Cuidado com a desordem!
Pelo andar da carruagem, o Brasil vai ganhar nas próximas semanas mais um item para despertar desconfianças, principalmente nos investidores internacionais, o que deverá aumentar a fuga de capitais no mercado financeiro, acelerar a recuperação do dólar e baixar os níveis das reservas.
Nossos excelentes analistas, entretanto, vivem ainda com medo de contrariar forças “politicamente corretas” e querem limitar o enfraquecimento de nossa economia a questões meramente técnicas, como a taxa cambial, os juros, os impostos, a crise mundial. Fogem de um fator essencial na avaliação de risco moderna, o político.
Não existe teoricamente o risco de um retrocesso no processo de consolidação democrática, no caso uma nova intervenção militar contra “a corrupção e o comunismo”. Mas, sim, de um processo semelhante ao da Venezuela, dentro das normas democráticas em tese – eleições e plebiscitos. O que pode levar o país a aprofundar uma política hostil ao capital, desde que as investidas contra a liberdade de empresa parecem terem fracassado. A linha de ação passou a ser a eleitoral, refletindo no Parlamento e na influência ideológica nos tribunais superiores. O caso da negativa de licença ambiental para a EL Paso perfurar área licitada é evidente na falta de seriedade. O mesmo Poder Publico que vende direitos, nega licença aos mesmos.
O que assusta e ameaça a democracia que queremos, e que é consagrada no mundo culto, é a política que vem desde a renúncia do presidente Fernando Collor – que poderíamos denominar de “tolerância mil” com atentados ao interesse e à ordem pública, ao arrepio da lei, da autoridade e dos direitos fundamentais de uma sociedade organizada. É a condescendência com atos violentos de depredação, invasões, interdições de estradas ou prédios públicos, por parte de “movimentos sociais”, visivelmente financiados pelo poder público. O Brasil estimula o anedotário internacional sobre suas particularidades ao ser o país das Organizações Não Governamentais (ONGs), que vivem exclusivamente de verbas oficiais e sem a mínima transparência. É a simples transferência de recursos públicos para entidades com fins políticos e ideológicos.
O Brasil está dominado por greves, muitas no setor público. E, ao que parece, remuneradas. Não se tem notícia de iniciativa dos governos – ou do sempre atento Ministério Público – para a suspensão dos pagamentos de salários ou descontos de dias parados, como em parcela pequena, mas barulhenta, das professoras mineiras, dos bem pagos funcionários dos Correios e nas estatais – federais ou estaduais – em campanha salarial. Em semanas, vamos ter problemas no setor bancário. As obras do PAC e da Copa de 14 não escapam a turbulência, embora visivelmente sem apoio dos interessados, ou seja, os operários. Como o investidor pode confiar num país assim?
Até a mídia, que tem um papel importante na defesa da sociedade, se porta de maneira curiosa. O novo ministro do Turismo chegou a ser questionado por destinar emendas de sua autoria para os municípios em que foi votado. O que deveria fazer? Proteger locais em que não foi votado? O deputado não representa o Estado – como os senadores –, mas, sim, seus eleitores e, conseqüentemente, seus municípios.
A bancada mineira na Câmara, por exemplo, foi alvo de noticiário no mínimo estranho, pelo fato de, apartidariamente, haver logrado maiores liberações de emendas. Quando o político mineiro é reconhecido justamente por sua habilidade e espírito público. Deveriam é ser elogiados, uma vez que estados importantes como São Paulo e Rio ficaram sem nenhuma liberação até agora.
Infelizmente, o chamado alto empresariado não parece preocupado se não em ganhar dinheiro e financiamentos. Não é como a base de médios e pequenos que sabem dependerem da democracia para sobreviverem, pois são os primeiros a sofrerem com as tradicionais intervenções dos regimes fortes de esquerda.
É bom se considerar esse tipo de problema. Baderna não leva a lugar algum. Falta de autoridade e de respeito a lei acabam sem controle.
*Aristóteles Drummond, jornalista, é vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro.
Por Aristóteles Drummond, em 03/10/2011 - 00:01. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.


























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