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Eficiência energética no Brasil

Eficiência energética no BrasilHistoricamente a eficiência energética é tema recente no Brasil, já que até por volta de 1990 o país sempre produzia mais eletricidade do que consumia. Em 2001, quando o país passou por uma crise de abastecimento de eletricidade – também por falta de chuvas – foi dado início às primeiras ações de eficiência energética e apoio às energias renováveis. Nos últimos anos pouco foi feito para fomentar o uso mais eficiente da energia elétrica. Apenas acidentes de percurso, como o aumento dos custos de eletricidade devido ao baixo nível dos reservatórios e à falta de planejamento no setor, levaram o consumidor e as empresas a adotarem algumas medidas de economia.

No entanto, o desperdício de eletricidade ainda é muito grande na economia brasileira. Apenas 67% da energia elétrica gerada chega ao consumo, já que os restantes 37% são perdidos durante a longa transmissão. Os setores que mais consomem energia são: as indústrias (48%); residências (22%); comércio (14%); setor público (8%); agropecuária (4%) e outros (4%). Segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética do Ministério das Minas e Energia), os setores com maior potencial de redução são o industrial, o comércio e o setor público.

Quanto à energia elétrica, atualmente o país se vê diante da seguinte situação:

A) É preciso estabelecer uma estratégia para garantir a segurança energética, já que não existem mais grandes áreas para a construção de hidrelétricas, além da reação dos ambientalistas a este tipo de projeto. A energia nuclear é cara, demorada, além de ter muitos opositores no país.
B) O grande potencial das energias renováveis (solar, eólica, biomassa) começa apenas agora a ser explorado e ainda é uma contribuição pequena na matriz elétrica. Além disso, este tipo de energia só poderá atender parte da demanda;
C) O consumo de energia só tenderá a aumentar, já que a crise é passageira e a economia voltará a crescer, reativando o consumo e, consequentemente, o comércio e a indústria.

É preciso, concluem empresários e governo, implantar medidas de eficiência energética, já que o custo de geração deste insumo não deverá cair mais – pelo menos nos próximos anos. O Ministério das Minas e Energia já traçou alguns planos para o uso mais eficiente da eletricidade em colaboração com o Conselho Nacional da Indústria (CNI) e apoio financeiro do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). As medidas, no entanto, pouco efeito tiveram na redução do consumo de eletricidade no país. A EPE estima que em 2023 a energia conservada será de 54.222 GWh (gigawatt/hora), ou 6,5% do consumo total do país. Todavia, até o momento não existe um plano detalhado de como alcançar esta economia.

O país também passa por uma crise de eletricidade. Não porque não tenhamos condições de gerar mais energia, ao contrário; o Brasil é um dos países com maior potencial energético. O que nos falta é uma efetiva ordenação e planejamento do setor, estabelecendo objetivos para a geração e para a economia de eletricidade. Deste modo, o atual momento de crise deveria ser aproveitado para avaliar e reestruturar o setor energético em bases mais modernas, preparando o país para as novas fases de crescimento que estão por vir. É preciso que também neste setor o país incorpore tecnologias mais modernas e eficientes, que possam poupar recursos naturais e propiciar vida melhor aos brasileiros.

*Ricardo Ernesto Rose é consultor em inteligência de mercado, desenvolve atividades de marketing, transferência tecnológica e consultoria comercial na área da sustentabilidade. Jornalista, autor, com especialização em gestão ambiental e sociologia. Graduado e pós-graduado em filosofia. Coordenou o lançamento de diversas publicações sobre os setores de meio ambiente e energia e escreve regularmente para sites, jornais e revistas. É editor do blog “Da natureza e da cultura” (www.danaturezaedacultura.blogspot.com.br) e autor dos livros “Como está a questão ambiental – 100 artigos sobre a relação do meio ambiente com a economia e o clima”, “Os recursos e a cidade” e “A religião e o riso e outros textos de filosofia e sociologia”. Contatos através do site www.ricardorose.com.br

Comentários

  1. Matheus Guedes disse:

    É legal percebermos que nosso país possui alternativas “limpas” para combater a carência de energia elétrica que nos afeta (compramos o excedente da energia não utilizada do Paraguai). Entretanto, a questão empresarial intervém, como durante toda história brasileira, na economia; o que seria das termoelétricas se estas não servissem para mais nada? O que seria da extração do carvão mineral ou da queima do bagaço da cana?
    Melhorias nesse setor só seria de fato executadas quando as outras formas de transformação de energia começarem a não dar mais conta de demanda.

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