Momento de Reflexão
Triste o episódio registrado pelas câmeras de televisão e divulgado em horário nobre pelos telejornais entre ministros do Superior Tribunal Federal, nossa Corte Suprema. Em meio ao turbilhão em que se transformou o inventário, do qual (como herdeiro) faço parte, é justo um período de reflexão entre uma postagem e outra. Até porque, a morosidade da nossa justiça enseja o patrocínio da impunidade. E a “coragem” de desafiar a lei encontra a providencial ajuda na incompetência funcional e respaldo extra na mais que literal inércia dominante.
Não são as Leis que me preocupam, tenho dúvidas quanto a Justiça. Se a justiça não é capaz de nos proteger do que há de pior em nossa sociedade, como poderá ela garantir o que há de melhor?
A ética não é uma etiqueta que a gente põe e tira. É uma luz que a gente projeta para segui-la, do modo que pudermos, com acertos e erros, sempre, e sem, hipocrisia – dizia Herbert de Souza.
Vivemos um Brasil involutivo e retrógrado, contrario aos seus pares em desenvolvimento, onde os pilares da evolução estão firmemente calcados na educação, saúde e, principalmente, nas suas instituições jurídicas – sinônimo da verdadeira democracia.
Nessa anarquia, pós-regime militar (ou de exceção), a regra é a de estudar as leis não para aplicá-las, fazê-las cumpridas. Mas para contorná-las, sistematicamente, na errônea crença de que advogar seja sinônimo de tapear.
Nosso país se torna cada dia mais surrealista. E pior, com a condescendência de uma sociedade omissa, que só reage quando o perigo passa muito próximo. E depois… Cai no esquecimento. Cresce o estúpido esquecimento de que, cedo ou tarde, tudo isso se voltará contra nós. Mesmo porque, diante de nosso silêncio, só restam de inocentes as crianças e os loucos de todo gênero.
Falta-nos não só a critica mais apurada e inteligente, mas uma reflexão mais profunda sobre as raízes permissivas e uma atitude corajosa de romper laços pseudo-culturais e quebrar paradigmas, se é que realmente desejamos não mais nos permitir que fatos como esse (e muitos outros que acontecem por trás dos bastidores) se tornem rotina do dia-a-dia e venham a se banalizar como a violência gratuita, a institucionalização da corrupção, os mandos e desmandos de nossas autoridades que ora confundem autoritarismo com autoridade, o descalabro da nossa educação, dos nossos hospitais públicos, transportes, habitação, a indústria do habeas corpus e uma justiça repleta de metástases, em estado avançado e terminal, vistos sempre através de uma ótica puramente factual, pela mídia, inócua na sua missão (e objetivo) de informar para formar opiniões. Como está, provoca apenas deformações.
Não é só a estes Senhores, melhor à Vossas Excelências, que se lhes faltam respeito, responsabilidade e vergonha na cara. A todos nós, que rimos, aceitamos e ainda fazemos piadinhas. Lamentável!
Por Julio Cesar Pitombo, em 29/04/2009 - 11:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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