de Janeiro, RJ, 19 de dezembro de 2011.

*Vice-Almirante Reformado Sérgio Tasso Vásques de Aquino, nasceu em Curitiba, Paraná, em 20 de janeiro de 1937. Filho do General de Divisão Tasso Villar de Aquino e de Elza Vásques de Aquino. Ingressou na Marinha em 22-04-1952, como Praça Especial de Aluno do Colégio Naval, jurando à Bandeira em 11-06-1954, como Aspirante a Guarda-Marinha do Corpo da Armada, na Escola Naval.

Ao longo de sua carreira militar ocupou os seguintes postos: Comandante do Submarino “Amazonas”, Comandante do Corpo de Aspirantes da Escola Naval, Comandante do Corpo de Aspirantes da Escola Naval, Chefe da Divisão de Assuntos Políticos da Escola Superior de Guerra, Chefe da Secção de Assuntos Políticos do Colégio Interamericano de Defesa, “International Senior Fellow” da National Defense University, dos EUA, Chefe de Gabinete do Chefe do Estado-Maior da Armada, Subchefe de Avaliação e Controle do Estado-Maior da Armada, Comandante Naval de Brasília, Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, Comandante da Força de Submarinos, Diretor do Pessoal Civil da Marinha, Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Ainda foi representante da Marinha na Comissão Interministerial de Estudo de Legislação das Forças Armadas – CIELFA e Perante a Assembléia Nacional Constituinte (1987-1988).

Como formação, dentre outros, cursou na Escola Superior de Guerra, além de ter se graduado bacharel em Ciências Administrativas e Econômicas.

Conferencista sobre assuntos de Relações Internacionais, Política, Estratégia, Inteligência/Informações, Movimento Comunista Internacional, Expressão Militar, Poder Naval e Poder Marítimo, Operações de Submarinos e Atividades na Antártica.

Publicou livros, textos e artigos, sobre a Ação do Movimento Comunista Internacional, Política Nacional, Presença Brasileira na Antártica, Ministério da Defesa e Destinação Constitucional das Forças Armadas, o Papel da Atividade de Informações/Inteligência numa Sociedade Democrática e Conjuntura Brasileira.

É membro da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil.






Por Sérgio Tasso de Aquino, em 26/12/2011.

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