Entre os muros da educação

Por em 09/06/2009


Fiquei impressionada com o filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2008, o excelente Entre os muros da escola. Além de ricos diálogos entre professor e alunos, o que vemos na tela é a expressão atualíssima da dificuldade de convivência entre a França (os professores e a instituição como um todo) e os países por ela colonizados (os alunos). O longa de Laurent Cantet mostra o cotidiano de um professor de francês (François) e seus alunos da 7a série da periferia de Paris, que quase transformam a sala de aula em um campo de batalha. É uma luta pela educação, mas também pelo poder, visto que o professor precisa, constantemente, exercer sua autoridade e driblar a falta de interesse dos alunos por sua disciplina, assim como as diferenças sociais e o choque entre as diversas culturas representadas: africana, árabe, asiática e européia.

Alguns alunos se destacam no enredo. Souleymane é o garoto marrento que, em um momento infeliz, enfrenta o professor e pode ser expulso da escola; Esmeralda é impertinente e testa a paciência de todos constantemente; Arthur é ermo; Louise é a menina bonita da classe, e por aí vai. São representantes de várias personalidades e estereótipos que serão desenhados ao longo do filme. O mais importante é que a proposta, de repensar a globalização e seus efeitos na educação e na convivência social, está ali e é reforçada de forma coerente do início ao fim.

Também o tipo de envolvimento entre ambos é questionado, já que há uma corrente de educadores que acredita que a escola não deve ser um lugar no qual as crianças aprendem apenas disciplinas escolares como gramática, matemática, etc. Para estes, é importante ajudar as crianças a se inserirem na sociedade, a fazerem parte dela. É esta linha de conduta que segue François que, por sua vez, apesar de bem-intencionado, não é um ser “inspirado” como nos filmes americanos, responsáveis por realizar milagres nos seus estudantes. Ele é apenas um homem comum, uma pessoa falível, que deseja realizar o seu trabalho da melhor maneira possível e que encontra vários obstáculos em seu caminho.

O que vemos neste filme, que em muitos momentos parece um documentário, não é muito diferente da realidade de nosso país. Infelizmente, nos últimos anos, temos sido informados pela Mídia da troca de agressões verbais e físicas entre professores e alunos, principalmente na rede pública. Esse tipo de desacato não estarrece mais ninguém. Como se vê, não é um problema regional e sim mundial. Por isso, precisamos descobrir como valorizar a liberdade de expressão, o diálogo, o debate sem que o respeito, fundamental para a harmonia social, seja deixado de lado. E não é justamente o respeito um dos pilares da educação?




Por Luciana Mendina, em 09/06/2009 - 18:18. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

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