Defesa: o decepcionante e o preocupante

Por em 30/08/2011


DefesaO ex-ministro da Defesa Nelson Jobim perdeu mais de uma, ou melhor, duas boas oportunidades de ficar calado quando declarou seu voto no candidato de oposição e quando criticou colegas de Ministério, logo quem deveria dar o exemplo da disciplina e do respeito.

Ora, se foi assim, deveria ter deixado o Ministério. Falhou com o ex-presidente Lula e falhou com a presidente Dilma. Pior, nada lhe acrescentou a declaração em face do candidato derrotado duas vezes ter uma das maiores rejeições entre os políticos brasileiros.

Configurada a saída do ministro, passamos a ter um problema em potencial, quando o Brasil precisa de paz e união para se defender da crise que vem aí. E Nelson Jobim vinha sendo hábil, com personalidade e independência para barrar as provocações aos militares, na ação deletéria de grupos que fazem do revanchismo a bandeira de ação política. A cada dia se percebe que a sociedade brasileira efetivamente não está nessa de perseguir militares.

E não apenas em respeito à anistia, que arquivou processos de réus confessos em atos de terror com vítimas fatais, fatos registrados em livros, inclusive, mas por querer olhar para frente neste novo e surpreendente Brasil que surgiu com a eleição de Lula e cresce no atual governo. Temos é de aperfeiçoar e não regredir no processo de pacificação da família brasileira.

Nelson Jobim não teve a formação política de um mineiro, mas foi respeitado na Constituinte pelo seu saber jurídico, passou pelo Ministério da Justiça e o Supremo Tribunal Federal. Roberto Campos, cujas opiniões aprendi a endossar sem pestanejar, o apreciava pela moderação e bom senso evidenciadas nos trabalhos constituintes. Agora não teria concordado com as atitudes surpeendentes, inexplicáveis.

Os setores mais responsáveis da sociedade devem estar atentos para que substituição do ministro não leve inquietação ao país, que não considera desejável uma crise militar. Afinal, os tempos são outros, mas uma crise militar desfalca a Nação de quadros de excelência.

O Embaixador Celso Amorim é marxista-leninista, e turbinado pela militância de sua mulher. O que não o impediu de ter presidido a EMBRAFILME no governo João Figueiredo. A mais é discípulo do sr. Marco Aurélio, que guarda antigos ressentimentos e restrições aos nossos militares.

A presidente Dilma tem recebido manifestações de apreço, recebeu muitos votos entre a oficialidade das três forças, inclusive pela rejeição ao seu opositor. E ela mesma tem correspondido a estas manifestações, mostrando que, também da parte dela, as divergências são coisas do passado e que só o olhar para frente conduz à ordem e ao progresso e a fará cada vez mais respeitada. E tem mostrado um ponto em comum com os militares: exerce autoridade e não admite insubordinação, nem corrupção.

A força da base política da presidente e o respaldo popular confirmado em pesquisas de opinião idôneas abrem a possibilidade de um amplo acordo nacional para as reformas e a modernização do Estado brasileiro, que anda inchado e perturbado pela interferência política. Nos rumos administrativos e na escolha de prioridades.

Não podemos ficar na de terceiro mundo, onde sobrevive a burocracia, a corrupção, o corporativismo, a política externa dúbia em relação aos valores da liberdade e da democracia. Os companheiros da presidente não têm o direito de alimentar velhos ressentimentos e antigas crenças em relação a instituições e até mesmo países.

Todos devem ter cuidado na ação administrativa e controlar eventuais incontinências verbais. O momento é de bom senso. A emenda não pode sair pior do que o soneto.

*Aristóteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.




Por Aristóteles Drummond, em 30/08/2011 - 00:02. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

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