Grécia: venceu o ‘NÃO’! E agora?

GréciaFoi enfática a declaração do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras: “Provamos que a democracia não pode ser chantageada!”. Com a vitória do “Não”, o povo grego passou, realmente, a ser co-gestor de sua trajetória política e econômica, coisa quase impossível num mundo onde a política financeira baseada no lucro a qualquer custo é quase a razão de existir da humanidade. No berço da democracia e da Filosofia, mais uma lição nos foi dada!

Há tempos que a população dos países, sejam eles desenvolvidos ou não, vêm vivendo sob a égide da busca do equilíbrio financeiro que proporciona imensos lucros a poucos e angústias a muitos. Mesmo aqueles países onde a política social é muito presente, como Suécia e Noruega, por exemplo, a saúde financeira de suas economias é ditada por regras extra-fronteiras.

Em várias partes do mundo a campanha pelo ‘Não’, ganhou força como uma forma de resposta e de não aceitação à submissão às severas regras impostas pelo FMI e outros organismos financeiros europeus, que desprezam o sofrimento de toda uma população desde que o dito “equilíbrio financeiro” seja mantido. Em Londres, na Travalgar Square, por exemplo, várias pessoas se mostraram solidárias ao povo grego neste momento de profunda crise. A crise grega não é apenas uma crise econômica-financeira de um país, mas uma crise de um modo de pensar e agir de uma elite que se entende dona do mundo e detentora do poder mundial.

Segundo declarou Alexis Tsipras, agora seu governo tem “um mandato para que se chegue a um acordo, não um mandato para uma ruptura com a Europa”. Alexis ainda afirma que agora, diante de tal apoio popular, pretende voltar nesta segunda-feira à mesa de negociações com seus credores e garante que “desta vez, o perdão da dívida estará em cima da mesa”.

Após a confirmação da vitória do ‘Não’ por mais de 61%, o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, considerou que o resultado da consulta pública “pode ser uma vitória do euro com que todos podemos ganhar”. Ele ainda afirmou que nesta segunda-feira voltará a se reunir com os “parceiros europeus” para encontrar um terreno comum que possa direcionar a uma solução da crise econômica pela qual a Grécia passa. Varoufakis ainda afirmou que “As nossas feridas são as feridas da Europa. (…) A partir de amanhã, a Europa, cujo coração está a bater esta noite na Grécia, vai começar a curar as suas feridas, as nossas feridas. O ‘Não’ de hoje é um grande ‘Sim’ à Europa democrática”, acrescentou.

REPERCUSSÃO POLÍTICA NA EUROPA

Ângela Merkel e François Hollande declararam que “Temos de respeitar o voto grego”. Ambos Merkel e Hollande, se reunirão em Paris, com demais lideranças econômicas européias.

Já Marin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, voltou a falar sobre o referendo grego, desta vez apelando a um programa de ajuda humanitária para a Grécia. “Os cidadãos comuns, os pensionistas, os doentes ou as crianças no jardim de infância não devem pagar o preço pela situação dramática em que o país está e a que o governo levou o país agora. Por isso, um programa humanitário é imediatamente necessário e espero que o governo grego faça propostas construtivas e significativas nas próximas horas, permitindo que seja possível e significativo renegociar. Se não, entraremos num período muito difícil e até dramático.”

E o líder do grupo Liberal no Parlamento Europeu, Guy Verhofstadt, já se posicionou pedindo uma segunda chance para Tsipras e sua equipe. O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, pede que se “reconstruam pontes” e apela à reflexão da esquerda quando fica do mesmo lado que Marine Le Pen a festejar o ‘Não’ no referendo grego.

O que podemos perceber é que os dirigentes europeus, gostando ou não do resultado, já se convenceram é que não há outra coisa a fazer neste momento a não ser apoiar o governo grego. Caso contrário, o caos que poderá ocorrer terá resultados imprevisíveis na moderna história econômica mundial.

*Wilson de Oliveira é mineiro de Cataguases e divide sua vida entre Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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