Manutenção permanente

Queria contribuir com uma ideia. O Liceu Franco Brasileiro da rua das Laranjeiras, Rio de Janeiro, usa o conceito de manutenção permanente. É uma escola privada, mas esse conceito devia ser assimilado pela nossa escola pública.

Em nossa sociedade capitalista decadente funciona a seguinte prática: em vez de manutenção permanente: deterioração constante, sucateamento permanente. Quando a coisa chega numa situação calamitosa, chama-se a imprensa para divulgar o escândalo. Aí alguma instância estatal ou governamental entra com um monte de dinheiro para a reforma. E onde tem “monte de dinheiro” tem corrupção.

E esse conceito do Liceu Franco Brasileiro vale para tudo. Vimos no caso do Teatro Municipal uma reforma tão suntuosa e brega colocando ouro em ornamentos que ficariam bem na cor cinza. Com direito a propaganda na televisão para informar que o teatro estava em obra. E posteriormente a reforma da Biblioteca Nacional ora em andamento. O Museu da Imagem e do Som, em Copacabana está à espera de “aditivos contratuais” para concluir a obra.

E essa prática do capitalismo doentio brasileiro pode ter consequências terríveis, como no caso dos bondinhos de Santa Teresa. Se houvesse manutenção permanente o acidente fatal não teria acontecido. Os abutres que apostaram na dialética: deterioração > monte de dinheiro > grana no meu bolso erraram no calculo e levaram pessoas à morte.

*Fernando Antônio Carneiro de Carvalho é historiador, formado pela Universidade Federal Fluminense, autor do livro “Açúcar, o perigo doce”.

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