Futebol: a arte de encantar o desencantado!
Já não é de hoje que o esporte é utilizado como forma de manter hegemonicamente uma postura política ou até sociológica sobre o povo de um determinado país. Observamos um pouco da história para podermos entender que em determinados momentos, a vitória em uma Copa do Mundo era de vital importância até para a manutenção de um regime, de uma política, ou de uma posição frente ao mundo. Vamos observar algumas dessas Copas para tentarmos entender um pouco essa “ótica”. Em primeiro lugar temos de ter em mente que a FIFA é a segunda maior instituição internacional com 208 membros, ficando atrás apenas da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) que possui 212 membros, sendo maior em número de membros do que a ONU e o COI da qual ela é afiliada.
Vamos agora passear um pouco pelas copas e tentar entender o que acontecia nesses momentos sobre a face da Terra. Para observarmos melhor esta situação vamos nos pautar em algumas copas e em alguns pontos em especial. Copas: Itália 1934 – Campeã – Itália • França 1938 – Campeã – Itália • México 1970 – Campeão – Brasil • Alemanha Ocidental 1974 – Campeã – Alemanha Ocidental • Argentina 1978 – Campeã – Argentina • México 1986 Campeã – Argentina • Itália 1990 – Campeã Alemanha Ocidental (ou só Alemanha) • França 1998 – Campeão – França.
Dos sete únicos campeões temos as seguintes participações em finais: Brasil e Alemanha – sete vezes cada um; Itália – seis vezes; Argentina – quatro vezes; Uruguai e França – duas vezes cada uma e Inglaterra – uma única participação, com uma coincidência daquelas que quero comentar à frente: foi na Inglaterra a Copa e ela foi campeã. Ai vem alguma coisa inexplicável que tentarei pelo menos lançar mais alguma dúvida sobre o fato.
Copas de 34 e 38, onde? Na Europa em ebulição pelo Fascismo e Nazismo, na Itália de Mussolini e na França, onde a Alemanha já estava de olho, tanto que em questão de meses, no começo da Segunda Guerra, dominou-a facilmente. A Itália se sagra campeã, e o mais estranho era esse o país de um dos dominadores da Europa da Época. Hitler preferiu os Jogos Olímpicos de 36 e acabou humilhado pelo afro-americano James Cleveland “Jesse” Owens. Estranho que tal fato político possa ser observado junto ao processo esportivo. Um país poderoso ganha a competição do esporte mais popular do mundo, isso é propaganda sobre superioridade? Talvez.
México – 1970 – Campeão – Brasil. Estávamos nós num dos momentos mais duros e difíceis de nossa história recente, estamos dentro do Governo Médici, em plena Ditadura Militar, João Saldanha inicialmente era o técnico da seleção, por alguma força da natureza política na antiga CBD, o trocou por Zagalo, tudo bem fomos campeões, mas, esse campeonato foi muito mais útil a Ditadura Militar que ao esporte, propriamente dito.
Alemanha – 1974 – Campeã – Alemanha. Uma série de acontecimentos marcaram anos antes essa copa – “No início dos anos 1970, a Ostpolitik de Willy Brandt levou ao reconhecimento mútuo entre as duas repúblicas. O Tratado de Moscou (de agosto de 1970), o Tratado de Varsóvia (de dezembro de 1970), o Acordo dos Quatro Poderes de Berlim (de setembro de 1971), o Acordo de Trânsito (de maio de 1972), e o Tratado Básico (de dezembro de 1972) ajudaram a normalizar as relações entre os dois países fazendo com que ambos se juntassem à ONU” (Wikipedia). Com essa sucessão de fatos marcando um período de mudanças na Guerra Fria onde a Alemanha que era na verdade a grande marca dessa guerra, visto ser o país de duplo regime (Ocidental – Capitalista e Oriental – Socialista), dentro da Europa. A Alemanha Ocidental vencer era importantíssimo para as pretensões capitalistas no mundo, contra o regime socialista, lembrando que sempre foram muitos mais países capitalistas a estarem dominando economicamente a FIFA, a vitória de uma seleção capitalista no país sede sendo este um marco da Guerra Fria, era no mínimo uma propaganda e tanto.
Argentina – 1978 – Campeã – Argentina. Outro episódio onde a ditadura militar de um país faz com que a vitória de sua seleção em solo pátrio seja um marco positivo ao seu favor. Neste caso vale lembrar um resultado que até hoje esta dentre os inexplicáveis: Argentina 6 x 0 Chile. Se a Argentina não ganhasse de seis gols esta partida estaria fora da copa, deixando para o Brasil a disputa da final. Mais uma vez a política atrapalhava o espetáculo e a FIFA fechava os olhos ao assunto.
Ai vamos falar sobre jogos de “cumpadre”. Copa de 86 e de 90. Essas duas copas, eu entrego o jogo, será reclamação de torcedor, mas, que ficou um jogo de “cumpadre” foi. Num a Argentina vence a Alemanha por 3 x 2, diga-se de passagem, Maradona pode até ser um dos grande gênios do futebol como jogador, como técnico ele está bonitinho de Jorge Aragão, mas, gol de mão? E o Time da Alemanha era muito melhor que o da Argentina. Na copa seguinte, 1990, o mundo vivia o tumulto do fim da Guerra Fria com a queda do Muro de Berlim em 89, e da possível reunificação das duas Alemanhas. Em 08 de Julho, com um pênalti, meio Mandrake, do Sensini sobre o Völer a Alemanha se vinga da derrota de quatro anos. Vinga-se ou seria uma premiação pela reunificação que iria acontecer três meses depois em 08 de Outubro de 1990? Mais uma vez a FIFA não vê os aspectos políticos que permeavam as finais de uma Copa do Mundo?
França 1998 – Campeão – França. Nessa Copa vamos observar uma França que não era esse poderio futebolístico todo ser campeã. Mais uma vez um país sede, poderoso dentro da FIFA, tinha em suas mãos a possibilidade de ganhar uma Copa, a sua única, e quem viu México e França, ontem (17/06/10), viu o que eu falo. A França só tinha de bonito o uniforme, nada mais. E ainda tem o inexplicável mal súbito noturno de Ronaldo Fofômeno, que desestabiliza a seleção e dá a vitória à França. O Brasil era mais time, mas, mais uma vez a política pode ter tido um dedinho dela nessa final.
Agora estamos em 2010, com zebras e mais zebras aparecendo. Só espero que em 11 de Julho não tenhamos alguma nova surpresa deste mundo futebolístico. Mas em se tratando de futebol e de FIFA, tudo é possível, até o Ricardo Teixeira ser o próximo presidente. Mas… Se ele for presidente, em 2014 a Copa é no Brasil… Hexacampeõeees, Hexacampeõeeees, Hexacampeõeeees.
Niterói, 18 de Junho de 2010
*Lugus Chrispino é o pseudônimo de Luiz Gustavo dos Santos Crispino, professor de História da rede pública de Niterói e de outras instituições.
Por Lugus Chrispino, em 19/06/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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