Humanismo e Renascimento

Por em 13/11/2009

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Auto-retrato de Leonardo Da VinciAcima, auto-retrato de Leonardo Da Vinci.

Humanismo

O Humanismo foi uma ruptura taxativa com o teocentrismo medieval, ou seja, uma nova visão do Homem no Mundo, passando assim a prevalecer, dentre os intelectuais, a visão antropocêntrica, com o Homem como o centro das indagações e preocupações, onde se procurava entendê-lo como indivíduo.

O Humanismo também deve ser entendido como uma retomada dos valores da antiguidade clássica, greco-latina, valorizando as obras da Antiguidade Clássica. Os humanistas esforçaram-se em reencontrar e reunir as obras dos antigos pensadores, quase todas dispersas nos mosteiros e conventos, conservadas e copiadas por monges ao longo de toda a Idade Média. No entanto, não devemos acreditar que tenha sido o Humanismo um fenômeno intelectual que pregasse o retorno ao modo clássico de pensar, apenas usava este modo como ponto de partida para uma nova maneira de entender o mundo e o indivíduo, de glorificar o Homem. Assim, pela nova concepção de pensamento do Humanismo, o centro dos olhares intelectuais passava a ser o Homem, valorizando-se as ciências e as artes, e deixando mais de lado, mas sem abandonar, a religião e a Teologia Cristã, base doutrinária da Igreja Católica Apostólica Romana. Que, só por se considerar, se auto-nomear católica, a Igreja já se considerava universal (católica = universal).

Como fenômeno, o Humanismo foi possível graças a uma série de importantes acontecimentos, como o aperfeiçoamento da imprensa, já que livros poderiam ser editados em maior número e seu acesso passou a ser mais fácil e barato. Também o contato mais freqüente com outros povos, possibilitado pelas grandes navegações, e até a miscigenação cultural, mesmo que contida, oriunda da queda de Constantinopla, quando intelectuais bizantinos imigraram, principalmente para a Itália, trazendo consigo toda uma gama de informações e materiais de alto valor erudito. Além disso, o Humanismo despertou toda uma nova forma de ensinar, influenciando ainda o desencadeamento e evolução do Renascimento. Também, como fator que contribuiu para a difusão do Humanismo, está o mecenato, prática comum entre burgueses ricos, príncipes e até Papas, que, no interesse em dar projeção às suas cortes, financiavam as atividades artísticas, humanísticas.

O Humanismo também provocou modificações nos métodos de ensino, pois valorizou o aprendizado de línguas clássicas, como o grego e o latim, possibilitando um novo estudo da Natureza e desenvolvendo a análise e a crítica na investigação científica, gerando uma renovação cultural, influindo diretamente no desencadeamento e na evolução do Renascimento.

Renascimento

Já o Renascimento, como fenômeno histórico, nada mais foi do que a própria expressão, personificação, do movimento humanista nas artes, letras, ciências, filosofia e até na música.

Durante praticamente toda a Idade Média, no que se refere às artes e saberes, a Europa também se encontrava atrelada à Igreja Católica Apostólica Romana. Desta forma, praticamente apenas arte que simbolizasse aspectos religiosos, a chamada arte sacra, era produzida.

No entanto, com o desenvolvimento de toda uma burguesia, que pretendia se firmar como uma classe dominante ou bem próxima do poder, surgiu a figura dos mecenas, verdadeiros financiadores de obras colossais, tanto em tamanho, como em conteúdo artístico, que as financiava por uma questão de status, para mostrar o quanto de poder financeiro possuíam. Também isto passou a ser comum dentre aqueles monarcas absolutistas que queriam se perpetuar na História pelos grandes feitos. Alguns faziam até mesmo alusão às pirâmides do Egito, como imponência e prova de reconhecimento eterno.

O principal berço do Humanismo e do Renascimento foi a Itália, que também fora no passado o centro da Civilização Romana, que serviram em grande parte para influenciar os humanistas e os renascentistas, servindo para posteriormente espalhar o movimento renascentista por toda a Europa.

Os renascentistas consideravam a Idade Média como um período de trevas, a “noite de mil anos”. No entanto, as bases do renascimento foram lançadas em plena Idade Média. Muitos consideram que o Humanismo e o Renascimento tenham sido a ruptura com os valores medievais, e não uma continuidade evolutiva. De fato, o Renascimento representou uma reação aos padrões culturais medievais. Conceitos como teocentrismo foram preteridos em favor do antropocentrismo, a razão contrapôs a fé, o paganismo (não ateísmo) se opôs à religiosidade.

Porém, não foi apenas no campo das artes que o Renascimento tantas mudanças proporcionou. No campo das Ciências (Renascimento Científico) as mudanças foram ímpares, sendo que muitos cientistas daquela época, principalmente aqueles que se dedicaram ao estudo da Física, ainda hoje são glorificados e laureados, como é o caso de Nicolau Copérnico, Galileu Galilei e Johann Kepler. No campo literário (Renascimento Literário), Luís de Camões, Nicolau Maquiavel, Dante Alighieri e William Shakespeare foram alguns dos grandes expoentes do Renascimento, certamente com grande destaque. No campo das artes plásticas (Renascimento Artístico), destacaram-se, entre outros, pintores como Rubens, El Greco e mesmo o grande mestre Michelangelo, autor das pinturas que decoram a Capela Sistina. No entanto, talvez o nome que mais personifique o espírito do Renascimento e sua base humanista seja a figura de Leonardo da Vinci que se destacou em praticamente todas as áreas do pensamento humano, sendo ainda hoje bastante contemporâneo.

A relação do movimento renascentista com a burguesia é percebida no interior das grandes cidades comerciais italianas do período. Gênova, Veneza, Milão, Florença e Roma eram grandes centros de comércio onde a intensa circulação de riquezas e idéias promoveram a ascensão da nova classe artística italiana e de um novo modo de perceber o mundo. O período renascentista, para seu melhor entendimento, pode ser dividido em três períodos: o Trecento (século XIV), o Quattrocento (século XV) e o Cinquecento (século XVI). Cada período abrangendo, respectivamente, uma parte do período que vai do século XIV ao XVI.

O Trecento, também chamado de pré-renascimento foi o período que representa a fase inicial de elaboração da nova cultura renascentista, quando terão início alguns dos princípios mais importantes da nova forma artística e de pensamento Humanista, embora ainda estejam presentes uma grande quantidade de aspectos medievais. Abrangia quase que exclusivamente aos artistas italianos, em especial os da cidade de Florença.

O Quattrocento é a época das grandes realizações do Renascimento, quando ocorreu o florescimento das cidades-estado italianas independentes, como Florença, Veneza e Milão. Neste período, Florença tem um papel de destaque na cultura italiana e européia, principalmente pela ascensão da família Médici, que terão controle sobre a cidade por mais de meio século, tornando-a o centro de irradiação do Renascimento clássico cenário das suas manifestações mais importantes.

É um período de grandes realizações, da consagração do Humanismo, quando o estudo da língua grega se torna possível na Universidade de Florença, por exemplo.

No Quattrocento, as classes dominantes florentinas, por exemplo, passa a patrocinar grandes artistas, sob a forma de mecenato, financiando algumas das mais importantes obras do Renascimento. Com o acúmulo de riquezas e as expansões econômicas advindas desse acúmulo, Florença passa a “exportar” artistas para outras regiões da Itália e da Europa, difundindo assim o renascimento a outras regiões. Nas artes plásticas, principalmente na pintura, o Quattrocento florentino redescobriu a técnica perdida de criar a ilusão de volume, aprimorando o uso da perspectiva linear, com os correspondes efeitos de luz.

Na fase final do Renascimento, chamado de Cinquecento, o movimento renascentista ganhou grandes proporções, dominando várias regiões do continente europeu. Neste momento, as cidades-estado italianas começam a enfrentar graves problemas econômicos, principalmente devido às grandes navegações portuguesas e espanholas, o que acaba por gerar problemas sociais, tirando da Itália o eixo dos principais acontecimentos, e passando a Inglaterra a ter uma grande expansão de seu poder na Europa, além da independência da Holanda, após uma longa guerra de libertação contra os espanhóis, tendo, mais tarde, importante papel no movimento da Reforma. Também é neste período que surgem os movimentos da Reforma e da Contra-Reforma. Os precursores e disseminadores da Reforma foram fortemente influenciados pelos humanistas e defendiam o retorno do homem às suas origens cristãs, mas com outra concepção de sua relação com Deus, assim, o homem poderia estar próximo de Deus, que não seria mais um deus punitivo e sim um deus benevolente.

No aspecto artísticos, os grandes destaques para este período são Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael.

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Por Alessandro Lyra Braga, em 13/11/2009.

101 respostas to “Humanismo e Renascimento”

  1. Gostei da página e tem contêudo educativo e interessante…

    #5566

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