E a bienal de São Paulo/2008?
E a bienal? Nem me fale da bienal… Aliás, vou falar sim. O pavilhão vazio. Ele estava lá. Muito triste de ver. Não vou tentar falar sobre isso porque eu não entendo nada de instituições asilares, ops, de instituições em geral. Não sei sobre lei, sobre siglas. Aliás, teimo em não saber. Não é uma posição pensada, uma postura intencional, só não é minha praia. Tanto não é, que lancei meu livro totalmente independente. Tem algo esquizo nisso, ou mesmo esquisito, mas são meus passos. Aliás, voltando ao assunto primeiro, que tristeza o pavilhão vazio. angústia. foi muito duro passar por aquilo. o chão sumiu, até que cheguei ao terceiro e ele estava lá. Você também viu? Eu não sabia que era uma obra também… Pois é, incrível, não é? Foi fantástico.
Aliás, foi uma das obras de arte que mais me causou impacto em toda minha vida. Era um tapete que revestiu todo pavimento, foi concebido pela artista Dora Longo Bahia. Eu não sabia que aquilo era um tapete. Eu não conseguia tirar os olhos do chão e pensava: como eu nunca reparei este piso antes?
Havia algo nele que cativava de uma forma ímpar. Parecia um piso antigo, mas eu notava que não era, que era um revestimento plástico. Mas era tão irregular, tão estético sem ser bonito que me fazia pensar: mas que loja de revestimento, que fábrica foi capaz de imprimir algo assim? E as manchas vermelhas me faziam pensar em tintas que teriam se esparramado ao longo do tempo… mas eram como uma fita… e pensei que fosse resultado de alguma proteção do chão… e depois eu fiquei sabendo que era o contrário, o vermelho estava por baixo e enquanto caminhávamos o revestimento primeiro saía e deixava ver o vermelho…
Outra coisa de que gostei foram os vídeos com o Godard. Eram vídeos que ele fez para um programa de televisão eu acho. Então ele ficava falando sobre temas altamente sofisticados, como a necessidade de falar, por exemplo. como no filme “vivendo a vida” onde a atriz interpela um senhor num café e começa a filosofar com ele sobre a necessidade de falar. Ela diz que gostaria de não falar. que quando se fala algo se esvazia… o senhor diz : il faut parler, ou algo assim querendo dizer que falar é uma obrigação do ser humano. Preciso falar mais alguma coisa?
Eu interagindo com uma das obras:
Elaine Pauvolid é editora do site www.aliasrevista.com.br e autora de ‘Leão lírico’, edição independente, lançado em 2008. Pode ser encontrado na Livraria da Travessa de Ipanema Rua Visconde de Pirajá, 572. Tel. (21) 3205-9002. Também pode ser adquirido pelo site www.livariadatravessa.com.br
Por Elaine Pauvolid, em 07/02/2009 - 14:28. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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