Dilma luta para acertar
Nem a paixão política nem a intolerância pode impedir que se reconheça uma surpresa cada vez mais agradável na atuação da presidente Dilma Rousseff. Avançou mais um pouco, ou melhor, se libertou mais um pouco das péssimas influências e compromissos incompatíveis com a de líder de um governo democrático que deve cuidar do presente e do futuro, e não ruminar velhos ressentimentos. Com isso, terá um aumento na qualidade do reconhecimento por seu trabalho.
Não se pode negar que, mesmo constrangida e pressionada, vem demitindo envolvidos em casos de corrupção que dispensam maiores investigações. Um simples olhar pelos implicados, assessores, amigos e fornecedores compromete a ponto de justificar a ação política firme. Agora, mete o dedo na ferida-mor que são os contratos com ONGs.
No capítulo de fenômenos que só ocorrem no Brasil, as ONGs têm um papel novo, porém significativo. São “não governamentais”, mas vivem, na sua maioria, exclusivamente do dinheiro público. Para atacar este e outros focos de corrupção, como as emendas parlamentares teoricamente importantes, mas com evidentes vícios na aplicação, faltaria ao governo a coragem de contratar, para auxiliar e assessorar a Controladoria Geral da União, a Receita Federal e os tribunais de contas, empresas de auditoria independentes. Por sorteio, examinariam contas com urgência, se constituindo em instrumento eficiente no combate à impunidade, que a sociedade já reputa tão grave quanto os delitos em si.
A presidente já percebeu que o desenvolvimento passa pela livre empresa, pelo investimento privado, que precisa ter a segurança de ser bem recebido. O que não pode ocorrer com agências reguladoras de orientação antiempresarial, nem com a falência dos portos e aeroportos. A presidente deveria pedir fotografias do terminal 1 do Antonio Carlos Jobim e da sala de embarque de São Luís, que é um toldo mal refrigerado. Em Confins tem escada rolante quebrada há semanas.
Decisão sábia, tardia, mas sempre oportuna, foi a de dar prazos para a liberação de licenças ambientais ou indígenas, impedindo que, em meio a uma obra, surja um questionamento que torne o projeto inviável ou prejudicado em sua rentabilidade. Tem de agir, e logo, senão as obras do PAC continuarão vítimas da ação das próprias entidades governamentais, neste vexame de desempenho. Aliás, no que toca a contas, seria um bom começo para se contratar auditorias privadas.
*Aristóteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Por Aristóteles Drummond, em 22/11/2011 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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