Hitler tinha lá sua razão

Por em 22/12/2011


Para o grande público, só mesmo grandes mentiras. Mentiras que façam justiça ao seu próprio tamanho, porque mentiras pequenas não lhe são de gosto. Muito antes de Platão ter chegado a esta conclusão no artifício de governar, isto não era novidade.“Me engana que eu gosto” é uma grande e antiqüíssima verdade popular. A trivialidade do óbvio só serve para entediar ainda mais as massas. Tão certo quanto macaco quer banana é o anseio por escapismos, nem que seja para uma vida futura. Governo ocidental algum abriu mão desse recurso no sistema democrático, especialmente quando não têm o menor respeito por ele.

“Numa Grande Mentira há sempre uma certa força de credibilidade; porque as extensas massas de uma nação são mais facilmente corrompidas [...] e assim na primitiva simplicidade de suas mentes eles mais prontamente caem vítimas de Grandes Mentiras do que de pequenas mentiras [...]

A força de uma grande mentira é arrebatadora porque pega todos exatamente aí, na mania de grandeza. Gente simples quer a glória. Quando alguém sabe como dizer o que todos esperavam ouvir, está eleito porque eles se sentem recompensados e dispostos a colaborar. Pensar para quê, quando crer e obedecer é o certo e muito mais fácil seguir?

Nunca ocorreria às suas cabeças fabricar mentiras tão colossais e eles não podem acreditar que outros possam ter a imprudência de distorcer a verdade tão infamemente.

Os caminhos da enganação, sejam vielas, ruas ou avenidas fazem parte da grande cidade do conhecimento acumulado ou da nossa cultura. A arte de iludir não se extingue, se aprimora. Os valores morais mostram sua utilidade na construção de belas fachadas para o embelezamento das avenidas e das ruas que as cortam. O que foi preciso para que tudo isto fosse erigido, não aparece e nem é para aparecer. Deve-se dar continuidade a crença de que só a verdade constrói porque Deus está conosco.

Mesmo que os fatos que provem que tal foi o que ocorreu possam ser apresentados claramente às suas mentes, eles, mesmo assim, duvidarão, hesitarão e continuarão pensando que deve haver uma outra explicação.”

Ao entendimento comum não é aceitável que se perturbe esse sonho de civilidade quando tantos se imaginam felizes. São malévolos os que recorrem à história para lembrá-los do contrário. Certamente hão de estar mentindo por pura vilania. Os benévolos prestigiam a tradição e levam flores a lápides de grandes pensadores no cemitério das idéias.

Adolf Hitler, Mein Kampf, vol I, ch X

“Até um relógio parado tem razão duas vezes ao dia.” (autor desconhecido)

*Ivani de Araújo Medina é carioca, nascido na Ilha do Governador em 1947. Formado em Artes Plásticas pela antiga Escola Nacional de Belas Artes na década de 1960, e autodidata e pesquisador em História do Cristianismo.




Por Ivani de Araújo Medina, em 22/12/2011 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

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