Cunha fará delação premiada e leva à loucura os caciques do PMDB

Mais do que nunca, é preciso haver tradução simultânea, porque a política enlouqueceu e a Praça dos Três Poderes virou um pandemônio, desde que o senador Renan Calheiros (PMDB-RJ) marcou um almoço quarta-feira com o novo homem-forte do governo, ministro Moreira Franco, e denunciou que o presidente Michel Temer se tornou refém do Eduardo Cunha (PMDB-R) e está recompondo o grupo do ex-deputado, que continua influente, embora desde outubro esteja preso pela Lava Jato em Curitiba.

HAPPY HOUR – O presidente se assustou com a denúncia e convidou Renan para uma reunião “happy hour” no Planalto, que entrou pela noite nesta quinta-feira. E o que os dois conversaram? Nem às paredes confesso, diria Nelson Gonçalves. Porém, no início da tarde desta sexta-feira, Temer caiu na besteira de fazer uma gentileza ao grande amigo Jorge Bastos Moreno, da rádio CBN, e lhe concedeu uma entrevista exclusiva para desmentir Renan e dizer que Eduardo Cunha não tem a menor influência no governo.

O resultado foi devastador, porque logo em seguida Renan deu entrevista à excelente repórter Cristiane Jungblut, de O Globo, para confirmar todas as denúncias, no seu estilo trator, e foi logo atropelando Temer, que lhe fizera os maiores elogios na entrevista a Moreno. Sem titubear, o senador alagoano lançou um desafio, ao afirmar que, se não há influência de Cunha, o presidente Temer precisa dar provas disso.

“Há mais do que uma influência, há uma remontagem a partir de um processo de chantagem, e o presidente não pode absolutamente ficar refém disso”, disse Renan, citando novamente os aliados de Cunha que estão sendo indicados por Temer para ocupar espaços da maior importância.

É GRAVE A CRISE – Há meses estamos alertando que o clima no Planalto está sinistro. Porém, jamais poderíamos imaginar que essas informações viessem a ser confirmadas justamente por Renan Calheiros, um dos principais caciques do PMDB, que jamais conseguiu se entender com Eduardo Cunha, os dois sempre foram rivais no partido.

Conforme publicamos na TI, o fato concreto, que nem necessita de tradução simultânea, é que há meses Cunha vem mandando recados a Temer, alertando que não aceita ser abandonado pelos antigos aliados. A grande preocupação dele é com os desdobramentos em relação à mulher Cláudia Cruz e a dois de seus filhos do primeiro casamento.

Sem dúvida, as perguntas que Cunha endereçou a Temer em processos judiciais mostram que o ex-deputado é a reedição do homem que sabia demais de Hitchcock, pois conhece até detalhes da vida privada do atual presidente.

EXISTEM DOCUMENTOS – Antes de perder o mandato e o cargo de presidente da Câmara, Cunha passou dois meses se reunindo diariamente com o doleiro Lúcio Funaro, que tinha o costume de registrar todas as operações, com nomes, datas, registros de depósitos e tudo o mais. Cunha fez cópias de todos esses documentos e tinha certeza de que Temer poderia salvá-lo, até porque sonhar ainda não é proibido. Mas acontece que o presidente não tem condições de ajudar o ex-deputado, a não ser nomear quem for indicado por ele, para acalmá-lo e evitar a delação. Mas Renan percebeu o lance e está colocando tudo a perder.

Temer tem grandes aliados, como o ministro Gilmar Mendes, que faz o que pode no Supremo e no Tribunal Superior Eleitoral, passou até a defender o caixa dois, mas não adianta, o problema é muito grave e confuso.

CUNHA FARÁ DELAÇÃO – Na verdade, o ex-deputado Eduardo Cunha não tem alternativa. Ou faz delação premiada ou vai encarar uma longa cadeia e incriminar mulher e filhos.

Cunha não quer segurar a onda, porque acompanhou o que aconteceu a Marcos Valério, José Dirceu e João Vaccari. Sabe também que sua delação somente será aceita se realmente apresentar novidades sobre Temer e os caciques do PMDB, porque a Lava Jato já tem informações suficientes sobre as quadrilhas que infestam a política, inclusive acerca dos voos rasantes dos tucanos bicando o erário em São Paulo e Minas Gerais, entre outros Estados.

Fonte: Tribuna da Internet

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