De onde vem a palavra “SEBO”?

Por em 22/02/2010


Livros usadosExistem algumas versões a respeito da origem do termo sebo, uma delas diz que no tempo em que não havia luz elétrica as pessoas liam à luz de velas. As velas, naquele tempo, eram feitas de gordura, de sebo. Conforme iam derretendo, acabavam sujando os livros, que ficavam engordurados. Outros dizem que os estudantes e leitores vorazes por irem a todos os lugares com um livro embaixo do braço acabavam por torná-lo sujo, ensebado. Por isso, os alfarrabistas, vendedores de livros velhos, ficaram conhecidos no Brasil como caga-sebos, e com o tempo a livraria que negocia usados ganhou o nome de sebo, que não era lá muito elogioso. Dizem que um livreiro de Pernambuco foi o primeiro a assumir esse nome e colocá-lo na porta de entrada da sua livraria, nos anos 50.

SeboAcima, banca de livros usados, na Inglaterra, século XIX

Uma outra versão foi defendida por Silveira Bueno (Grande Dicionário Etimológico Prosódico da Língua Portuguesa), que classifica: “Do particípio presente ‘sapiente’ se fizeram várias derivadas: ‘sabença’ (‘sapientia’), ‘sabente’ e desta forma ‘sabentar-se’ em espanhol, ‘asabentar’ em provençal, catalão, correspondendo ao italiano ‘insaventire’, tornar-se sábio, eruditar-se, instruir-se, donde o português arcaico ‘assabentar’, ‘sabentar’. Desta forma verbal saiu ‘sabenta’, a apostila, o conjunto de lições, explicações de aula. Houve assimilação de ‘a’ e ‘e’ (‘sebenta’) já sob a influência do adjetivo ‘sebento’, ‘sebenta’. Assim, ‘sebenta’ nada tem a ver com ‘sebenta’ de sebo, mas queria dizer: a obra, a coleção de notas de classe que tornava o estudante mais preparado, mais sábio.”

Já Eurico Brandão Jr. discorda quanto a relação entre “sebo” e o hábito da leitura à luz de velas. Segundo ele, isso se deve ao fato do livro ser manuseado constantemente, o que deixa os volumes engordurados, “ensebados”. Por essa razão, os proprietários de obras raras costumavam encaderná-los com revestimento de couro. O termo sebo tornou-se comum à partir da década de 60 e, ainda segundo Eurico, o primeiro livreiro no Brasil a usá-lo foi o seu pai, em Recife: Sebo Brandão. Por essa razão, os clientes estrangeiros que o procuravam, o chamavam de Mr. Sebo, pensando tratar-se de nome próprio…

Sobre o termo caga-sebos, Eurico esclarece que vem do nome de um pássaro comum em Pernambuco e cita em reforço, tanto o dicionário de Rodolfo Garcia, como o do Aurélio, que mencionam a palavra como sinônimo de “vendedor de livros usados”. Mas caga-sebos ou caga-sebista não têm sentido pejorativo.

Eurico também revelou que seu pai está escrevendo um livro autobiográfico onde aprofunda as pesquisas sobre a origem do termo, comprovando definitivamente suas teses sobre este tema.

*Bira Câmara é artista gráfico, ilustrador, pintor autodidata e escritor. Nascido em 09/09/1950, em Mayrink, estado de São Paulo. Publicitário, formado em comunicação social pela ESPM, também atua na área jornalística e é diretor adjunto da A.P.I. (Associação Paulista de Imprensa).

Nos anos setenta e oitenta colaborou como ilustrador e cartunista em vários jornais e revistas, entre os quais: “Planeta” (1975/83), “Visão” (1976), Folha de S. Paulo (suplemento “Folhetim”/1977); revistas “Saúde” (1986/88), “Vogue” (1987), “Playboy” (1988), “Corpo a Corpo” (1988), “Veja SP” (1996).

Como pintor, além de três individuais, participou de várias exposições coletivas nos anos 70/80/90.

Na área de HQ, em parceria com os artistas Xalberto e Sian, publicou o álbum O Paulistano da Glória, uma história em quadrinhos de 64 páginas que tem como cenário a Paulicéia Desvairada.

Em 2006 editou o “Jornal do Bibliófilo”, publicação voltada para o mercado de livros usados e obras raras.

Estuda astrologia desde 1977, especializando-se na área de pesquisa histórica. Parte dessa pesquisa foi reunida no livro “Histórias da Astrologia”, ainda inédito. Publicou também dois livros defendendo uma tese sobre a Nova Era que contraria a visão dos astrólogos engajados no movimento New Age: Salada Mística – A Farsa da Nova Era (1998, reeditado em 2001) e A Nova Era – Os Deuses estão de Volta? (2006). Traduziu para o português a obra L’Ésoterisme du Serpent Vert de Goethe, de autoria de Oswald Wirth (2001).




Por Bira Câmara, em 22/02/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

1 resposta to “De onde vem a palavra “SEBO”?”

  1. Marisa Bueloni

    Muito bom, Bira. Estas curiosidades nos deixam encantados! Eu achava mesmo que o nome “sebo” se deveria ao aspecto dos livros, meio “ensebados”… Agora, o “Mr. Sebo” é ótimo! Parabéns pelo texto.

    #419

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