Fantasmas do passado

Por em 12/09/2012

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Será que o passado realmente é algo que já se findou? Em alguns casos, ele está mais vivo do que pensamos. Ou melhor, o passado pode se tornar o presente, novamente. E um presente como esse, às vezes é necessário rejeitarmos. Mas, infelizmente, não temos total controle sobre isso.

Depois de algumas marcas que nos tornam calejados, sempre pensamos que estaremos curados de toda dor. Mas sempre corre o risco do calo fraquejar. E todo o incômodo de antes retorna como se nunca tivesse aparecido.

Todos temos alguns fantasmas que nos assombram de vez em quando. Só que quando você chega na fase adulta, descobre que eles não estão escondidos debaixo da cama. Estão em todo lugar. Basta olhar para o lado e poderá esbarrar com algum deles.

Como Drummond diz: “Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão.”

Nem sempre o que fica é algo bom. Se for, melhor guardarmos, como diz a frase. Só precisamos ter cuidado ao rememorarmos, para que os sentimentos e dores não surjam novamente.

O tempo deixa de ser uma ilusão e passa a tomar conta de todo o nosso inconsciente. Temos insegurança no que não podemos tocar. Por isso, só acreditamos que o passado pode retornar quando o pensamento sai do campo das idéias e se torna concreto.

Passamos a reviver um presente que tinha nos deixado. Como algo que nunca acontece de forma completa e que se repete até ter um fim, mesmo que este seja indeterminado. Um verdadeiro caos cronológico.

Podemos ser o nosso próprio problema. Depende do ponto de vista narrado pela história. Sartre diz que os infernos são os outros. Mas eu sempre acreditei que o inferno somos nós mesmos.

E termino este artigo citando Shakespeare: “Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto.”

Verifique bem a morte do seu passado ou o morto poderá ser você.

*Leonardo Rezende é uma incógnita ambulante. Um louco escritor de sonhos, de tudo que aconteceu e que faz parte dos rascunhos deixados pelo caminho. Cada som despertado das palavras ditas em voz alta, lidas pelas entrelinhas do despertar metafórico. Gritadas em alto e bom som. Como forma de fixar eternamente os sentimentos em doses duplas de sofrimento e felicidade. “Por isso eu escrevo. Aceita uma dose?”
Blog: http://quebrandoaquartaparede.blogspot.com.br/






Por Leonardo Rezende, em 12/09/2012.

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