Novas questões educacionais!
Recentemente escrevi sobre questões educacionais, como cola e interdisciplinaridade. Por conta desse artigo, recebi vários e-mails e comentários. Pude constatar que tanto professores como alunos não estão satisfeitos com as “salas de aula”.
Várias foram as propostas interessantes de reformulação do ensino que me foram apresentadas. No entanto, o mais surpreendente foi perceber que justamente é o ensino privado que mais impõe resistência às mudanças. As melhores escolas privadas visam a aprovação no vestibular. Para elas, a melhor forma de medição de aprendizagem é a aprovação no Vestibular. Assim, os “melhores” alunos, ao chegarem à universidade, muitas das vezes, não sabem aprender, não sabem pensar, e, pior, muitos nem conhecem a própria realidade. A maior parte conhece mais cidades como Miami e Nova York, do que suas próprias cidades residência.
Já nas escolas públicas, até mesmo pela privação de grandes recursos, acaba por surgir espaço para as chamadas “maluquices” dos professores. Por exemplo, tradicionalmente as escolas públicas visitam mais a Bienal do Livro do Rio de Janeiro do que as privadas, sendo que em muitos casos, a despesa de locomoção à Bienal é rateada entre os alunos e professores. Um detalhe importante a lembrar é que estes alunos de escolas públicas geralmente estão muito mais próximos da realidade geral de suas cidades e, em muitos casos, que são cada vez mais freqüentes, sabem que poucas chances de sucesso terão ao longo de suas vidas profissionais. Muitos desses alunos nunca foram a um teatro ou entraram em uma livraria. Mas, quando a vida dita erudita chega a eles, é sempre muito bem recebida.
Ainda na questão universitária, quando verificamos as faixas etárias dos universitários de instituições públicas, percebemos que são, em sua maioria, muito jovens e oriundos de uma vida escolar sem interrupções. Já os alunos de instituições universitárias privadas têm uma média de idade mais elevada, comumente caracterizadas por muitas interrupções em suas vidas escolares. Percebe-se assim o quanto é difícil aos menos favorecidos a aquisição, a conquista, do saber. Um país que discrimina, que inviabiliza, a conquista do conhecimento para a maioria da população é um país que precisa aprender!
Por Alessandro Lyra Braga, em 08/11/2009 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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Justamente. Não é só ensino público que é precário no Brasil, mas todo o sistema de educação.
Precisamos reformular nossas prioridades, dando mais opções e maior liberdade aos alunos.