Criação de filhos: introdução ao manual básico.
“Criar filhos é a coisa mais fácil do mundo, principalmente se não são os nossos!”. Achei graça quando ouvi esta frase dita pelo escritor e cartunista Ziraldo, em uma palestra para professores. Depois fiquei pensando que ele tinha mesmo razão. Dar conselhos, dizer o que fazer é bem mais fácil do que fazer de fato. O fazer dá trabalho, e muito. Que o digam as pobres mães e pais desorientados e aflitos que já atendi nas escolas.
Infelizmente já ouvi: “não sei mais o que fazer com essa criança”, e, ao olhar, deparei-me com uma criatura que não media nem mesmo um metro. Como pode alguém perder o controle da situação tão cedo?!! Desde pequena a criança precisa entender quem manda. Isso entendido, a vida flui em paz, amor, rosas e espinhos. Testar a autoridade e a paciência dos adultos ela irá fazer sempre que se estabelecer uma nova relação com outras pessoas às quais ela estará de certa forma, hierarquicamente, abaixo, como professores, parentes, médicos ou outros adultos.
Criança educada será adulto educado. E adulto educado, mundo melhor. Já imaginou que paraíso se todos fossem educados? Corrupção talvez não existisse. Crimes, bem menos. Pichações, nem pensar! Lixo na rua, jamais.
Muitos pais, por trabalharem fora, quando estão em casa permitem aos filhos a realização de todas as vontades, como forma de compensação. Que loucura! Não percebem que estão roubando dos filhos a chance de se educar. Crianças e adolescentes não se sentem amados se não forem cobrados. Por mais que reclamem do cerco, no fundo gostam, pois sabem que estão sendo observados, que os pais sabem que eles existem. Reclamar é de praxe!
O que aconteceu com as famílias que se negam a ter regras? Dá trabalho criar, observar e cobrar o cumprimento das regras, mas, a longo prazo, nada traz mais tranqüilidade a uma família que ter regras. Os pais devem criar as regras, dizer como querem que a casa funcione, e passá-las aos filhos, de forma clara, simples e direta. Educar é paciência! Errou, tem que mostrar onde está o erro, remeter ao cumprimento da regra, exigir que seja cumprida. Insistiu no erro, aplicar penalidades que estejam previstas para o não cumprimento, assim as crianças crescem entendendo que as ações têm conseqüências. Isso também traduz a idéia de responsabilidade.
Promessas devem sempre ser cumpridas. Isso traz confiança. Mas cuidado com as promessas feitas, tanto as boas quanto as ruins. Prometeu uma punição, faça, para não cair em descrédito. Não prometa presentes que não possa dar ou que irão onerá-lo demais. Não cause frustração desnecessária. Também não premie por aquilo que deveria ser feito como parte da obrigação de filho: estudar, manter o quarto arrumado, passar de ano, respeitar as outras pessoas, etc.
Eu poderia dar milhões de outros conselhos, mas o melhor deles, que vai direto ao ponto, é ame seu filho de maneira que ele perceba o tamanho desse amor! Declare seu amor todos os dias e de maneiras variadas. E outro, viva a sua vida da maneira mais correta possível, porque você é o maior exemplo para ele e suas atitudes falam bem mais alto que suas palavras. Ele irá copiá-lo em tudo e você gostará do que irá ver? Você se verá em seu filho! Ele irá refletí-lo.
*Cristina Silveira é professora do ensino fundamental e médio, pedagoga, especialista em dificuldades de aprendizagem, docente da rede estadual de ensino (RJ) e da rede municipal de Duque de Caxias (RJ), onde atua na Subsecretaria Adjunta de Planejamento Pedagógico e autora do livro Ziraldo na Sala de Aula (Editora Melhoramentos).
Por Cristina Silveira, em 06/03/2010 - 00:03. Você pode acompanhar as respostas a este texto acessando o leitor RSS 2.0.

























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Cris, adorei as suas observações. Você foi objetiva e resumiu
em algumas linhas, os procedimentos básicos que devem ser
utilizados na Educação das Crianças e Adolescentes.
Adorei este artigo.
Vou utilizar na minha próxima reunião de pais.
Essa revista é tudo de bom!
Criar filhos é, certamente, a tarefa mais difícil na vida de uma pessoa!