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	<title>Debates Culturais - Liberdade de Idéias e Opiniões</title>
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		<title>Professor, qual é o teu trabalho?</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 03:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo Henrique Marques de Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo Henrique Marques de Souza]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao contrário do que pensam os pragmáticos, o que chamamos de "trabalho" não está ligado apenas a produção, salário e consumo. Ele possui diversas outras nuances, que devem ser consideradas. No caso dos professores, por exemplo, um detalhe é fundamental para se perceber isso. Estou falando do período das férias. Quando uma pessoa me pergunta o que faço, digo que sou escritor e professor, nessa ordem, porque minha atividade intelectual mais frequente é a da escrita, seguida pela da sala de aula. E então, para descontrair, digo que o salário é baixo, mas as férias compensam, porque temos dois meses e meio de férias todo ano.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Professor2.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Professor2.jpg" alt="" title="Professor" width="218" height="231" class="aligncenter size-full wp-image-16225" /></a>Ao contrário do que pensam os pragmáticos, o que chamamos de &#8220;trabalho&#8221; não está ligado apenas a produção, salário e consumo. Ele possui diversas outras nuances, que devem ser consideradas.</p>
<p>No caso dos professores, por exemplo, um detalhe é fundamental para se perceber isso. Estou falando do período das férias.</p>
<p>Quando uma pessoa me pergunta o que faço, digo que sou escritor e professor, nessa ordem, porque minha atividade intelectual mais frequente é a da escrita, seguida pela da sala de aula. E então, para descontrair, digo que o salário é baixo, mas as férias compensam, porque temos dois meses e meio de férias todo ano.</p>
<p>Geralmente, no momento seguinte as pessoas mandam logo: <em>&#8220;Pô, bom isso.. dá pra descansar bem&#8221;</em>. E então hoje pensei sobre isso.</p>
<p>A verdade é que temos férias maiores por dois motivos: primeiro, porque os alunos também entram de férias. Logo, não há a necessidade de estar no local de trabalho, se o que fazemos lá é dar aula. E segundo, porque a profissão de professor demanda um tempo extra de trabalho que é realizado em casa, como correção de provas e de trabalhos e a preparação das aulas, que demanda pesquisa e atualização constante. Esse extra é inclusive contabilizado no cálculo do salário (pra você ver como é pequeno, porque mesmo assim fica pouco), ou seja, ao invés de se multiplicar os tempos semanais por 4, multiplicamos por 4,5, esse meio por cento representando, então, o extra do trabalho exterior à sala de aula.</p>
<p>Pois bem. Voltando ao comentário do descanso, quando me dizem isso, que as férias servem pra descansar, esclareço que, no meu caso, acaba sendo um período de maior atualização, porque, se consigo ler uma média de 4 livros num mês de trabalho intenso, esse número dobe pra 8, até mesmo 10, num mês de férias. E então as pessoas acabam perguntando se eu não descanso.</p>
<p>Ora&#8230; descanso muito e talvez até mais do que muita gente. A diferença é que cheguei ao entendimento de que a ideia de que devemos &#8220;apenas descansar&#8221; nas férias é duplamente falsa, por dois motivos. Primeiro, a cabeça da gente nunca descansa. Quando você acha que tá vendo um filme só pra se divertir, o seu imaginário tá ali absorvendo um monte de coisas, de uma forma sempre intensa. Reflexão e diversão não são diferentes, nesse sentido. A única diferença em jogo aí é, ou se alienar, ou pensar junto com as coisas que chegam pra você. E segundo porque o período de férias prolongadas deve servir, aí numa perspectiva moral e ética, para que os professores se atualizem de uma forma mais intensa, por causa do tempo extra que ganham.</p>
<p>O resultado é, como se pode perceber, o contrário. A maioria dos professores simplesmente abandona os estudos e as atualizações nas férias, se entregando ao &#8220;nobre&#8221; exercício da preguiça, para então só voltar a pensar a respeito das coisas na volta às aulas. E mesmo assim, a maioria se restringe à sua disciplina específica, se limitando a ser não mais que um mero especialista, que não consegue enxergar as coisas de forma ampla e interdisciplinar. Em suma: produzem aulas, ganham salários e consomem como pessoas comuns, mas não usam o tempo que a legislação fornece para se aprofundar mais que no tempo normal..</p>
<p>O trabalho crítico não acaba quando você sai da sala de aula, ou mesmo quando desliga o computador depois de preparar uma aula. Ele está em cada esquina, em cada diálogo que você vive, em cada livro que você lê &#8211; ou deixa de ler. E, na verdade, isso deveria servir para todos (já que todos são direta ou indiretamente influenciados pela educação). Mas principalmente para alguém que escolhe a imensa responsabilidade de ser um mestre. Talvez esse seja um dos motivos da educação tão fraca que temos no Brasil atual&#8230;</p>
<p><em>*<strong>Marcelo Henrique Marques de Souza</strong> é do Rio de Janeiro. Ele mesmo declara: “Sou escritor e professor de um monte de coisa ligado às ciências que chamam de &#8220;humanas&#8221;, como se houvesse alguma ciência de cachorro. Ensino (e aprendo) filosofia, redação, literatura, ética e cidadania e preparação de monografia, no ensino fundamental 2, ensino médio, graduação de pedagogia e pós-graduação em &#8216;educação e comunicação&#8217; e &#8216;psicopedagogia&#8217;. Meus textos são ensaios e artigos críticos da lógica ocidental, que se baseia na tríade patética que mistura a sacanagem do mercado (a propaganda incluída), a hipocrisia do cristianismo e a falácia dos racionalismos. É contra isso que busco a impostura da crítica”.<br />
</em></p>
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		<title>O sentido e a dinâmica da oração segundo os padres do deserto</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/o-sentido-e-a-dinamica-da-oracao-segundo-os-padres-do-deserto/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 03:02:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Kadu Santoro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Kadu Santoro]]></category>

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		<description><![CDATA[Não é de hoje que o ser humano vem se perguntado sobre como deve-se orar, e qual é a forma adequada para tal prática religiosa? Afinal de contas, em que consiste orar, especialmente aqui no ocidente? Qual é a diferença entre contemplação e oração? Sabemos que ao longo da história cristã, principalmente entre o terceiro e quarto século da nossa era, quando as perseguições do império romano aos cristãos se intensificaram, muitos desses, se retiraram para o deserto, levando consigo apenas preciosos escritos da tradição primitiva e passaram a levar uma vida monástica, buscando através deste modus vivendi atingir maior conhecimento sobre as escrituras sagradas e uma união mística com Deus.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/O-sentido-e-a-dinâmica-da-oração-segundo-os-padres-do-deserto1.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/O-sentido-e-a-dinâmica-da-oração-segundo-os-padres-do-deserto1.jpg" alt="" title="O sentido e a dinâmica da oração segundo os padres do deserto" width="220" height="201" class="aligncenter size-full wp-image-16097" /></a>Não é de hoje que o ser humano vem se perguntado sobre como deve-se orar, e qual é a forma adequada para tal prática religiosa? Afinal de contas, em que consiste orar, especialmente aqui no ocidente? Qual é a diferença entre contemplação e oração?</p>
<p>Sabemos que ao longo da história cristã, principalmente entre o terceiro e quarto século da nossa era, quando as perseguições do império romano aos cristãos se intensificaram, muitos desses, se retiraram para o deserto, levando consigo apenas preciosos escritos da tradição primitiva e passaram a levar uma vida monástica, buscando através deste modus vivendi atingir maior conhecimento sobre as escrituras sagradas e uma união mística com Deus.</p>
<p>Esses homens são chamados segundo a tradição cristã de pais do deserto, que tornaram-se monges. Foi nessa árida paisagem que eles conseguiram desenvolver muitos pensamentos e reflexões em torno das tradições antigas, entre eles, exercícios espirituais, métodos e disciplinas monásticas, regras de convivência em comunidade, ascese espiritual, etc.</p>
<p>Segundo os pais do deserto, a contemplação consiste na verdadeira e pura forma de oração, aquela oração que se encontra acima dos pensamentos e sentimentos, que define-se como a união mística com Deus. Para Evágrio Pôntico <strong>[1]</strong>, a oração contemplativa consiste no mais belo presente dado por Deus, pois assim, o homem pode alcançar a união mística com o seu Criador.</p>
<p>A forma como as pessoas hoje em dia oram, não tem nada a ver com a essência desta prática, pois o que fazem na verdade, é apenas ficar dialogando com o sobrenatural, cobrando, lamentando e lembrando a Deus todo o que ele deve fazer, em outras palavras, esse tipo de oração que aprendemos de forma distorcida na maioria das igrejas, não passa de uma forma de neurose obsessiva de ficar pedindo e suplicando a todo momento, onde de um lado está Deus, como um realizador de desejos, pronto para atender os pedidos e solicitações da humanidade num passe de mágica, e do outro, milhões de pessoas dizendo para ele o que precisam, buscam e sonham conseguir. É uma relação de troca apenas, fruto da antiga teologia da retribuição do Antigo Testamento, onde o homem obedece a Deus e assim é recompensado.</p>
<p>Para os pais do deserto, a dinâmica da oração é totalmente oposta ao modelo que é praticado hoje em dia pelos “cristãos”. É um tratamento íntimo com Deus, onde nada pode desviar a mente do homem nesse momento, sua mente deve estar pura, vazia, pronta para a realização da união mística com Deus. Através da oração, o homem deve-se libertar inicialmente de suas paixões e, sobretudo, da ira, das ansiedades e preocupações, lembrando daquela passagem bíblica: <em>“Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.”</em> (Mt.11.28). Também é necessário desligar-se dos pensamentos piedosos. Não deve-se apenas pensar em Deus, mas unir-se a Ele. Evágrio diz: <em>“Quando uma pessoa já se tiver libertado das paixões perturbadoras, isto ainda não significa que ela também já esteja em condição de rezar verdadeiramente. Pois é possível que ela apenas conheça os pensamentos mais puros, porém deixa-se seduzir a pensar sobre eles, e com isso está muito distante de Deus”</em> (Evágrio, SobreOra 55).</p>
<p>Segundo os pais do deserto, é através da contemplação que se alcança o estado de paz profunda, onde descobrimos dentro de nós um espaço de total silêncio, é nesse momento que Deus habita em nós e fala aos nossos corações aquilo que precisamos ouvir e não o que queremos ouvir. Evágrio chama esse espaço de silêncio de “lugar de Deus” ou “visão de paz”. Em uma carta enviada a um amigo, Evágrio escreve: <em>“Se o intelecto, por meio da graça de Deus, foge destas coisas (isto é, das paixões) e se desprende do seu homem velho, então sua própria situação durante o tempo da oração lhe parece como uma safira ou da cor do céu. É o que a Escritura chama de lugar de Deus e que os antigos viram no monte Sinai. A Escritura também chama este lugar de visão de paz, onde a pessoa contempla em si mesma aquela paz que é mais sublime que toda a compreensão e que guarda e protege nosso coração. Pois num coração puro é forjado um outro céu, cuja visão é luz e cujo lugar é espiritual, e em que, de uma maneira maravilhosa, pode ser avistado o conhecimento dos entes – isto é, das coisas. Pois também os santos anjos se reúnem perto daqueles que lhes são dignos”</em> (Evágrio, CartDes 39).</p>
<p>Podemos então definir, segundo os ensinamentos preciosos dos pais do deserto, que é através da oração que o homem se torna capaz de ver sua própria luz interior. E é através desta luz que ele descobre a sua própria natureza, essa que é parte integrante do Uno. Este lugar de encontro com Deus, é o lugar onde nossa alma encontra a verdadeira paz interior (Fp.4.7), e onde também alcançamos discernimento suficiente para sermos restaurados e todas as nossas feridas passam a ser sicatrizadas. Quem atinge esse estágio durante o período de suas orações, pode-se dizer que sabe realmente orar em comunhão profunda com Deus, todos os pensamentos em relação ao mundo e as pessoas que nos feriram desaparecem, as paixões já não controlam mais o nosso ser, não possuímos mais barreiras, preconceitos e indiferenças. Essa é a verdadeira meta de buscarmos viver na senda espiritual. Mestre Eckhart, um grande místico cristão da idade média, resume numa simples frase a essência mais profunda da oração: <em>“Se por toda sua vida, sua oração foi apenas, obrigado, isso já bastaria”.</em></p>
<p><strong>[1]</strong> Evágrio do Ponto (ou Evágrio Pôntico, em grego Euagrios Pontikos; c. 346 no Ponto &#8211; 399/400 no Egito) foi um escritor, asceta e monge cristão. Evágrio dirigiu-se ao Egito, a «Pátria dos Monges», a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egito. Seguidor das doutrinas de Orígenes foi por diversas vezes condenado – de fato, Evágrio teve importante papel na difusão do Origenismo entre os monges do deserto egípcio, tendo-se tornado líder de uma corrente monástica origenista.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong></p>
<p>GRÜN, Anselm; <strong>O céu começa em você: a sabedoria dos padres do deserto para hoje</strong>; 18º edição; tradução de Renato Kirchner; Petrópolis – RJ; Vozes; 2010. </p>
<p><em>*<strong>Kadu Santoro</strong> é designer gráfico, teólogo, professor e pesquisador, residente na cidade do Rio de Janeiro, responsável pela publicação do <strong>Jornal Despertar</strong>, um informativo teológico e filosófico e do blog <strong><a href="http://www.jornaldespertar.blogspot.com">www.jornaldespertar.blogspot.com</a></strong><br />
</em></p>
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		<title>A praga</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/a-praga/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 03:01:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Oliveira</dc:creator>
				<category><![CDATA[João Oliveira]]></category>

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		<description><![CDATA[Para que este texto possa fazer o efeito desejado, tente se imaginar na pele do personagem principal, numa empatia construtiva com o pai, chefe de família que tem uma esposa e uma linda filha de cinco anos. Ao final, não apresse a leitura, procure elucidar o questionamento antes de ler a conclusão. Está história não é minha, ouvi ou li em algum lugar, mas faz tanto tempo que não consigo identificar a fonte, apenas estou recontando algo que me marcou e , acredito, pode ter o mesmo efeito em você. Boa leitura. Naquela manhã, como de costume, você saiu cedo para trabalhar. No carro, no banco de trás, sua filha. No caminho para a faculdade, onde trabalha como professor, você a deixaria no colégio, como todos os dias. A pequena olhava pela janela descobrindo o mundo e se entusiasmando com tudo que estava ocorrendo lá fora. Sua atenção principal era com os cães, não era segredo que ela desejava ter um filhote, mas morando em um pequeno apartamento ter um animal não era uma opção.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/A-praga.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/A-praga.jpg" alt="" title="A praga" width="240" height="190" class="aligncenter size-full wp-image-16152" /></a>Para que este texto possa fazer o efeito desejado, tente se imaginar na pele do personagem principal, numa empatia construtiva com o pai, chefe de família que tem uma esposa e uma linda filha de cinco anos. Ao final, não apresse a leitura, procure elucidar o questionamento antes de ler a conclusão. Está história não é minha, ouvi ou li em algum lugar, mas faz tanto tempo que não consigo identificar a fonte, apenas estou recontando algo que me marcou e , acredito, pode ter o mesmo efeito em você. Boa leitura.</p>
<p>Naquela manhã, como de costume, você saiu cedo para trabalhar. No carro, no banco de trás, sua filha. No caminho para a faculdade, onde trabalha como professor, você a deixaria no colégio, como todos os dias. A pequena olhava pela janela descobrindo o mundo e se entusiasmando com tudo que estava ocorrendo lá fora. Sua atenção principal era com os cães, não era segredo que ela desejava ter um filhote, mas morando em um pequeno apartamento ter um animal não era uma opção.</p>
<p>No rádio uma noticia de uma doença que estava fazendo vitimas na África. Um tipo de gripe, chamado de Influenza Maledita era fatal em 48 horas a todos que a contraíam; já contavam dezenas de mortes em uma comunidade rural.</p>
<p>Quando chegou em casa, lá pelas 20h00 ainda ouviu algo na televisão sobre a tal doença. Agora a informação afirmava que uma decisão radical havia fechado os principais aeroportos da África, pois havia o risco do vírus migrar para outros países.</p>
<p>A semana passou rápido e as notícias só pioravam. Londres, Lisboa, Paris já apresentavam pacientes com o perfil desta nova praga. Alguns foram a óbito em menos de 24 horas. As pessoas não estavam mais transitando pelas ruas com medo de contraírem a tal Influenza Maledita. Mais de 1.500 vítimas na Europa.</p>
<p>Mesmo com todo o aparato de segurança a doença chegou aos Estados Unidos e se espalhou rapidamente, numa progressão exponencial não explicada pelos médicos. Aparentemente o vírus, que já havia contaminado as pessoas meses antes e estava latente, agora, por algum motivo não detectado, começa a se tornar visível na sua forma mais brutal. A conta, em todo o mundo, já passava de 30.000 mortos.</p>
<p>O mundo está em pânico. Não existe cura. O Brasil fechou todos os aeroportos e principais rodovias. Vítimas em capitais como Rio, São Paulo e Brasília sinalizavam para o trânsito de passageiros em aeroportos internacionais. O vírus havia sido importado e, sem estradas, ele não afetaria o interior. O país começa a sofrer sérias restrições de abastecimento.</p>
<p>Você está seguro em seu lar. Não há aeroportos onde mora e, até agora, nenhuma pessoa na cidade havia manifestado o vírus. Por motivo de segurança as escolas estavam fechadas e todos estavam em suas casas só saindo em situações emergenciais. As ruas estavam desertas, o medo imperava sobre todos.</p>
<p>Uma notícia na faculdade onde você dá aulas: &#8211; Os cientistas têm uma esperança!</p>
<p>No laboratório de ciências biológicas um doutor, conhecido seu, fala aos jornais e TV: <em>“- Se pegarmos o sangue de alguém que apresente características genéticas refinadas, em relação ao perfil do vírus da Influenza, poderemos criar uma vacina!”</em></p>
<p>Que notícia ótima! O cientista pede a todos que se apresentem na faculdade para deixar uma amostra de sangue. Como a cidade ainda não havia apresentado nenhum caso da doença, a chance de se conseguir o tipo se sangue especial e o código genético intacto era grande.</p>
<p>Todos foram ao laboratório. As filas eram imensas de pessoas, com boa vontade, querendo ajudar. Você foi, levou sua esposa e filha e, depois de uma espera de duas horas, recebeu a notícia. Entre todos os 100.000 habitantes da cidade só uma pessoa tinha apresentado o sangue no perfil ideal para a base da fabricação da vacina: sua filha!</p>
<p>Esta era uma ótima notícia! No entanto o médico responsável pela coleta não compartilhava desta alegria: <em>“- Ela é muito pequena, vamos precisar tirar todo o sangue para ter algum sucesso!”.</em></p>
<p><em>“- Qual é o problema? Façam isto rápido! Salvem o mundo.”</em> – disse você entusiasmado com a possibilidade de cura – <em>“O que está errado? Não existe transfusão de sangue, tira-se um e colocasse outro&#8230;”</em></p>
<p>O médico finaliza: <em>“- O senhor não está entendendo, isto não é possível, ela não irá sobreviver!”</em></p>
<p>Agora a alegria dá lugar ao desespero. Você e sua esposa se abraçam. O mundo precisa da cura; hoje o número de vítimas passa de dois milhões, não há um só país que não esteja na lista de infectados. O que fazer, como fazer?</p>
<p>Uma reunião ecumênica na sua casa reuniu pastores, padres e outros representantes que, de uma maneira muito gentil, não deram uma opinião final, não tentaram influenciar você e sua esposa numa decisão. Mas estava claro, sua filha iria morrer. </p>
<p>Você levou um pequeno filhote para ela, um cãozinho, que iria viver muito mais que sua pequena jóia. Linda e inocente, ela estava feliz com o tratamento que os médicos estavam dando a ela. Todos eram gentis e o foram até o final.</p>
<p>Sangue retirado, vacina feita, sucesso absoluto. Helicópteros enormes pousaram no pátio da faculdade levando esperança para milhões de pessoas. A corrida da morte estava cessando. O mundo estava curado.</p>
<p>Um ano se passou, hoje a ONU vai fazer uma homenagem à sua filha: pelo sacrifício de uma vida inocente e pela saúde de 7 bilhões de habitantes. Você se coloca diante da TV, afinal é uma transmissão em cadeia mundial, se senta com sua esposa no velho sofá ao lado da pequena cadela, lembrança sempre presente do carinho da sua filha.</p>
<p>Não é possível ouvir o som da televisão. Por mais que você aumente o som que vem da rua é muito alto. Uma música horrível está sendo executada em um nível alarmante. Você se coloca na janela e olha para baixo. Jovens, que bebem e dançam na rua, animados por um carro, com as portas abertas e o som no último volume. </p>
<p>Como isto é possível? Como essas pessoas não se importam com sua dor? Quem são estes animais que não respeitam um momento de respeito pela sua filha que foi a responsável pela cura da doença mais fatal enfrentada pela raça humana?</p>
<p>A pergunta, deste texto, que deve levar a uma pequena reflexão é: &#8211; Quem deve estar sentindo a mesma coisa que você agora? Quem deve estar, neste momento, compartilhando do mesmo sentimento? – pense um pouco antes de ler o próximo parágrafo.</p>
<p>Os seres humanos agem conforme seus interesses e é raro aquele que olha para fora de si com a intenção de beneficiar a todos, mesmo que isso o prejudique. A nossa condição de humanidade é o que nos eleva, mas também é o que nos declina.</p>
<p>Somente quem deu a vida de um filho para salvar o mundo pode sentir o mesmo: Deus. Ele deu todo o sangue se seu único filho, Jesus, para lavar os pecados do mundo e, no entanto, poucos são os que manifestam respeito por este sacrifício.</p>
<p>Obrigado pelo tempo dedicado a esta leitura, boa vida!</p>
<p><em>*<strong>João Oliveira</strong> é psicólogo (CRP 05-32031) e professor Universitário com mestrado em Cognição e Linguagem pela UENF-RJ, também tem formação em Publicidade e é diretor de Cursos do ISEC &#8211; Instituto de Psicologia Ser e Crescer com sede no Rio de Janeiro. &#8211; E-mail para correspondência: oliveirapsi@gmail.com . Autor do Livro: <strong>&#8220;Saiba Quem Está á Sua Frente&#8221;</strong> pela WAK-Editora.</em><br />
.</p>
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		<title>Cultura do dinheiro</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/cultura-do-dinheiro/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 03:03:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bruno Peron Loureiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Peron Loureiro]]></category>

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		<description><![CDATA[Bendita a época em que o dinheiro deixará de ser um artifício de deturpações, ganâncias e vaidades, resgatará a finalidade de sua criação, e voltará a ser unicamente facilitador de trocas de valores, cujo procedimento era feito pelo escambo. Deixaremos, ainda, de testemunhar a malversação do dinheiro, o desperdício em bens materiais supérfluos, o consumismo exacerbado, e o bloqueio que muitos sentem por não poder comprar o básico de que precisam para subsistir dignamente. Punge que muitos vivam abaixo da "linha de pobreza". A concentração de dinheiro continua apontando vítimas e formando delinquentes.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Cultura-do-dinheiro.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Cultura-do-dinheiro.jpg" alt="" title="Cultura do dinheiro" width="220" height="197" class="aligncenter size-full wp-image-16148" /></a>Bendita a época em que o dinheiro deixará de ser um artifício de deturpações, ganâncias e vaidades, resgatará a finalidade de sua criação, e voltará a ser unicamente facilitador de trocas de valores, cujo procedimento era feito pelo escambo (troca de bens ou serviços).</p>
<p>Haverá um tempo em que migrantes não sairão em busca de trabalho, uma vez que seus lugares de origem saciarão a demanda, o dinheiro não será o objetivo precípuo do labor, porquanto estaremos mais dispostos a oferecer à sociedade aquilo que mais saibamos fazer sem o risco de não ter com que pagar as contas de cada mês.</p>
<p>Deixaremos, ainda, de testemunhar a malversação do dinheiro, o desperdício em bens materiais supérfluos, o consumismo exacerbado, e o bloqueio que muitos sentem por não poder comprar o básico de que precisam para subsistir dignamente. Punge que muitos vivam abaixo da &#8220;linha de pobreza&#8221;.</p>
<p>A concentração de dinheiro continua apontando vítimas e formando delinquentes. A Polícia Civil apreendeu notas de Reais e Euros que somam mais de R$ 3 milhões numa mansão em área nobre do Rio de Janeiro, em dezembro de 2011. A ação faz parte da Operação Dedo de Deus, que prevê prisão de criminosos, inclusive políticos, também de alguns estados nordestinos.</p>
<p>O dinheiro corrompe o homem ou este faz mal uso daquele?</p>
<p>Há situações inapeláveis em que o cidadão tem que trabalhar quase forçosamente a troco das notas que lhe trarão sustento, mas há que cuidar-se para que a obsessão pelo dinheiro não escravize o trabalhador a ponto de que se tenha três ou mais empregos, viva-se para a acumulação, e negligenciem-se outros aspectos da vida, tão caros para a qualidade.</p>
<p>Pelo dinheiro, migrantes sujeitam-se a trabalhos árduos a fim de que paguem, ao menos, as despesas de sobrevivência. Quando é possível, remetem parte de seus proveitos às famílias que deixaram alhures.</p>
<p>A partilha da riqueza brasileira constitui um dos grandes desafios em políticas públicas nos anos vindouros. Guido Mantega, ministro da Fazenda, anunciou que o Brasil termina 2011 como a sexta maior economia mundial com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,4 trilhões e que só não supera o de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.</p>
<p>O discurso dos economistas e líderes deste setor louva a inserção do Brasil em grupos de comércio e foros internacionais importantes, mas não nos exime o esforço de mudar a cultura do dinheiro, que tanta aflição causa nas mentes indefesas e despreparadas. Uma tarefa global.</p>
<p>Os jovens, assim, não podem crescer associando o acúmulo de dinheiro com o sucesso profissional, como se o primeiro fosse condição necessária do segundo. É preciso oferecer à juventude opções menos materialistas que lhe permitam &#8220;vencer na vida&#8221; sob risco de que, do contrário, dê-se um jeito de enriquecer se não for pelas vias formais e legais. A família desenha o ponto de partida do trajeto educativo.</p>
<p>A crise que assola o mundo &#8220;desenvolvido&#8221; evidencia que o dinheiro não deve ser levado ao paroxismo, sobretudo o que se deduz de operações financeiras veladas, discretas e que enchem o bolso de banqueiros. A Fitch Ratings, agência do &#8220;Norte&#8221; que avalia o risco de investimentos, previu em dezembro de 2011 que o crescimento da zona do Euro seria de apenas 0,4% em 2012, o que indica uma contração expressiva em relação ao 1,6% do ano derradeiro.</p>
<p>A cultura do dinheiro tem-se arrastado ao longo dos séculos com o ideal de acumulação, expansão e reprodução capitalistas através do mercantilismo dos metais preciosos, a revolução industrial, os movimentos financeiros globais.</p>
<p>O componente material (a cédula e a moeda) são indissociáveis do imaterial (como obter dinheiro? o que fazer com ele? é suficiente o que ganho? de quanto preciso? quanto há que trabalhar? quanto é necessário para ter uma vida digna? etc).</p>
<p>A sociedade, por fim, precisa reformular seus valores a fim de que as pessoas se orientem mais pela confraternização, a saúde física e mental, a contemplação das belezas naturais, o cultivo da educação, e o prazer pelo conhecimento e a troca de experiências.</p>
<p>O dinheiro voltará, assim, a ser mero objeto de trocas em vez de malfeitor do imaginário.</p>
<p><strong><a href="http://www.brunoperon.com.br">http://www.brunoperon.com.br</a></strong></p>
<p><em>*<strong>Bruno Peron Loureiro</strong> é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).</em></p>
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		<title>Um porquinho na casa do lobão</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 03:02:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Helder Caldeira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Helder Caldeira]]></category>

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		<description><![CDATA[É impressionante a capacidade do Brasil de levar a fantasia para a vida pública, para o universo político. Brasília, às vezes, parece um eterno conto de fadas. Ou melhor, um conto de bruxas! Ainda durante a campanha de Dilma Rousseff rumo à Presidência da República, ficou famosa a expressão “Os Três Porquinhos” para classificar seus fiéis escudeiros Antônio Palocci, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra. Tão logo eleita, a própria Dilma assumiu a galhardia dos cognomes, durante um discurso de agradecimento ao Diretório Nacional do PT, em 19 de novembro de 2010. Até eu dediquei um capítulo inteiro do livro “A 1ª Presidenta” (Editora Faces, 2011, 240 páginas) para falar sobre a participação dos “três” na jornada dilmista: “Cícero, Heitor e Prático – Sobre Porquinhos e Casas Frouxas” (págs. 195-200).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Um-porquinho-na-casa-do-lobão.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Um-porquinho-na-casa-do-lobão.jpg" alt="" title="Um porquinho na casa do lobão" width="222" height="227" class="aligncenter size-full wp-image-16160" /></a>É impressionante a capacidade do Brasil de levar a fantasia para a vida pública, para o universo político. Brasília, às vezes, parece um eterno conto de fadas. Ou melhor, um conto de bruxas! Ainda durante a campanha de Dilma Rousseff rumo à Presidência da República, ficou famosa a expressão “Os Três Porquinhos” para classificar seus fiéis escudeiros Antônio Palocci, José Eduardo Cardozo e José Eduardo Dutra. Tão logo eleita, a própria Dilma assumiu a galhardia dos cognomes, durante um discurso de agradecimento ao Diretório Nacional do PT, em 19 de novembro de 2010. Até eu dediquei um capítulo inteiro do livro <strong>“A 1ª Presidenta”</strong> (Editora Faces, 2011, 240 páginas) para falar sobre a participação dos “três” na jornada dilmista: <strong>“Cícero, Heitor e Prático – Sobre Porquinhos e Casas Frouxas”</strong> (págs. 195-200).</p>
<p>Com os dois primeiros nós sabemos o que aconteceu. José Eduardo Cardozo, o melhor sucedido, firmou-se como titular do Ministério da Justiça e vem realizando um excelente trabalho, diga-se de passagem. Já Antônio Palocci, após protagonizar um retorno triunfante ao Palácio do Planalto, de onde fora defenestrado durante o governo Lula por suspeitas lupanares e por violar o sigilo bancário de um humilde caseiro “dedo-duro” que seria chantageado, ganhou de Dilma Rousseff o título de ministro-chefe da Casa Civil e, antes de completar 200 dias de novo governo, já estava atolado em escândalos, após a denúncia do jornal Folha de S. Paulo de que seu patrimônio aumentou 25 vezes em apenas 4 anos com a prestação de milionárias e misteriosas consultorias. Palocci foi novamente defenestrado do governo petista.</p>
<p>Com o terceiro porquinho a coisa foi mais difícil. José Eduardo Dutra era presidente nacional do PT, cargo que deixou nas mãos do deputado paulista Rui Falcão. Na formação do tétrico corpo ministerial de Dilma, antes da posse oficial, toda cúpula do Partido dos Trabalhadores articulou maciçamente para que Dutra ganhasse ou o Ministério do Turismo, ou o Ministério da Previdência Social, pastas consideradas fundamentais para os partidos políticos por serem vertedouros quase ilimitados de recursos públicos para o famoso “Caixa 2”, que teve a existência atestada e chancelada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 17 de julho de 2005, em sua famigerada declaração ao programa <strong>Fantástico</strong>, da <strong>Rede Globo</strong>, nos jardins de um palácio francês durante o escândalo do Mensalão: <em>“Ué, o ‘caixa 2’ que o PT fez, do ponto de vista eleitoral, é o que é feito no Brasil sistematicamente.”</em> Ou seja, roubamos sim, e daí?! Todo mundo rouba mesmo!</p>
<p>Mas o Turismo e a Previdência Social, pelos motivos acima expostos, já faziam parte da cobiça feroz do partidão PMDB, cotista prioritário por ter o vice-presidente da República e as maiores bancadas na Câmara e no Senado. Ainda assim, o PT fez pressão para encontrar uma saída honrosa para o terceiro “porquinho” de Dilma: como José Eduardo Dutra é o primeiro-suplente do senador socialista sergipano Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), a nomeação deste a algum Ministério abriria espaço para que Dutra assumisse o mandato no Senado Federal. Não deu certo. O nome de Valadares não emplacou em lugar nenhum e o ex-presidente do PT ficou sem um cargo no primeiro escalão da República. Como pra essa “gente grande” não servem outras funções que não as de mandatários, o homem ficou “desempregado”.</p>
<p>Eis que, um ano depois de assumir a Presidência da República, Dilma Rousseff conseguiu, finalmente, arrumar um lugarzinho para acomodar seu último “porquinho”. Por um desses caprichos do destino e contrariando qualquer sanidade das histórias infantis, José Eduardo Dutra foi parar no Ministério (peemedebista) das Minas e Energia, cujo titular é o maranhense Edson Lobão. Um “porquinho” na casa do Lobão! Essa foi a primeira decisão da “coleguinha da presidenta” Maria da Graça Foster, nova presidente da Petrobras, técnica dita competentíssima segundo relatos dos “entendedores” do assunto: criar a Diretoria Corporativa que irá administrar a mega estatal brasileira e que será assumida pelo então esquecido apaniguado petista José Eduardo Dutra. A decisão será referendada no início de fevereiro, conforme anunciou o ministro Lobão. <em>“Mal vai a história”</em>, diria minha saudosa vovozinha.</p>
<p>Num governo onde corrupção e bandidagem são chamadas de meros “malfeitos” infantilóides, não é de espantar que a presidente Dilma Rousseff tenha conseguido colocar sob um mesmo teto e com os mesmos “objetivos” um lobão e um porquinho. Na mesma toada, Dilma amarelou e acabou rendida pelas ameaças públicas do líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB/RN). Depois de uma “avaliação pragmática”, a presidente decidiu voltar atrás e manter os peemedebistas no comando da Transpetro. Ainda mais agora, que seu último “porquinho” já está confortavelmente acomodado no primeiro escalão de seu governo e com a faca, o queijo e as chaves do cofre nas mãos. E todos foram felizes para sempre, no reino encantado dos larápios, na “Brasília” da fantasia!</p>
<p><em>*<strong>Helder Caldeira</strong> é escritor, jornalista político, palestrante e conferencista, autor do livro <strong>“A 1ª PRESIDENTA”</strong>, primeira obra publicada no Brasil com a análise da trajetória da presidente Dilma Rousseff e que já está entre os livros mais vendidos do país em 2011.<br />
<strong><a href="http://www.heldercaldeira.com.br">www.heldercaldeira.com.br</a></strong> – helder@heldercaldeira.com.br</em></p>
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		<title>Direitos humanos: o mau e o bom exemplo</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Feb 2012 03:01:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Serra</dc:creator>
				<category><![CDATA[José Serra]]></category>

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		<description><![CDATA[A presidente Dilma esteve em Cuba e não quis fazer nenhum gesto em defesa dos direitos humanos na ilha. Se fosse orientado, o Itamaraty teria encontrado a forma de o governo brasileiro expressar pelo menos sua preocupação com o assunto – não lhe faltaria imaginação diplomática. Note-se que pouco antes da visita morrera um prisioneiro político cubano que fazia greve de fome. Infelizmente, e apesar das promessas de mudança, em matéria de direitos humanos o atual governo manteve-se na linha do anterior, de aliança fraterna com ditaduras e ditadores. Quem foi perseguido político sabe o valor dos gestos de solidariedade internacional para frear o arbítrio. Fui contemporâneo, quando exilado nos Estados Unidos, de um gesto exemplar, feito na segunda metade dos anos setenta pelo presidente Jimmy Carter. Já na sua campanha eleitoral, em 1976, ele anunciara mudanças na política norte-americana nessa área; depois de eleito, cumpriu a palavra. Por isso mesmo, em 2008, recebi-o na sede do governo de São Paulo e condecorei-o em nome do Estado e da democracia. Destaco, em seguida, trechos do discurso que fiz na ocasião, que relatam os episódios da ação de Carter em relação ao Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Dilma4.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Dilma4.jpg" alt="" title="Dilma" width="203" height="184" class="aligncenter size-full wp-image-16254" /></a>A presidente Dilma esteve em Cuba e não quis fazer nenhum gesto em defesa dos direitos humanos na ilha. Se fosse orientado, o Itamaraty teria encontrado a forma de o governo brasileiro expressar pelo menos sua preocupação com o assunto – não lhe faltaria imaginação diplomática. Note-se que pouco antes da visita morrera um prisioneiro político cubano que fazia greve de fome. Infelizmente, e apesar das promessas de mudança, em matéria de direitos humanos o atual governo manteve-se na linha do anterior, de aliança fraterna com ditaduras e ditadores.</p>
<p>Quem foi perseguido político sabe o valor dos gestos de solidariedade internacional para frear o arbítrio. Fui contemporâneo, quando exilado nos Estados Unidos, de um gesto exemplar, feito na segunda metade dos anos setenta pelo presidente Jimmy Carter. Já na sua campanha eleitoral, em 1976, ele anunciara mudanças na política norte-americana nessa área; depois de eleito, cumpriu a palavra. Por isso mesmo, em 2008, recebi-o na sede do governo de São Paulo e condecorei-o em nome do Estado e da democracia. Destaco, em seguida, trechos do discurso que fiz na ocasião, que relatam os episódios da ação de Carter em relação ao Brasil.</p>
<p><em>Senhor Presidente Carter, V. Ex.ª serviu como Chefe do Executivo norte-americano quando ainda se sentiam as consequências de grandes divisões da sociedade americana, resultantes da guerra do Vietnã, e do período altamente conflituoso da administração Nixon, sem falar do impacto da primeira crise do petróleo.</p>
<p>Para mim, esses eram tempos de exílio. Eu morava nos Estados Unidos e era membro-visitante do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, após ter completado o doutorado em Economia na Universidade Cornell. Em 1964, por ocasião do golpe que instaurou o regime militar no Brasil, eu era presidente da União Nacional dos Estudantes, fui perseguido, condenado, e tive de deixar o Brasil.</em></p>
<p><em>Em setembro de 1973 eu morava no Chile, exilado, quando houve o golpe que levou o general Augusto Pinochet ao poder. Lá, fui preso, e em 1974 consegui deixar esse país na condição de exilado. Tornei-me, assim, um exilado “ao quadrado”. Vivi os duros momentos iniciais de duas ditaduras e fui alvo da repressão de ambas. Do Chile, fui para os Estados Unidos com minha família, onde assisti a queda do presidente Nixon e a disputa eleitoral de 1976.</em></p>
<p><em>Por isso, fiquei particularmente impressionado e mesmo emocionado quando, nos debates da campanha presidencial, tendo como oponente o então Presidente Gerald Ford, ouvi V. Ex.ª condenar o apoio dos Estados Unidos a ambas as ditaduras, a brasileira e a chilena. Apoio que começara na própria articulação dos golpes de Estado que as instauraram.</em></p>
<p><em>Após a sua posse, tomei conhecimento de um pronunciamento seu que viria a tornar-se famoso, na Universidade Notre Dame. Nele se estabeleceu que os direitos humanos seriam o norte da nova política externa. E não foram apenas palavras, mas um sério compromisso de empregar os recursos de poder dos Estados Unidos – tanto em matéria de soft power quanto de hard power – para apoiar a democracia e os direitos humanos em todo o globo.</em></p>
<p><em>Se as relações entre Estados soberanos foram, desde sempre, o reino do pragmatismo, mais ainda o eram na época de sua presidência, em plena Guerra Fria. As denúncias de abusos, e a defesa de princípios, eram sempre muito eloquentes quando se referiam a fatos ocorridos no campo inimigo. Os abusos praticados por aliados eram ignorados ou até negados.</em></p>
<p><em>Mas a corajosa opção do presidente Carter teve um impacto profundo e duradouro na evolução das relações internacionais.</p>
<p>Sob a justificativa de combater o comunismo ou o terrorismo (os dois eram sinônimos então), as ditaduras da América Latina, aliadas dos Estados Unidos, praticaram a tortura e mesmo o assassinato de muitos dos seus opositores – às vezes em massa, como nos casos argentino e chileno. Direitos fundamentais da pessoa foram abolidos e liberdades democráticas desrespeitadas.</em></p>
<p><em>Talvez seja difícil para alguém que não viveu este período de nossa história avaliar o impacto entre nós da decisão do governo dos Estados Unidos da época de promover o respeito aos direitos fundamentais dos indivíduos.</p>
<p>As ditaduras se sentiram traídas: a exigência de um relatório sobre a situação dos direitos humanos no Brasil foi um dos motivos, se não o principal, do rompimento do Acordo Militar Brasil-EUA (1952) pelo governo brasileiro em 1977. </em></p>
<p><em>Sociedades carentes de liberdade viram surgir um inesperado aliado, coerente e dedicado. Ao visitar nosso país em 1978, o senhor insistiu em se encontrar com D. Paulo Evaristo Arns e o reverendo James Wright, que haviam preparado um detalhado relatório sobre a tortura no Brasil. Deste relato inicial nasceu a obra definitiva Brasil: Nunca Mais.</em></p>
<p><em>Lembro também da visita de Rosallyn Carter ao Brasil, em 1977, com o objetivo de reiterar as políticas do seu marido em apoio à democracia e aos direitos humanos. No Brasil, apesar dos estreitos limites impostos às suas atividades públicas, Rosallyn insistiu em encontrar lideranças não governamentais para discutir direitos humanos e direitos políticos. Escoltada por uma guarda militar intimidadora, encontrou-se em Recife, sozinha, com o cardeal arcebispo católico Dom Helder Câmara, figura legendária na oposição à ditadura brasileira.</em></p>
<p><em>Por uma feliz coincidência, a professora Ruth Cardoso, antropóloga e ativista da condição feminina, esteve também entre as pessoas convidadas para encontrar Rosallyn.</p>
<p>Pode parecer uma ousadia a concessão da Medalha do Ipiranga para alguém que, como o Presidente Jimmy Carter, recebeu, entre outras honrarias, o Premio Nobel da Paz. Acredito, porém, que nós, brasileiros, nunca homenageamos condignamente um homem que teve uma profunda e benéfica influência na história recente do país e da nossa região.</em></p>
<p><em>V. Ex.ª está sendo agraciado por mim, na condição de Governador do Estado de São Paulo. E não só como governador, mas também como um cidadão brasileiro que encontrou, nos Estados Unidos, a acolhida humana e a formação acadêmica e intelectual nos difíceis anos de exílio.</em></p>
<p><em>*<strong>José Serra </strong>foi presidente da União Nacional dos Estudantes – UNE entre 1963 e 1964, ano em que o Golpe Militar forçou-o a buscar exílio no exterior. Viveu no Chile e nos Estados Unidos, onde fez seu doutorado em economia pela Universidade de Cornell. No Brasil, Serra tinha estudado engenharia, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. De volta ao país depois de quatorze anos, foi professor da UNICAMP e pesquisador do Cebrap. Em 1983, foi nomeado Secretário de Economia e Planejamento do Governo Franco Montoro, em São Paulo. No ano seguinte, chefiou a Comissão do Programa de Governo do candidato presidencial Tancredo Neves. Em 1986, elegeu-se Deputado Federal Constituinte, tendo sido o relator da Comissão do Sistema Tributário, Orçamento e Finanças. Em 1990 elegeu-se novamente Deputado Federal, tendo sido líder do PSDB na Câmara. Em 1995 foi eleito Senador por São Paulo. Foi Ministro do Planejamento entre 1995 e 1996 e Ministro da Saúde entre 1998 e 2002. Foi candidato a presidente da República em 2002, tendo perdido no segundo turno. Em 2004, José Serra elegeu-se Prefeito de São Paulo, e em 2006 foi eleito Governador do Estado no primeiro turno. Em 2010, candidatou-se novamente à Presidência, tendo obtido 44 milhões de votos no segundo turno das eleições.<br />
<strong><a href="http://www.joseserra.com.br">http://www.joseserra.com.br</a></strong></em></p>
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		<title>Presidente Dilma, a senhora não tem vergonha?</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 03:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>João Bosco Leal</dc:creator>
				<category><![CDATA[João Bosco Leal]]></category>

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		<description><![CDATA[Sim "Presidente"! Uso esta palavra porque estudei em ótimas escolas públicas, que já não existem mais, e nelas, como todos aprendíamos, independentemente do sexo de quem o exercia, essa é a palavra certa para esse cargo, apesar da senhora ter tentado, no início de seu governo, por mero capricho, ser chamada de Presidenta. Os puxa-sacos de plantão - apesar de saberem que a palavra presidente é um substantivo de dois gêneros, válida tanto para o masculino quanto para o feminino - até tentaram ajudá-la a mudar a nossa língua, mas não conseguiram, pelo menos não na prática, pois, por coerência, teríamos que começar a chamar uma pedinte de pedinta e assim por diante. Mas os novos "doutores", Presidente, estão saindo das centenas de universidades particulares sem sequer saberem conjugar corretamente os verbos empregados no seu teste para o primeiro emprego.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Presidente-Dilma.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Presidente-Dilma.jpg" alt="" title="Presidente Dilma" width="200" height="216" class="aligncenter size-full wp-image-16191" /></a>Sim &#8220;Presidente&#8221;! Uso esta palavra porque estudei em ótimas escolas públicas, que já não existem mais, e nelas, como todos aprendíamos, independentemente do sexo de quem o exercia, essa é a palavra certa para esse cargo, apesar da senhora ter tentado, no início de seu governo, por mero capricho, ser chamada de Presidenta.</p>
<p>Os puxa-sacos de plantão &#8211; apesar de saberem que a palavra presidente é um substantivo de dois gêneros, válida tanto para o masculino quanto para o feminino &#8211; até tentaram ajudá-la a mudar a nossa língua, mas não conseguiram, pelo menos não na prática, pois, por coerência, teríamos que começar a chamar uma pedinte de pedinta e assim por diante. Mas os novos &#8220;doutores&#8221;, Presidente, estão saindo das centenas de universidades particulares sem sequer saberem conjugar corretamente os verbos empregados no seu teste para o primeiro emprego.</p>
<p>Nunca votei e jamais votarei em alguém do seu partido político e menos ainda em uma pessoa com o seu passado, pois as ideias defendidas por seus &#8220;companheiros&#8221; já foram desmoralizadas em todo o mundo, inclusive pelo ditador e assassino Fidel Castro, de Cuba, onde a senhora esteve agora. As ditaduras de esquerda só destruíram países e populações, com a ideia utópica de estatização geral e de que o Estado supriria a todos igualitariamente.</p>
<p>Mas este não é o tema central que pretendo abordar aqui. O meu questionamento refere-se ao fato amplamente noticiado de que em sua viagem a Cuba, o Brasil emprestou dinheiro àquele país.</p>
<p>Em sua volta não deve ter sentido nenhum problema de aterrissagem com seu avião, pois como Presidente teve o espaço aéreo temporariamente bloqueado para que o fizesse sem demora ou riscos. Mas não foi o que ocorreu com os outros brasileiros que naquele momento estavam voando com o mesmo destino e que por incapacidade do aeroporto já estavam circulando sobre a cidade esperando sua vez de aterrissar.</p>
<p>Já em nosso solo, mudou de aeronave e, de helicóptero, dirigiu-se tranquilamente à sua residência oficial, pois, caso contrário, teria sentido na pele o que é transitar pelas ruas e estradas brasileiras, todas esburacadas ou repletas de remendos de péssima qualidade, pois a diferença de dinheiro entre o bom e o mau produto teve de ser repassada aos corruptos de seu governo.</p>
<p>No período noturno, quando todos deveriam descansar, teria passado defronte a um posto de atendimento ou a um hospital conveniado do SUS, e visto filas enormes, com mães segurando filhos doentes no colo, esperando o dia amanhecer para, se tiverem muita sorte, conseguirem pegar senhas para serem atendidas naquele dia. Saberia, pela imprensa, que alguns morreram nessas filas, sem sequer chegarem a ser atendidos.</p>
<p>Determine, senhora Presidente, que lhe seja reservado, em rede nacional, um horário nobre da televisão brasileira, para que explique aos brasileiros que pessoas diagnosticadas com doenças graves esperam meses na fila para serem operadas porque o país não possui recursos suficientes para suprir sua população com o atendimento médico necessário, mas pode oferecer dinheiro emprestado ao Mercado Comum Europeu para sanar suas dívidas e emprestar dinheiro para Cuba.</p>
<p>Explique aos brasileiros, Presidente Dilma, porque todos os anos brasileiros morrem soterrados nas encostas dos morros em diversos estados, porque o governo não possui dinheiro suficiente para lhes financiar, com juros subsidiados, moradias dignas, construídas em locais seguros.</p>
<p>Que a educação brasileira é de péssimo nível porque o país não possui verbas suficientes para preparar melhor os professores e lhes pagar salários dignos, de quem tem a responsabilidade de ensinar aos que serão o futuro do país, mas pode construir uma embaixada brasileira em Tuvalu e perdoar dívidas de países africanos em troca de votos para conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU como queria seu antecessor.</p>
<p>Explique coisas simples assim à população brasileira, Presidente Dilma, ou a senhora tem vergonha?</p>
<p><em>*<strong>JOÃO BOSCO LEAL</strong> é jornalista (reg. MTE nº 1019/MS) articulista político, produtor rural e palestrante sobre assuntos ligados ao agronegócio e conflitos agrários. Blog: <strong><a href="http://www.joaoboscoleal.com.br/">http://www.joaoboscoleal.com.br/</a></strong></em></p>
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		<title>Porcos portugueses em alta!</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/porcos-portugueses-em-alta/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 03:02:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Orlando Castro</dc:creator>
				<category><![CDATA[Orlando Castro]]></category>

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		<description><![CDATA[Catorze animais de raça suína, avaliados em 5.000 euros, foram furtados de uma propriedade situada na freguesia de Vimieiro, no concelho alentejano de Arraiolos. Os porcos são, aliás, uma fonte inspiração para o governo de Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, nomeadamente na vertente da dieta alimentar que está a impor aos portugueses para equilibrar o défice. De facto, se os porcos propriamente ditos comem farelo e não morrem, os escravos portugueses também o podem fazer. Os animais a que respeita a notícia foram furtados na semana passada, indicou hoje fonte da GNR à <strong>Agência Lusa</strong>, adiantando que um funcionário da exploração agrícola disse ter visto, posteriormente, os suínos numa outra propriedade localizada na mesma freguesia, no distrito de Évora, mas os animais "não foram recuperados".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Porcos-portugueses-em-alta.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Porcos-portugueses-em-alta.jpg" alt="" title="Porcos portugueses em alta!" width="210" height="177" class="aligncenter size-full wp-image-16088" /></a>Catorze animais de raça suína, avaliados em 5.000 euros, foram furtados de uma propriedade situada na freguesia de Vimieiro, no concelho alentejano de Arraiolos.</p>
<p>Os porcos são, aliás, uma fonte inspiração para o governo de Pedro Miguel Passos Relvas Coelho, nomeadamente na vertente da dieta alimentar que está a impor aos portugueses para equilibrar o défice. De facto, se os porcos propriamente ditos comem farelo e não morrem, os escravos portugueses também o podem fazer.</p>
<p>Os animais a que respeita a notícia foram furtados na semana passada, indicou hoje fonte da GNR à <strong>Agência Lusa</strong>, adiantando que um funcionário da exploração agrícola disse ter visto, posteriormente, os suínos numa outra propriedade localizada na mesma freguesia, no distrito de Évora, mas os animais <em>&#8220;não foram recuperados&#8221;</em>.</p>
<p>Se calhar seria um bom motivo para obrigar os proprietários a criar fichas de identificação, obviamente pagas, para os seus animais.</p>
<p>Mas a verdade é que os porcos estão em alta. Não? Reparem então na enxurrada de gentalha para quem chafurdar na merda é uma questão de sobrevivência, e que gravitam junto do poder… seja ele qual for. </p>
<p>Além disso, fazendo uso das ideias de Guerra Junqueiro, o que se deve chamar a <em>“um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas”</em>?</p>
<p><em>“Um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta”</em> não estará mais perto de viver numa suinicultura?</p>
<p>Um país onde <em>“uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro”</em>, não merecerá que se lhe chame Suinoportugal?</p>
<p>Quando existe uma <em>“coisa”</em> onde <em>“um poder legislativo é esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País”</em>, se calhar é o reino dos porcos.</p>
<p>Valha, contudo, a certeza de que o governo quer resolver alguns dos mais sérios problemas do reino. Pelo que está a fazer pode ter-se a certeza de que Portugal vai mesmo ser um país diferente. A esperança média de vida vai diminuir porque os velhotes vão morrer bem mais cedo, porque os de meia idade não vão chegar a velhos e porque os mais novos não poderão ter filhos.</p>
<p>Além disso, a esmagadora maioria dos portugueses vai deixar de consumir definitivamente antibióticos e outros medicamentos, contribuindo assim para pôr em ordem as contas do Serviço Nacional de Saúde.</p>
<p>Isto porque, para além do preço (que não podem pagar), esses fármacos devem ser tomados depois de uma coisa que hoje é uma miragem: refeições.</p>
<p><strong>Texto publicado em <a href="http://paginaglobal.blogspot.com/2012/01/porcos-portugueses-estao-em-alta.html">Página Global</a>.</strong></p>
<p><em>*<strong>Orlando Castro</strong> é jornalista, nascido em Angola.</em></p>
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		<title>Caos em Salvador</title>
		<link>http://www.debatesculturais.com.br/caos-em-salvador/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 03:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo de Oliveira Souza</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marcelo de Oliveira Souza]]></category>

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		<description><![CDATA[De repente o que nós sempre temíamos aconteceu, mesmo com todo aquele drama ocorrido na antiga greve dos policiais. Começando devagarzinho o trânsito foi parando, na paralela que vive engarrafada, incautos encapuzados tomam dois ônibus para atravessá-los na avenida; corre-corres em todos os lugares; lojas saqueadas em todos os cantos; ônibus e bancos alvos de atentados; a Estação Pirajá virou um verdadeiro limbo de sofrimento, diversos arrastões, assassinados, o povo esperando a condução durante horas e só o que aparecia mesmo eram pessoas horrorizadas e assustadas com tanta barbárie, em prantos usuários ou sofredores da estação imploram pelo transporte que não aparece, pânico geral.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Caos-em-Salvador.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/Caos-em-Salvador.jpg" alt="" title="Caos em Salvador" width="233" height="216" class="aligncenter size-full wp-image-16171" /></a>De repente o que nós sempre temíamos aconteceu, mesmo com todo aquele drama ocorrido na antiga greve dos policiais.</p>
<p>Começando devagarzinho o trânsito foi parando, na paralela que vive engarrafada, incautos encapuzados tomam dois ônibus para atravessá-los na avenida; corre-corres em todos os lugares; lojas saqueadas em todos os cantos; ônibus e bancos alvos de atentados; a Estação Pirajá virou um verdadeiro limbo de sofrimento, diversos arrastões, assassinados, o povo esperando a condução durante horas e só o que aparecia mesmo eram pessoas horrorizadas e assustadas com tanta barbárie, em prantos usuários ou sofredores da estação imploram pelo transporte que não aparece, pânico geral.</p>
<p>Em um conjunto do Cabula, abriu-se mais uma frente de terror, o arrastão inaugurou a modalidade de crimes em condomínios, ferindo um morador que por coincidência é policial.</p>
<p>As forças de segurança chegaram, mas não adianta que a insegurança é geral e para ter esse exclusivo policiamento vai ser difícil, pois somente os centros e pontos turísticos terão chances de serem agraciados com o patrulhamento, enquanto que muitos outros bairros co poderão contar com a previdência divina.</p>
<p><em>*<strong>Marcelo de Oliveira Souza</strong>: Pseudônimo SOM, natural do Rio de Janeiro, Professor de Língua Portuguesa, formado na Universidade Católica do Salvador. Pós-graduado pela Faculdade Visconde de Cairu com convênio com a APLB/UNEB; Membro titular do Clube dos Escritores de Piracicaba; Organizador do Concurso Anual Poesias sem Fronteiras; participa de vários concursos de poesias, contos, sempre conseguindo colocações louváveis. Organizador do Concurso Literário Anual POESIAS SEM FRONTEIRAS.<br />
</em></p>
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		<title>A mãe do corpo</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Feb 2012 03:03:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sandra Castiel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sandra Castiel]]></category>
		<category><![CDATA[Mãe do Corpo]]></category>

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		<description><![CDATA[Ouvi falar a primeira vez sobre a "Mãe do Corpo" há mais de trinta anos, mas certamente as caboclas da Amazônia sempre conheceram essa senhora e aprenderam a lidar com suas manhas. Quando dei à luz meu filho, em Porto Velho, fui passar uns dias na casa de minha mãe, no bairro Caiari, pois ali, dizia ela, eu não precisaria preocupar-me com os afazeres domésticos e assim dedicar-me inteiramente aos cuidados com a criança recém-nascida. Em casa de minha mãe trabalhava, há cerca de vinte anos, Jaci, uma cabocla beiradeira que tinha uns sessenta anos de idade. Era uma pessoa de poucas palavras, mas quando ouvia algum queixume de doença, tratava logo de ensinar um remédio à base de ervas, todas da floresta amazônica, é claro, pois nascera e crescera no meio delas. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/A-mãe-do-corpo.jpg"><img src="http://www.debatesculturais.com.br/wp-content/uploads/A-mãe-do-corpo.jpg" alt="" title="A mãe do corpo" width="225" height="225" class="aligncenter size-full wp-image-16036" /></a>Ouvi falar a primeira vez sobre a &#8220;Mãe do Corpo&#8221; há mais de trinta anos, mas certamente as caboclas da Amazônia sempre conheceram essa senhora e aprenderam a lidar com suas manhas.</p>
<p>Quando dei à luz meu filho, em Porto Velho, fui passar uns dias na casa de minha mãe, no bairro Caiari, pois ali, dizia ela, eu não precisaria preocupar-me com os afazeres domésticos e assim dedicar-me inteiramente aos cuidados com a criança recém-nascida. </p>
<p>Em casa de minha mãe trabalhava, há cerca de vinte anos, Jaci, uma cabocla beiradeira que tinha uns sessenta anos de idade. Era uma pessoa de poucas palavras, mas quando ouvia algum queixume de doença, tratava logo de ensinar um remédio à base de ervas, todas da floresta amazônica, é claro, pois nascera e crescera no meio delas. </p>
<p>Um dia, estávamos na sala de jantar, quando me queixei de um incômodo persistente na região do abdômen, ora do lado esquerdo, ora do lado direito. Era uma sensação estranha, como se o bebê ainda estivesse no ventre. Ao ouvir o relato, Jaci chamou-me até a cozinha e diagnosticou: <em>- O que a senhora sente é a Mãe do Corpo; ela está procurando a criança e não vai sossegar enquanto a senhora não fizer o remédio certo para que ela se acalme.</em></p>
<p>Achei a observação inusitada e interessante. Aprendi a respeitar o conhecimento da gente que vive na mata amazônica, um conhecimento que é adquirido da natureza, do Cosmos e de seus mistérios. Realmente a sensação era a de que havia algo que me percorria o abdômen. Então deixei que Jaci se encarregasse de resolver a situação. Antes, porém, quis saber mais sobre a Mãe do Corpo.</p>
<p>Filha de parteira, contou-me a cabocla que sua mãe conhecia tudo sobre esse assunto. A mãe corria o Beiradão inteiro, subindo e descendo o Madeira, de canoa, atendendo aos inúmeros chamados que recebia. Fazia o parto e, para evitar que a Mãe do Corpo se manifestasse na barriga da mulher que dera à luz, colocava imediatamente sobre o ventre da parturiente a placenta, enquanto proferia palavras de consolo para a Mãe do Corpo: <em>- Mãe, não fica com raiva não, teu filho tá aqui ó, juntinho de ti. Sente ele, Mãe, bem quentinho na tua barriga, e vai descansar sossegada</em>. </p>
<p>Feito isso, enterrava a placenta e em seguida passava azeite de andiroba sobre o ventre da parturiente, finalizando, assim, o procedimento. Só então podia ir embora tranquila.</p>
<p>No meu caso, dizia ela, uma providência teria que ser tomada imediatamente para acalmar a Mãe do Corpo, uma vez que os médicos jogaram fora a placenta. Que eu tirasse toda a roupa do bebê, recém-nascido, e o colocasse deitado sobre meu ventre nu, deixando que a minha pele e a dele ficassem juntas por meia hora pelo menos. </p>
<p>De cócoras, aos pés da cama em que me fizera reclinar, ela conduziu uma espécie de ritual. Repetiu para a Mãe do Corpo as tais palavras de consolo, como se estivesse conversando com uma entidade. Depois, lambuzou meu abdômen com o abençoado azeite de andiroba.</p>
<p>Após esse dia, nunca mais senti aqueles estranhos sintomas. Vai ver a Mãe do Corpo deve ter mesmo descansado&#8230; </p>
<p><strong>Texto publicado no jornal eletrônico <a href="http://www.gentedeopiniao.com.br/lerConteudo.php?news=90522">Gente de Opinião</a>.<br />
</strong><br />
<em>*<strong>Sandra Maria Castiel Fernandes</strong> é natural de Porto Velho. Possui formação em Letras. É professora de Língua Portuguesa, Literatura Brasileira e Literatura Infantil. Pós-graduada em Língua Portuguesa e Metodologia do Ensino Superior. Mestre em Educação. Pesquisadora na área da Educação Especial e em temas que envolvem a história de Rondônia. Sandra Castiel possui três livros publicados: dois sobre a história de Rondônia e um sobre teatro infantil; quatro artigos em revistas especializadas em Educação e dois livros em andamento. Escreve e dirige peças de teatro infantil. Gosta de escrever crônicas literárias. Sandra Castiel é membro efetivo da Academia de Letras de Rondônia, cadeira n. 36, cujo patrono é seu antigo professor, Enos Eduardo Lins.</em></p>
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