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Não é impossível

Um dos problemas aparentemente insolúveis do Brasil é a avassaladora produção de lixo. Somos campeões mundiais no desperdício. Em todas as áreas, em todos os lugares. Em tempos de orçamento contingenciado, porque a arrecadação só faz permanecer em queda, mercê da trágica recessão em que o país se viu mergulhado, milhões são gastos na coleta de resíduos sólidos e na limpeza de logradouros públicos.

Na verdade, o que falta é educação. Aquela boa educação de berço que era transmitida em casa, primeiro e principalmente pelas mães. É melancólico verificar que, independentemente da escolaridade, a inconsciência ambiental prepondera. Joga-se em qualquer espaço aquilo que poderia ser aproveitado e que não deveria onerar o Erário, tão necessitado de melhor destino, pois imensas as carências da população.

Essa ausência de responsabilidade se estende em escala preocupante. Não se justifica numa nação que se diz civilizada, existir desmanches, lixões e mesmo aterros sanitários. Estes são fonte de contaminação do solo e do lençol freático. Disseminam pestes, causam epidemia, além da agressão estética e higiênica.

Entretanto, quando se quer, é possível enfrentar de outro modo esse problema. Há empresas que, ao surgir da ética ambiental de alguns poucos, se encarregam de recolher toda a alimentação que se desperdiça e de transformá-la em material para insumo da agricultura. Aquilo que seria misturado a outros elementos e que demoraria para dissolução na terra, é rapidamente convertido em fertilizante orgânico.

Até mesmo o esgoto doméstico pode ser utilizado para voltar à natureza sob a forma de água limpa e de nutriente para o solo. Isso já se faz no Rio de Janeiro, em duas empresas, ambas situadas no município fluminense de Cachoeira do Macacu. Foram objeto de interessante reportagem de André Trigueiro, ambientalista militante que é um propagador das boas práticas e atua na área há várias décadas.

Quando se quer, é possível conferir à Terra um tratamento condigno com sua importância, já que ainda é o único planeta onde ainda podemos viver. Enquanto os bons exemplos não são seguidos por todos os municípios, em cada lar a conversão pode começar, mediante sadia formação dos filhos, para que sejam amigos da natureza, não seus destruidores.

*José Renato Nalini é desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, secretário da Educação do Estado de São Paulo, imortal da Academia Paulista de Letras e membro da Academia Brasileira da Educação. Blog do Renato Nalini.

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