Esporte e cidadania, uma proposta global
É com grande entusiasmo que na condição de gestor do maior complexo esportivo municipal da América Latina estaremos, no próximo dia 16/04/10, sediando a III CONFERÊNCIA MUNICIPAL DO ESPORTE, preparatório para o encontro nacional, razão pela qual me congratulo com o Ministério do Esporte pela acertada iniciativa de patrocinar um plano decenal de esporte e lazer, a ser discutido em junho próximo, na III CONGERÊNCIA NACIONAL DO ESPORTE, que espero, dentro de um paradigma que atenda aos anseios da sociedade brasileira que entende, já há algum tempo, ser a prática esportiva uma ferramenta fundamental para a plena inserção de todos no contexto social, principalmente os jovens pertencentes às classes sociais menos favorecidas.
O plano, organizado em dez linhas estratégicas busca, fundamentalmente, garantir os avanços do esporte brasileiro e avançar mais, porém já tomando como base para este avanço o acúmulo tão penosamente obtido ao longo dos anos.
A primeira dessas linhas estratégicas trata justo de propor a garantia desse acúmulo, colocado como resultado da criação do Ministério do Esporte, através da criação, por Lei, do Sistema Nacional de Esporte e Lazer. Dentre os objetivos nele colocados, temos o impulso a ser dado à criação de estruturas institucionais como o Conselho Nacional do Esporte nos municípios de médio porte. Contudo, sem tirar a importância desta medida, parece melhor que os CNE’S dos grandes centros procurem desenvolver suas atividades sanando, através de ações políticas adequadas, os gravíssimos problemas estruturais que vitimam os equipamentos esportivos das grandes cidades, oferecendo a partir disso, os serviços necessários para o desenvolvimento de um “ESPORTE CIDADÃO”, para aí sim, estender a atuação dos CEN’S não só para os médios, mas, por que não, até para alguns municípios menores que se julgue apropriado.
São corretas as diretrizes do plano que não restringem o papel do Brasil, no mundo do esporte, apenas aos resultados das competições. Mas que isso, o país deve se tornar um recordista no desenvolvimento humano, um podium muito mais difícil de ser alcançado.
Para tanto, faz-se necessário uma articulação do poder público com a iniciativa privada, não apenas para garantir a continuidade de importantes programas sócio-educacionais através do esporte, como o programa “Segundo Tempo” do ministério do esporte ou do programa “Mais Educação” do ministério da educação. Essa articulação não deve colocar o poder público numa parceria privada porque ele não tem recursos para investir no esporte e precisa do “socorro” privado para impedir o naufrágio do esporte nacional. Deve ser o contrário, o poder público investindo pesado e a iniciativa privada financiando ações subsidiárias às determinações governamentais na área, assegurando no mecanismo de parceria público privado que o poder público exerça o papel de grande investidor, dinamizador e gestor do esporte garantindo sua universalização social e com isso a democratização do esporte, repartindo equanimente os investimentos entre toda a sociedade, além de fomentar a prática desportiva competitiva entre os mais variados pólos de desenvolvimento esportivo em uma região, através de um calendário previamente estabelecido mantendo permanentemente competições, a nível municipal, estadual e nacional, com o objetivo de encontrar e selecionar novos talentos encaminhado-os para os centros de excelências vinculados às respectivas federações.
Portanto, mais acertado do que ampliar programas como o “Bolsa Atleta”, seria a construção/ampliação de grandes equipamentos esportivos dotados de alojamentos, refeitórios, posto medico, além é claro, do investimento na contratação dos profissionais para operacionalizá-los, entre eles médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, enfermeiros e pedagogos, tornando esses equipamentos pólos concentradores de valores esportivos numa região, facilitando o trabalho de construção deste “desportista cidadão”, que se não tiver uma performance de alto rendimento no esporte, seguramente a terá como indivíduo integrado e útil à sociedade em que vive.
O reconhecimento da importância dos eventos esportivos para a nossa economia é louvável, até por ser um tanto óbvio. O que não é tão evidente é a eficácia do plano no tocante à distribuição dessas benesses econômicas quando enseja uma maior participação privada neste processo, a exemplo do legado dos jogos do PAN/2007.
Volto a afirmar que a primazia do investimento público em alta escala é a única garantia não só da democratização do esporte, mas, principalmente, da repartição equânime dos seus frutos econômicos entre toda a sociedade.
Sem dúvida o plano decenal de esporte e lazer, legalmente instituído, poderá ser muito útil se estas e outras eventuais considerações forem levadas na devida conta, sem me furtar a dizer que a idéia de fundir educação/esporte/lazer/saúde/cidadania não é nova. Já foi pioneira a trinta anos, no projeto CIEP do saudoso governador Leonel Brizola, aqui no Rio de Janeiro, que com o passar desses anos podemos afirmar que a sabotagem ao programa causou um enorme dano aos jovens daquela época, com o agravante as demais gerações.
Espero, do fundo da alma, que tanto os motivos, quanto os procedimentos do plano decenal de esporte e lazer, sejam animados pela mesma verdade que deu vida ao projeto dos CIEP’S.
*Amaury Cardoso é físico do IMETRO / IPEM-RJ, pós-graduado em Administração Pública e Políticas Públicas e Governo. Pós-graduado em Gestão Pública. Membro e delegado do Diretório Municipal / Rio e do Diretório Estadual/RJ do PMDB.
Por Amaury Cardoso, em 07/04/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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