Geração caras-brancas
A geração caras-pintadas explodiu no Brasil no ano de 1992 quando lutava pelo impeachment do então Presidente da Republica, Fernando Collor de Melo. Oito anos antes,aliás, o povo brasileiro gritou por eleições diretas, no movimento conhecido como “ Diretas já”.
No caso dos caras-pintadas, especificamente, eram – na maioria – jovens com os rostos pintados com as cores da bandeira do país, gritando por justiça, ao exercer,na prática, a cidadania. Seguiam uma linha de raciocínio lógica: Se fomos nós quem o pusemos no poder, somos nós quem vamos tira-lo de lá.
Esse tipo de pensamento é bem convincente, entretanto parece ter sido esquecido – ou ignorado – pelos (na teoria) principais interessados: Os próprios políticos. Pense comigo, caro leitor: Na iniciativa privada, o patrão escolhe o candidato que lhe parece ser o melhor futuro empregado, lhe paga um determinado salário e se tal funcionário comete algum equivoco grave, o chefe simplesmente o demite e contrata outro.
Então, por que na política – mesmo sendo eleitos, “são funcionários públicos“ – seria diferente? Não pode, e nem deve o ser. Gosto da teoria de que os políticos são funcionários do povo e por uma razão muito lógica se fizermos uma comparação com a dinâmica de contratação empresarial anteriormente citada.
Para os cargos políticos eletivos, a população vota no melhor candidato, de quem, por meio dos encargos, paga o salário e a quem, por meio dos mesmos, dá condições de trabalharem. Lembram-se de que, até agora, são as mesmas tarefas que na iniciativa privada cabem ao patrão?
Pois então, se cabe a tal patrão demitir seu funcionário, por que não poderia a população demitir o candidato eleito? E ai é que entra a chave da questão: A população deve fazer isso, só não sabe que o pode, devido, em grande parte, à lavagem cerebral feita pela ditadura militar durante muitos anos de nossa “historia recente”, como retirar do currículo escolar disciplinas de sociologia e filosofia.
Atualmente, acredito não haver necessidade de demitir nenhum chefe do poder executivo, mas julgo imprescindível que a população saiba que, se houvesse necessidade, poderia fazê-lo. Além disso, deve saber que tem uma grande incumbência de chefe: A de cobrar, por mais que os resultados momentâneos sejam satisfatórios. A população tem que mostrar que quer sempre mais e que, independente dos resultados, estará sempre de olho.
Quanto ao legislativo, não temos tanta sorte. A crise do senado – diga-se de passagem ela não é de seu presidente, ele é apenas um dos muitos protagonistas dessa trama – nos deixa clara a necessidade de intervenção suprema.
E intervenção suprema, assim como dentro de uma empresa, é intervenção do patrão: neste caso, do povo! Este tem duas opções: Exercer o papel de chefe e cobrar explicações ou simplesmente não lutar por seu patrimônio (financeiro, histórico,cultural) e o entregar de “mão beijada” a funcionários mal intencionados. E isso, acreditem, pode nos levar à “falência”.
*Bruno Fernandes Carvalho é presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Santo Inácio, já tendo participado do Grêmio Estudantil do Colégio de Aplicação da UFRJ, da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro e do DCE-PUC/RIO como colaborador externo secundarista, sendo, atualmente, militante da Juventude do PMDB do Rio de Janeiro. Também no Colégio Santo Inácio, é professor voluntário de Língua Portuguesa do curso noturno de Educação de Jovens e Adultos
Por Bruno Fernandes Carvalho, em 27/07/2009 - 00:10. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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