Irena Sendler e a injustiça do esquecimento!

Por em 29/03/2010


Irena Sendler“A razão pela qual resgatei as crianças tem origem no meu lar, na minha infância. Fui educada na crença de que uma pessoa necessitada deve ser ajudada com o coração, sem importar a sua religião ou nacionalidade.” Irena Sendler.

Semana passada (início do mês de março/ 2010), pela proximidade da data natalícia da personagem deste texto, recebi por email o texto que segue abaixo lembrando a vida e morte de uma senhora polonesa de 98 anos chamada Irena Sendler (15 de fevereiro de 1910 – 12 de maio de 2008).

Também conhecida como “o anjo do Gueto de Varsóvia”, foi uma ativista dos direitos humanos durante a Segunda Guerra Mundial, além de enfermeira e assistente social. Em 1965 a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de Justa entre as Nações e nomeou-a cidadã honorária de Israel, apesar de na Polônia ter sido pouco reconhecida.

Não sei, infelizmente, o autor (ou autora) real do email, mas em homenagem à Irena, e também a quem anonimamente teve a coragem de não deixar passar em branco este fato, reproduzirei a notícia. Assim, o objetivo destas linhas é apenas tentar ajudar a tornar pública a vida desta senhora:

“Infelizmente faleceu em 2008 a Sra. que durante a II Guerra Mundial havia conseguido autorização para trabalhar no Gueto de Varsóvia como especialista de canalizações. Mas os seus ideais iam muito além. Sabia quais eram os planos dos nazitas relativamente aos judeus, mesmo sendo alemã.

Irena trazia meninos escondidos no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco na parte de trás da sua camioneta para crianças de maior tamanho. Também levava na parte de trás um cão a quem ensinara a ladrar para os soldados nazis quando entrava e saia do Gueto. Claro que os soldados não queriam nada com o cão e o ladrar deste encobria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer.

Enquanto conseguiu manter este trabalho, conseguiu retirar e salvar cerca de 2500 crianças. Por fim, os nazis apanharam-na e partiram-lhe ambas as pernas e os braços, e prenderam-na brutalmente.

Irena mantinha um registro com o nome de todas as crianças que conseguiu retirar do Gueto, e que guardava em frascos de vidro enterrados debaixo de uma árvore no seu jardim. Depois de terminada a guerra tentou localizar os pais que tivessem sobrevivido para reunir as familias, mas a maioria tinha sido levada para as câmaras de gás. Para aqueles que tinham perdido os pais ajudou a encontrar casas de acolhimento ou pais adotivos.

Foi indicada para receber o Prémio Nobel da Paz, mas não foi seleccionada. Quem o recebeu foi Al Gore pelas estrondosas propostas sobre o Aquecimento Global.

Não permitamos que alguma vez esta Senhora seja esquecida!!!”

Estas são também as minhas palavras.

Braço com numeração

In Memoriam de Irena Sendler.

*Adílio Jorge Marques é professor de Física e História da Ciência da rede pública e particular de ensino do Rio de Janeiro. Pesquisador em História da Ciência luso-brasileira e história das Tradições.




Por Adílio Jorge Marques, em 29/03/2010 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “Irena Sendler e a injustiça do esquecimento!”

  1. Parabéns, Adílio, por contribuir para que se mantenha viva na memória alguém mais do que digno disto. O falecimento de Irena Sendler foi uma perda para toda a Humanidade!
    Abraços,
    Caruso

    #599

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