Direitos humanos para humanos direitos

Por em 08/08/2009


Frequentemente, vejo pessoas falando mal da polícia. Elas estão nos jornais, no rádio, na televisão, enfim, na vida. Malham os policiais para justificarem a insegurança de suas cidades. Perdi as contas das vezes que li “essa polícia assassina”, ouvi “mas que polícia corrupta” ou assisti a uma entrevista de um ‘defensor dos direitos humanos’ que afirma ser a polícia violenta e incompetente.

O grande erro que cometem nas referidas afirmações é, sem dúvida, a generalização. Primeiro: Existem três polícias: Militar, Civil e Federal, com atribuições um pouco diferentes. Segundo: Só na Militar do estado do Rio de Janeiro são cerca de 40 mil policiais. Existem os maus policiais? Existem. Mas, inegavelmente, os bons policiais estão em muito maior número. E com estes é injusto generalizar a polícia para o lado negativo.

Os policiais não podem ser responsabilizados, por exemplo, por uma política de segurança agressiva, cujos resultados são contestados por “defensores dos direitos humanos”. Eles apenas seguem orientações. Além disso, do conforto de escritórios com ar condicionado, é fácil julgarem um policial que, com revólver na cintura, a qualquer momento pode ser morto por um grupo de traficantes fortemente armados, com fuzis que derrubam até helicópteros.

Dizem que o bem mais precioso de uma pessoa é sua vida. Consideram os médicos heróis justamente por salvarem vidas. E os policiais? Estes, para salvarem vidas alheias, arriscam as próprias. Imagine, caro leitor, um homem casado, com dois ou três filhos. Morador de favela, ele tem que secar a farda atrás da geladeira para não ser descoberto. Desce o morro rezando para que, nunca, ninguém perceba que ele é policial. Para os filhos, que têm menos de 10 anos, ele diz ser motorista de ônibus. Honesto, nunca aceitou ser corrompido. Certo dia, voltando para casa, do trabalho, tarde da noite, o ônibus em que estava foi invadido por dois assaltantes. Para não ser descoberto quando entregasse a carteira, teve que reagir. Foi morto, com dois tiros no peito. Não havia outra solução, policial é policial 24 horas.

O caso descrito, acredite, é freqüente no Rio de Janeiro. Aos enterros desses policiais, dificilmente comparecem os defensores dos direitos humanos. Irônico, não? Isso tudo porque, além de arriscarem suas vidas e serem criticados pela sociedade, ganham um salário nada digno. Até acho que, no caso específico de nosso estado, a culpa também não pode ser atribuída a atual gestão. Na verdade, o governador já pegou uma bomba relógio. A falta de investimentos numa polícia moderna ao longo dos últimos anos, incluindo-se aí melhores condições de trabalho para os policiais e aumento de salário, gerou uma situação insustentável que, agora, explode no colo deste governo.

Nenhum dos argumentos apresentados, entretanto, parece ser suficiente para os críticos da polícia. Críticos que, aliás, se assaltados, roubados ou em perigo serão salvos pelos mesmos que policias de quem tanto mal dizem. Gostaria de ver, apenas durante um mês, essas pessoas vestirem a farda, terem que secá-la atrás da geladeira, pegarem em fuzis, subirem um morro, levarem tiros, darem tiros, andarem de ônibus armados e com carteira policial, e, no final do mês, receberem um salário na faixa dos que a maioria dos policias recebe.

Depois disso, aí sim, confiarei no que escrevem e dizem. Até lá, continuo confiando nos policiais, que, por mim e até por esses críticos, perdem o sono e, muitas vezes, a vida.

*Bruno Fernandes Carvalho é presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Santo Inácio, já tendo participado do Grêmio Estudantil do Colégio de Aplicação da UFRJ, da Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas do Rio de Janeiro e do DCE-PUC/RIO como colaborador externo secundarista, sendo, atualmente, militante da Juventude do PMDB do Rio de Janeiro. Também no Colégio Santo Inácio, é professor voluntário de Língua Portuguesa do curso noturno de Educação de Jovens e Adultos.




Por Bruno Fernandes Carvalho, em 08/08/2009 - 00:10. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

9 respostas to “Direitos humanos para humanos direitos”

  1. Gelby Justo

    Gostei!
    Caro Bruno você está de parabéns pelo texto, tenho vários policias na família e sei como eles recebem essas críticas feitas por determinadas pessoas, que por sinal, não sabem nem o que estão falando ou escrevendo, são carregadas pela “maré do oba-oba” onde a sociedade rotula uma determinada instituição e pronto.

    #54
  2. Mario Cunha

    Excelente.
    Sou policial e poucas vezes me vi tao bem defendido. Obrigado.

    #56
  3. Rafael Picciani

    Bruno, Parabéns pelo artigo, sem dúvida esta é uma questão que precisa ser levada a reflexão de todos. Combater a violencia e a criminalidade que se perpetuam em nosso estado, depende de ações e investimentos em quase todas as necessidades da sociedade, mas certamente oferecer melhores condições e mais respeito aos nossos policiais, que enfrentam heróicamente o crime organizado, seria um grande passo.
    Afinal, oque todos nós que amamos o nosso estado queremos, é um Rio de Janeiro em paz.
    Forte abraço!

    Rafael Picciani

    #58
  4. Marco A ntônio Cabral

    Meu querido, adorei o artigo!!!Esse artigo mostra como vc luta e é preocupado com as questões de mais importância do nosso Estado!!!Você é uma liderança nata e juntos construiremos a maior e melhor juventude partidária do Brasil!!!Quem ficará feliz com esse artigo é nosso Guara!!!GRANDE ABRAÇO!!!

    #59
  5. Julia Marinho

    O autor ta de parabens. Meu pai foi policial e ouvi ele falando coisas parecidas durante muito tempo. Obrigado pela defesa da classe.

    #60
  6. Guaraci Carvalho

    É com orgulho que leio essa matéria escrita por um jovem que pensa de maneira justa e imparcial,sobre um problema que afeta tão duramente a nossa sociedade. Mas acredito que com trabalho que vem sendo desenvolvido pelo atual governo do Estado, a longo prazo teremos resultados positivos. Obrigado por acreditar na Policia Civil do Rio de Janeiro. Um forte abraço do seu pai.

    #65
  7. PARABÉNS PELO SEU COMENTÁRIO, PELAS SUAS PALAVRAS. SOU POLICIAL CIVIL E REALMENTE TRABALHAMOS NO “FIO DA NAVALHA”, NO LIMITE, MAS JÁ QUE ESTAMOS NA PROFISSÃO, É PARA EXERCERMOS COM RESPONSABILIDADE E BOM SENSO. AGRADEÇO POR ACREDITAR EM NOSSA INSTITUIÇÃO. SOU AMIGO DO SEU PAI E FIQUEI MUITO FELIZ POR SUAS IDÉIAS APESAR DA POUCO IDADE QUE TEM.
    ABRAÇOS E CONTINUE ASSIM.

    #75
  8. Certamente o policial é muito mal pago e, além do risco de vida, é acusado de diversas crueldades.
    Não podemos, porém, generalisar achando que os policiais apenas seguem instruções. Muitas das acusações feitas ao oficial são pela ação sem instrução.
    O risco da corrupção diminui com um maior salário e melhores condições de trabalho. Porém a repressão também é necessária e é nesse ponto que muitas vezes a justiça falha.
    A impunidade, afinal, continua sendo um dos maiores problemas do Brasil.

    #158
  9. meio óbvio mas útil.

    #996

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