Início » Ricardo Ernesto Rose » O crescimento urbano brasileiro

O crescimento urbano brasileiro

O crescimento urbano brasileiroNos últimos 100 anos a população do Brasil cresceu de aproximadamente de 25 para 205 milhões de habitantes; um aumento de 820%. Comparativamente, a população da Índia, o segundo mais populoso país do mundo, cresceu de 260 milhões em 1910 para 1.170 milhões em 2010 – um incremento de 450%. Estas estatísticas mostram o quanto aumentou o número de brasileiros, mesmo em comparação com países de alta densidade populacional. O fenômeno do rápido aumento da população é relativamente recente na história da humanidade, ocorreu e ocorre principalmente em países pobres ou em desenvolvimento, apresentando algumas características comuns a todos.

A disseminação do acesso a medidas de prevenção de doenças, como o saneamento (principalmente fornecimento de água potável), a vacinação em massa, a popularização de medidas de higiene básica, a construção de banheiros, a criação de serviços de saúde, têm contribuído para redução da mortalidade infantil e o aumento médio da vida. Outro aspecto importante é a crescente modernização e mecanização da agricultura e do aumento da capacidade de armazenagem de grãos, fatores que contribuem para um melhor padrão de vida, expandindo a disponibilidade de alimentos. Além desses aspectos, concorreram também os avanços no setor de transportes e a expansão dos sistemas de comunicação, facilitando a transmissão de dados e informações e a transferência de valores.

Mas a melhoria das condições de vida não ocorre igualmente em todo o território. Fatores históricos e econômicos fazem com que algumas regiões se desenvolvam mais, atraindo novos moradores vindos de outras partes do país. Em função da oferta de empregos na indústria, no comércio, na construção e no setor de serviços, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte chamaram grandes levas de imigrantes entre as décadas de 1940 e 1980. Os municípios do entorno também tiveram um aumento populacional e em poucos anos formaram-se as regiões metropolitanas. A região metropolitana de São Paulo (RMSP), por exemplo, tem cerca de 25 milhões de habitantes, que vivem em seus 39 municípios. Em 2011 a RMSP representava 56% do PIB do estado de São Paulo e 16% do PIB nacional.

As regiões metropolitanas atraem um imenso fluxo de materiais e produtos, destinados ao consumo e à produção. Imensos volumes de água e eletricidade, além de combustíveis, são diariamente utilizados para manter este complexo sistema de organização econômica e social em funcionamento. Todos estes insumos são transportados para dentro das regiões metropolitanas, processados e consumidos, gerando grandes quantidades de resíduos: resíduos domésticos e industriais, efluentes e esgotos domésticos, fumaça e gases de motores e de processos produtivos. Resíduos da atividade econômica somada de dezenas de milhões de pessoas; trabalhando vivendo e consumindo.

Existem hoje no mundo 68 grandes regiões metropolitanas onde vivem cerca de 900 milhões de pessoas, reunindo uma capacidade de consumo maior do que o restante do mundo. Nestas cidades se localizam as maiores empresas e as maiores fortunas de todo o planeta. Imensas quantidades de recursos naturais fluem para estes aglomerados humanos, o que faz com que o impacto ambiental destes centros urbanos seja imenso. Especialistas preveem que a questão ambiental no século XXI passará principalmente pelas regiões metropolitanas.

*Ricardo Ernesto Rose é consultor em inteligência de mercado, desenvolve atividades de marketing, transferência tecnológica e consultoria comercial na área da sustentabilidade. Jornalista, autor, com especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Coordenou o lançamento de diversas publicações sobre os setores de meio ambiente e energia e escreve regularmente para sites, jornais e revistas. É editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com.br) e autor dos livros “Como está a questão ambiental – 100 artigos sobre a relação do meio ambiente com a economia e o clima”, “Os recursos e a cidade” e “A religião e o riso e outros textos de filosofia e sociologia”. Contatos através do site www.ricardorose.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*
*